{"id":472300,"date":"2016-05-19T18:46:18","date_gmt":"2016-05-19T16:46:18","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/o-que-significa-ser-digital-para-uma-empresa-2\/"},"modified":"2026-08-10T15:31:20","modified_gmt":"2026-08-10T13:31:20","slug":"o-que-significa-ser-digital-para-uma-empresa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/en\/ideas\/uno\/o-que-significa-ser-digital-para-uma-empresa\/","title":{"rendered":"O que significa ser digital para uma empresa?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.uno-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/017_2.jpg\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O conceito de empresa digital surgiu no final da d\u00e9cada de 90 do s\u00e9culo XX, \u00e9poca em que a internet se afirmou como uma tecnologia relativamente generalizada na maior parte dos pa\u00edses desenvolvidos. Nesta \u00e9poca, as startups digitais proliferavam, e novas possibilidades como o com\u00e9rcio eletr\u00f3nico e a economia digital questionavam o status quo dos modelos de neg\u00f3cio estabelecidos. O consultor em gest\u00e3o Don Tapscott falava das oportunidades e perigos da economia digital. O soci\u00f3logo Manuel Castells propunha o conceito de empresa em rede como o modelo empresarial do capitalismo informacional que carateriza a sociedade em rede que na altura se estava a delinear. Um artigo emblem\u00e1tico da consultora McKinsey apresentava a Cisco Systems e a eBay como exemplos de \u201corquestradores\u201d de uma complexa rede de parcerias e outsourcings empresariais. Nesta \u00e9poca, ser digital significava, para uma empresa, estar conectado a partir de um suporte infraestrutural de TIC (Tecnologias da Informa\u00e7\u00e3o e da Comunica\u00e7\u00e3o). O funcionamento em rede podia ocorrer no plano interno, melhorando e agilizando processos de trabalho, promovendo a partilha de conhecimento e a inova\u00e7\u00e3o, refor\u00e7ando a produtividade. E podia tamb\u00e9m ocorrer no plano externo, criando redes de rela\u00e7\u00f5es com fornecedores, parceiros, clientes, e por vezes at\u00e9 competidores.<\/p>\n<blockquote><p>Pois ser digital deixou de ser uma op\u00e7\u00e3o, tornou-se inevit\u00e1vel<\/p><\/blockquote>\n<p>Volvidas quase duas d\u00e9cadas, ser digital assume contornos diferentes. Como o especialista em social media marketing Erik Qualman afirma, j\u00e1 n\u00e3o estamos a falar de uma quest\u00e3o Shakesperiana, pois ser digital deixou de ser uma op\u00e7\u00e3o, tornou-se inevit\u00e1vel. A nova quest\u00e3o a pensar \u00e9 at\u00e9 que ponto uma empresa pode estar adaptada ao contexto digital em que se insere e retirar o m\u00e1ximo potencial das ferramentas digitais que tem ao seu dispor.<\/p>\n<p>Este reconhecimento de que ser digital \u00e9, atualmente, inevit\u00e1vel, decorre de um entendimento contextual do que significa ser digital, em detrimento de uma abordagem tecnol\u00f3gica. Podemos comunicar digitalmente, mesmo que n\u00e3o estejamos a usar tecnologias como canais de comunica\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m vivemos e pensamos digitalmente, pois as tecnologias digitais est\u00e3o completamente integradas nas nossas rotinas quotidianas, e v\u00e1rios estudos t\u00eam comprovado os seus efeitos nas estruturas cognitivas humanas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.uno-magazine.com\/wp-content\/uploads\/2016\/05\/017_1.jpg\"><\/a>Marshall McLuhan, um dos especialistas em Estudos dos Media mais pol\u00e9micos, relacionou a mudan\u00e7a social com a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica precisamente atrav\u00e9s dos efeitos cognitivos dos media. A partir dos est\u00edmulos que dirigem aos nossos sentidos, as tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o moldam respostas neuronais, e consequentemente percep\u00e7\u00f5es e concep\u00e7\u00f5es. A sociedade contempor\u00e2nea \u00e9 marcada pela utiliza\u00e7\u00e3o generalizada, frequente e intensa de tecnologias digitais. Estas tecnologias s\u00e3o conectadas, multim\u00e9dia, integradas, e por vezes t\u00e3o user-friendly e t\u00e3o seamless que se tornam impercept\u00edveis. Moldam no ser humano estruturas cognitivas assentes no multi-tasking, no networking, numa abrang\u00eancia hol\u00edstica que \u00e9 conseguida atrav\u00e9s de uma certa superficialidade, estrat\u00e9gia que desenvolvemos para lidar com o excesso de informa\u00e7\u00e3o e est\u00edmulos com que somos confrontados a todo o momento. Outro dos efeitos das tecnologias digitais \u00e9 a acelera\u00e7\u00e3o do ritmo quotidiano. Fazemos cada vez mais coisas ao mesmo tempo, e ainda assim esse tempo \u00e9 cada vez mais escasso.