{"id":463055,"date":"2026-05-12T09:00:21","date_gmt":"2026-05-12T07:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/?p=463055"},"modified":"2026-05-12T11:46:10","modified_gmt":"2026-05-12T09:46:10","slug":"a-nova-desordem-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/a-nova-desordem-global\/","title":{"rendered":"A nova (des)ordem global"},"content":{"rendered":"<p><strong>As regras que governaram o mundo nos \u00faltimos setenta anos est\u00e3o em decl\u00ednio. A ordem global baseada no multilateralismo e, desde a queda do Muro, na predomin\u00e2ncia dos Estados Unidos, est\u00e1 desaparecendo. As rivalidades s\u00e3o maiores, a China luta pela hegemonia e o unilateralismo prevalece. Quase nenhum cen\u00e1rio est\u00e1 fora da mesa atualmente.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Essa mudan\u00e7a \u00e9 monumental para as empresas que fazem parte da comunidade LLYC. Os Estados Unidos, a Europa e a Am\u00e9rica Latina \u2014 as regi\u00f5es onde nossa empresa atua \u2014 est\u00e3o assumindo novos pap\u00e9is e novas rela\u00e7\u00f5es, gerando fortes tens\u00f5es comerciais. Mas ainda existem amplos espa\u00e7os para coopera\u00e7\u00e3o, sinergia e valores democr\u00e1ticos. Neste di\u00e1logo, que ocorreu antes da interven\u00e7\u00e3o dos EUA na Venezuela e da guerra no Ir\u00e3, mas reflete todas as condi\u00e7\u00f5es que os levaram, Luisa Garc\u00eda e Pol Morillas abordam o lado geopol\u00edtico dos muitos desafios que est\u00e3o por vir.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luisa Garc\u00eda (LG)<\/strong>: Quando come\u00e7amos a pensar em como quer\u00edamos celebrar o 30\u00ba anivers\u00e1rio da LLYC, t\u00ednhamos claro que, embora estejamos muito orgulhosos do que conquistamos ao longo desses anos, quer\u00edamos olhar para o futuro. Por isso lan\u00e7amos o programa Partners for What\u2019s Next, com a ideia de ficar pr\u00f3ximos dos clientes e colaboradores para entender os desafios que vir\u00e3o e poder apoi\u00e1-los ao enfrent\u00e1-los. Nesse contexto, era importante ter uma conversa sobre a nova ordem global, ou desordem. E com ningu\u00e9m melhor do que Pol Morillas, autor do livro The Big Players\u2019 Playground. Europe in a Hostile World, e diretor do CIDOB em Barcelona, um dos mais importantes think tanks de estudos internacionais da Europa.<\/p>\n<p><strong>Pol Morillas (PM)<\/strong>: Muito obrigado por compartilhar esse tempo comigo e me convidar para suas conversas.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: Pol, viemos de um mundo marcado pelo multilateralismo, onde institui\u00e7\u00f5es como o FMI, a ONU ou o Banco Mundial promoviam a globaliza\u00e7\u00e3o, o com\u00e9rcio e a coopera\u00e7\u00e3o. Mas j\u00e1 sabemos que, no futuro, o mundo provavelmente n\u00e3o ser\u00e1 mais governado por essa ordem.<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: De fato, acredito que neste momento estamos vendo uma tend\u00eancia para um mundo multipolar onde n\u00e3o apenas um pa\u00eds, os Estados Unidos, mas dois pa\u00edses, China e Estados Unidos, dominam. E onde pot\u00eancias m\u00e9dias tamb\u00e9m querem participar da divis\u00e3o do poder internacional. \u00c9 um mundo mais multipolar, mas, ao mesmo tempo, cada vez menos multilateral.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es que voc\u00ea mencionou est\u00e3o perdendo relev\u00e2ncia na estrutura\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es. E essa multipolaridade sem multilateralismo \u00e9 o que nos d\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia. O papel dos Estados, especialmente das grandes pot\u00eancias, pode ser fortalecido para que essas duas inst\u00e2ncias governem a estrutura\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es internacionais. Mas as crises que enfrentaremos \u2014 relacionadas ao clima, \u00e0s regula\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, \u00e0 pandemia de COVID-19 na \u00e9poca ou outra semelhante no futuro \u2014 continuar\u00e3o sendo crises transnacionais. Esse \u00e9 o grande paradoxo que enfrentamos agora.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: A LLYC nasceu na Espanha e iniciou sua expans\u00e3o internacional h\u00e1 vinte e oito anos na Am\u00e9rica Latina. Queria te perguntar sobre o papel dessas duas regi\u00f5es, Europa e Am\u00e9rica Latina. Elas s\u00e3o apenas espectadoras, meras pe\u00e7as de barganha na nova luta pelo poder?