<\/p>\n<p>Independentemente das tecnologias que possamos ou n\u00e3o utilizar, partilhamos todos o mesmo lifestyle conectado e acelerado, presente em n\u00f3s enquanto profissionais e consumidores. N\u00e3o temos paci\u00eancia para esperar, e quando a espera \u00e9 inevit\u00e1vel rapidamente o smartphone \u00e9 retirado de malas e bolsos para preencher esses segundos, que n\u00e3o podem ser \u201cdesperdi\u00e7ados\u201d. J\u00e1 n\u00e3o combinamos encontros \u00e0 hora certa, vamo-nos coordenado durante o dia, acertando agendas, trabalhando on the move, num aproximeeting complexo e constante. As crian\u00e7as nascem em lares digitais, e pegam primeiro num smartphone do que num l\u00e1pis. E se Googlarmos o nosso nome, ser\u00e1 dif\u00edcil encontrar quem n\u00e3o tenha nenhuma presen\u00e7a digital, da mesma forma que uma empresa que n\u00e3o tem qualquer presen\u00e7a online por iniciativa pr\u00f3pria pode ver-se a bra\u00e7os com uma crise reputacional com origem numa rede social ou num agregador com reviews e ratings. As empresas s\u00e3o digitais porque n\u00f3s somos digitais.<\/p>\n<blockquote><p>Partilhamos todos o mesmo lifestyle conectado e acelerado, presente em n\u00f3s enquanto profissionais e consumidores<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas ser digital n\u00e3o significa alternar entre a realidade f\u00edsica e um plano paralelo virtual. O online e o offline est\u00e3o interligados, s\u00e3o interdependentes, s\u00e3o complementares. Uma review negativa online pode contribuir para a diminui\u00e7\u00e3o do afluxo de clientes a um restaurante f\u00edsico. Uma empresa sem qualquer presen\u00e7a digital pode perder clientes porque nunca \u00e9 encontrada a partir das pesquisas feitas no Google. Um profissional pode ser rejeitado para uma vaga em fun\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es que o recrutador possa ter encontrado em redes sociais. Da mesma forma, uma experi\u00eancia excelente num hotel pode motivar uma review online que trar\u00e1 mais clientes. A pesquisa de produtos e pre\u00e7os online conduz ao efeito ROPO (Research Online, Purchase Offline), motivando assim visitas a lojas f\u00edsicas. Um perfil excepcional no LinkedIn pode motivar uma empresa a fazer uma proposta a um profissional. Usando os termos do fil\u00f3sofo Martin Heidegger, ser digital \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca da nossa forma de ser-no-mundo atual, faz parte do que significa ser (ou viver) na sociedade contempor\u00e2nea.<\/p>\n<blockquote><p>Uma empresa digital sabe ser relevante e oportuna, conseguindo atrair a aten\u00e7\u00e3o num ambiente de abund\u00e2ncia de est\u00edmulos<\/p><\/blockquote>\n<p>Da mesma forma que o Design Thinking aplica os princ\u00edpios do design \u00e0 criatividade e ao empreendedorismo, ou que a Gamification aplica os princ\u00edpios dos videojogos a programas de fideliza\u00e7\u00e3o de clientes ou \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o interna, tamb\u00e9m a digitaliza\u00e7\u00e3o das empresas vai al\u00e9m da adop\u00e7\u00e3o e utiliza\u00e7\u00e3o de plataformas e ferramentas tecnol\u00f3gicas. Uma empresa digital n\u00e3o \u00e9 (apenas) uma startup tecnol\u00f3gica, uma empresa que vende online, ou uma empresa que est\u00e1 presente no Facebook. Ser digital significa, para uma empresa, incorporar a l\u00f3gica de funcionamento das tecnologias digitais, independentemente de utilizar ou n\u00e3o plataformas concretas, l\u00f3gica essa que assenta na conectividade, na interatividade, na emo\u00e7\u00e3o e na intui\u00e7\u00e3o, na velocidade, e na criatividade. Uma empresa digital est\u00e1 em permanente contacto com todos os stakeholders, adoptando um modelo de comunica\u00e7\u00e3o dial\u00f3gico e interativo. Uma empresa digital responde instantaneamente a todos os seus stakeholders, n\u00e3o faz ningu\u00e9m esperar. Uma empresa digital personaliza ofertas e contatos, parte do big data para chegar a uma rela\u00e7\u00e3o \u00fanica e especial com cada um. Uma empresa digital est\u00e1 nos nossos bolsos, na cloud, em todo o lado. Uma empresa digital sabe ser relevante e oportuna, conseguindo atrair a aten\u00e7\u00e3o num ambiente de abund\u00e2ncia de est\u00edmulos. Em \u00faltima inst\u00e2ncia, uma empresa digital compreende todos os seus stakeholders, tamb\u00e9m eles digitais, e consegue oferecer-lhes solu\u00e7\u00f5es que satisfa\u00e7am as suas necessidades indo ao encontro das suas prefer\u00eancias.<\/p>\n<p>Num futuro pr\u00f3ximo, o futuro da internet das coisas e dos wearables, o futuro do big data e da intelig\u00eancia artificial, n\u00e3o seremos apenas n\u00f3s e as empresas que s\u00e3o digitais. Os objetos estar\u00e3o conectados, registar\u00e3o os nossos comportamentos e antecipar\u00e3o as nossas necessidades. A nossa realidade ser\u00e1 digital.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; O conceito de empresa digital surgiu no final da d\u00e9cada de 90 do s\u00e9culo XX, \u00e9poca em que a internet se afirmou como uma tecnologia relativamente generalizada na maior parte dos pa\u00edses desenvolvidos. 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