<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: Acredito que, nessa nova ordem internacional, Europa e Am\u00e9rica Latina compartilham uma posi\u00e7\u00e3o semelhante. A Europa sempre dependeu dos Estados Unidos para sua seguran\u00e7a. A rela\u00e7\u00e3o transatl\u00e2ntica \u00e9 fundamental, tamb\u00e9m como um centro do com\u00e9rcio internacional e o centro da economia mundial no Atl\u00e2ntico. E agora a Europa est\u00e1 considerando se, diante da crise nas rela\u00e7\u00f5es transatl\u00e2nticas com Trump, que tamb\u00e9m se deve \u00e0 ascens\u00e3o de novas pot\u00eancias, deve diversificar suas alian\u00e7as. E a Am\u00e9rica Latina est\u00e1 um pouco na mesma posi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o pode depender apenas dos crescentes investimentos chineses. Deve manter uma boa rela\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Europeia \u2014 como vimos nas discuss\u00f5es sobre o Acordo UE-Mercosul \u2014 mas sem perder de vista os Estados Unidos, com quem sempre manteve uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima. Am\u00e9rica Latina e Europa compartilham a sensa\u00e7\u00e3o de ter que pivotar entre muitos atores simultaneamente porque seu contexto, esse mundo mais multipolar, tamb\u00e9m mudou.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: Sim, Europa e Am\u00e9rica Latina devem aprender a ser mais poli\u00e2morosas. Mas nessa poliandria compartilhada, voc\u00ea acha que h\u00e1 espa\u00e7o para fortalecer a rela\u00e7\u00e3o entre as duas? Voc\u00ea mencionou o acordo Mercosul-UE. A oportunidade e o movimento para refor\u00e7ar a Am\u00e9rica Latina e a Uni\u00e3o Europeia s\u00e3o reais ou ainda s\u00e3o uma quimera?<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: A rela\u00e7\u00e3o entre Am\u00e9rica Latina e Europa \u00e9 muito desigual. \u00c9 marcada pela desconfian\u00e7a, \u00e0s vezes devido ao legado do colonialismo. E isso afeta a rela\u00e7\u00e3o bilateral. Mas se ampliarmos o quadro e virmos onde est\u00e3o as outras pot\u00eancias internacionais, e olharmos para o futuro, para onde esses dois continentes est\u00e3o caminhando, certamente compartilham muito mais do que os separa.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: Claro, superar o passado e olhar para o futuro \u00e9 fundamental. Al\u00e9m disso, assim como com a amplia\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o Europeia percebemos o qu\u00e3o diversa a Europa \u00e9, n\u00e3o se pode pensar na Am\u00e9rica Latina como uma unidade \u00fanica. A rela\u00e7\u00e3o da Europa com o M\u00e9xico n\u00e3o \u00e9 nada parecida com a rela\u00e7\u00e3o com o Brasil, nem a rela\u00e7\u00e3o entre M\u00e9xico e Brasil \u00e9 a mesma.<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: Isso nos leva a outro tema importante: a fragmenta\u00e7\u00e3o dos sistemas pol\u00edticos em muitas regi\u00f5es do mundo. No caso da Europa, o que mais a prejudica ao se relacionar com outros pa\u00edses, especialmente os Estados Unidos, \u00e9 sua fragmenta\u00e7\u00e3o interna. Vimos isso, por exemplo, no acordo comercial entre a Uni\u00e3o Europeia e os Estados Unidos. Mostrou uma Europa disposta a ceder \u00e0s demandas dos EUA, que n\u00e3o queria jogar sua carta mais valiosa: uma pol\u00edtica comercial comum, a capacidade de atuar econ\u00f4mica e comercialmente com uma s\u00f3 voz \u2014 algo que n\u00e3o tem em defesa ou tecnologia. A Europa tinha muito medo da fragmenta\u00e7\u00e3o interna, do impacto que uma negocia\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria aos interesses dos EUA poderia gerar dentro da Uni\u00e3o Europeia. Muitas vezes, n\u00e3o \u00e9 tanto que a Uni\u00e3o Europeia care\u00e7a de ferramentas para agir ou poder \u2014 ela tem poder \u2014, mas que esse poder est\u00e1 excessivamente fragmentado.<\/p>\n<blockquote><p><strong>&#8220;Vivemos em um mundo no qual se conjugam os interesses nacionais das grandes pot\u00eancias, defendidos a todo custo, e as interdepend\u00eancias que passam pelo funil da instrumentaliza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/strong><br \/>\nPol Morillas<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>LG<\/strong>: Olhando novamente para os eixos, voc\u00ea falou sobre com\u00e9rcio e pol\u00edtica de seguran\u00e7a entre os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia. Que outras quest\u00f5es de pol\u00edtica externa dos EUA voc\u00ea acha que v\u00e3o moldar a agenda at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es de meio de mandato [al\u00e9m da interven\u00e7\u00e3o na Venezuela e no Ir\u00e3]?<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: Acredito que dentro da administra\u00e7\u00e3o republicana e do pr\u00f3prio movimento MAGA h\u00e1 um grande debate sobre a pol\u00edtica externa do pa\u00eds e dois preceitos fundamentais dela. De um lado, est\u00e3o aqueles que dizem que o foco deve ser nos pr\u00f3prios interesses dos Estados Unidos, mesmo dentro de sua \u00e1rea de influ\u00eancia mais pr\u00f3xima. Nesse sentido, vimos as declara\u00e7\u00f5es de Trump sobre Canad\u00e1, Groenl\u00e2ndia ou Panam\u00e1, como se esses pa\u00edses fossem seu quintal onde os EUA podem fazer o que quiserem. Esse lado prioriza a concep\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a. Essa vis\u00e3o inclui os ataques impunes a barcos no Caribe, sob o pretexto de que s\u00e3o barcos de tr\u00e1fico de drogas e um problema para a seguran\u00e7a americana [e isso precedeu o sequestro de Nicol\u00e1s Maduro].<\/p>\n<p>E do outro lado, h\u00e1 quem diga que n\u00e3o, que os Estados Unidos t\u00eam um rival fundamental al\u00e9m do Hemisf\u00e9rio Ocidental e arredores imediatos, que \u00e9 a China. E o que deve ser feito \u00e9 equipar toda a pol\u00edtica externa americana para a confronta\u00e7\u00e3o ou competi\u00e7\u00e3o com a China. Essas duas vis\u00f5es de pol\u00edtica externa coexistem com outras que dizem que, para priorizar a China, os EUA devem parar de focar em cen\u00e1rios que n\u00e3o lhes interessam, onde n\u00e3o querem projetar sua pol\u00edtica externa, seja no Oriente M\u00e9dio, [embora o ataque ao Ir\u00e3 desminta essa vers\u00e3o], Europa ou Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: Ent\u00e3o, \u00e9 uma quest\u00e3o de prioriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: \u00c9 dif\u00edcil para n\u00f3s decifrar quais s\u00e3o os objetivos da pol\u00edtica externa de Trump porque ele constantemente nos faz duvidar, muda de ideia e tem posi\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis sobre diferentes temas, especialmente sobre a China.<\/p>\n<p><strong>LG:<\/strong> A rela\u00e7\u00e3o entre os Estados Unidos e a China \u00e9 fortemente marcada pelo impacto que a tecnologia tem na agenda geopol\u00edtica, desde elementos de terras raras at\u00e9 a legisla\u00e7\u00e3o sobre intelig\u00eancia artificial. E em toda a cadeia, vemos um impacto claro no front comercial. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m identificamos mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ou migra\u00e7\u00f5es. Em que temas voc\u00ea vai focar no CIDOB nos pr\u00f3ximos meses ou anos?<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: Acho que em muitas dessas \u00e1reas que voc\u00ea mencionou, o que prevalece \u00e9 a l\u00f3gica com que come\u00e7amos a conversa: as interdepend\u00eancias que ainda existem, essa transnacionalidade dos fen\u00f4menos que afetam o com\u00e9rcio, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, a migra\u00e7\u00e3o ou a tecnologia. Todos esses temas s\u00e3o necessariamente transnacionais. Mas o que governa as rela\u00e7\u00f5es \u00e9 a instrumentaliza\u00e7\u00e3o dessas quest\u00f5es segundo os interesses das na\u00e7\u00f5es. No caso do com\u00e9rcio, vemos isso claramente. Os Estados Unidos e a China n\u00e3o pararam de comercializar; pelo contr\u00e1rio, permanecem sujeitos a grandes interdepend\u00eancias comerciais. O que acontece? Essas interdepend\u00eancias s\u00e3o instrumentalizadas e usadas como armas de press\u00e3o geopol\u00edtica um contra o outro. Isso \u00e9 \u00f3bvio no caso das terras raras, com a limita\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o de semicondutores, chips e tecnologia avan\u00e7ada dos Estados Unidos para a China, especialmente aqueles de uso potencial dual, ou seja, civil e militar.<\/p>\n<p>Sobre migra\u00e7\u00e3o, o que muitas vezes vemos \u00e9 que muitos pa\u00edses tamb\u00e9m instrumentalizam a migra\u00e7\u00e3o como arma de desestabiliza\u00e7\u00e3o contra terceiros pa\u00edses. Isso aconteceu, por exemplo, quando a R\u00fassia permitiu que refugiados de v\u00e1rios pa\u00edses, como o Afeganist\u00e3o, cruzassem livremente para a Finl\u00e2ndia e outros pa\u00edses vizinhos como mecanismo de press\u00e3o ou desestabiliza\u00e7\u00e3o. Fundamentalmente, as migra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o interdepend\u00eancias ou fen\u00f4menos transnacionais que os Estados instrumentalizam. E sobre tecnologia, j\u00e1 falamos de elementos b\u00e1sicos como chips, semicondutores ou terras raras, componentes necess\u00e1rios para tecnologias avan\u00e7adas que tamb\u00e9m s\u00e3o instrumentalizados. Vivemos em um mundo onde os interesses nacionais das grandes pot\u00eancias s\u00e3o defendidos ao m\u00e1ximo e cada vez mais sem escr\u00fapulos, junto com interdepend\u00eancias que passam por esse funil da instrumentaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: E o que as empresas podem fazer para entender, antecipar e operar melhor nesse mundo? Porque \u00e0s vezes os prazos s\u00e3o muito curtos. Por exemplo, a agilidade em adaptar cadeias de suprimentos em resposta a uma mudan\u00e7a tarif\u00e1ria \u00e9 um exemplo \u00f3bvio. Que melhores pr\u00e1ticas poderiam desenvolver essas habilidades que \u00e0s vezes s\u00e3o menos avan\u00e7adas dentro das empresas?<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: Em primeiro lugar, o bin\u00f4mio mercado-geopol\u00edtica deve ser invertido. O que estamos vendo agora \u00e9 que muito frequentemente a geopol\u00edtica condiciona as rela\u00e7\u00f5es comerciais e os principais parceiros com quem as empresas querem manter rela\u00e7\u00f5es comerciais fluidas e intensas. Se antes se acreditava que a geopol\u00edtica reduziria gradualmente seu impacto gra\u00e7as \u00e0s for\u00e7as do mercado, agora o que vemos \u00e9 justamente o contr\u00e1rio. A geopol\u00edtica intensifica as rela\u00e7\u00f5es de mercado, e por isso as empresas devem incorporar esse fator, que antes era considerado um aspecto n\u00e3o mercadol\u00f3gico ou secund\u00e1rio, em sua conta de lucros e perdas. Agora ele tem um impacto prim\u00e1rio e deve estar no centro da an\u00e1lise dos elementos de mercado. Essa \u00e9 a grande mudan\u00e7a de paradigma: viemos de um mundo globalizado sem barreiras e com cadeias globais de valor sem restri\u00e7\u00f5es, mas cada vez mais vemos que isso est\u00e1 dando lugar \u00e0 preemin\u00eancia do poder estatal nas rela\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas e at\u00e9 \u00e0 interven\u00e7\u00e3o em ind\u00fastrias e empresas cr\u00edticas.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: Em primeiro lugar, o bin\u00f4mio mercado-geopol\u00edtica deve ser invertido. O que estamos vendo agora \u00e9 que muito frequentemente a geopol\u00edtica condiciona as rela\u00e7\u00f5es comerciais e os principais parceiros com quem as empresas querem manter rela\u00e7\u00f5es comerciais fluidas e intensas. Se antes se acreditava que a geopol\u00edtica reduziria gradualmente seu impacto gra\u00e7as \u00e0s for\u00e7as do mercado, agora o que vemos \u00e9 justamente o contr\u00e1rio. A geopol\u00edtica intensifica as rela\u00e7\u00f5es de mercado, e por isso as empresas devem incorporar esse fator, que antes era considerado um aspecto n\u00e3o mercadol\u00f3gico ou secund\u00e1rio, em sua conta de lucros e perdas. Agora ele tem um impacto prim\u00e1rio e deve estar no centro da an\u00e1lise dos elementos de mercado. Essa \u00e9 a grande mudan\u00e7a de paradigma: viemos de um mundo globalizado sem barreiras e com cadeias globais de valor sem restri\u00e7\u00f5es, mas cada vez mais vemos que isso est\u00e1 dando lugar \u00e0 preemin\u00eancia do poder estatal nas rela\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas e at\u00e9 \u00e0 interven\u00e7\u00e3o em ind\u00fastrias e empresas cr\u00edticas.<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: H\u00e1 dois temas. O primeiro, que impacta diretamente os mecanismos das rela\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e sociais em nossas sociedades, \u00e9 o futuro da democracia. Ou seja, at\u00e9 que ponto, particularmente na Europa, esses valores que foram incontest\u00e1veis s\u00e3o e continuam sendo o mecanismo de governan\u00e7a desejado. Hoje, mais do que nunca, deve-se demonstrar que essas ideias permanecem v\u00e1lidas porque h\u00e1 outras que caminham em dire\u00e7\u00e3o diferente e as questionam. E em outra \u00e1rea, h\u00e1 um elemento que n\u00e3o mencionamos e que \u00e9 fundamental para a Europa e para a Espanha em particular: a \u00c1frica. A Europa n\u00e3o s\u00f3 careceu de vis\u00e3o estrat\u00e9gica ao definir a rela\u00e7\u00e3o que quer manter com seus vizinhos do sul na Uni\u00e3o Europeia, mas tamb\u00e9m em muitas quest\u00f5es de seguran\u00e7a, crises clim\u00e1ticas, migra\u00e7\u00f5es, refugiados, tr\u00e1fico il\u00edcito. Muitas dessas quest\u00f5es t\u00eam origem na \u00c1frica Subsaariana, ou no Sahel em particular. A Europa deve parar de virar as costas para o continente africano porque dever\u00edamos entender o Mar Mediterr\u00e2neo mais como um lago do que como um mar.<\/p>\n<blockquote><p><strong>&#8220;\u00c9 preciso inverter o bin\u00f4mio mercado-geopol\u00edtica. A geopol\u00edtica intensifica as rela\u00e7\u00f5es de mercado e, portanto, as empresas devem incorporar este fator em seu demonstrativo de resultados.&#8221;<\/strong><br \/>\nPol Morillas<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As regras que governaram o mundo nos \u00faltimos setenta anos est\u00e3o em decl\u00ednio. A ordem global baseada no multilateralismo e, desde a queda do Muro, na predomin\u00e2ncia dos Estados Unidos, est\u00e1 desaparecendo. As rivalidades s\u00e3o maiores, a China luta pela hegemonia e o unilateralismo prevalece. Quase nenhum cen\u00e1rio est\u00e1 fora da mesa atualmente. Essa mudan\u00e7a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[87],"class_list":["post-463055","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ideas"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO Premium plugin v24.7 (Yoast SEO v24.7) - https:\/\/yoast.com\/wordpress\/plugins\/seo\/ -->\n<title>A nova (des)ordem global - UNO - LLYC<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Luisa Garc\u00eda e Pol Morillas analisam a nova ordem global e seu impacto geopol\u00edtico nas empresas: multipolaridade, tens\u00f5es internacionais e insights para antecipar riscos e oportunidades.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/a-nova-desordem-global\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_BR\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"A nova (des)ordem global\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Luisa Garc\u00eda e Pol Morillas analisam a nova ordem global e seu impacto geopol\u00edtico nas empresas: multipolaridade, tens\u00f5es internacionais e insights para antecipar riscos e oportunidades.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/a-nova-desordem-global\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"LLYC\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/LLYC.Global\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2026-05-12T07:00:21+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-05-12T09:46:10+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/llyc.global\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Luisa-Conversacion.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1728\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"369\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"mcsabater\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:creator\" content=\"@llorenteycuenca\" \/>\n<meta name=\"twitter:site\" content=\"@llorenteycuenca\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"mcsabater\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"10 minutos\" \/>\n<!-- \/ Yoast SEO Premium plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"A nova (des)ordem global - UNO - LLYC","description":"Luisa Garc\u00eda e Pol Morillas analisam a nova ordem global e seu impacto geopol\u00edtico nas empresas: multipolaridade, tens\u00f5es internacionais e insights para antecipar riscos e oportunidades.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/a-nova-desordem-global\/","og_locale":"pt_BR","og_type":"article","og_title":"A nova (des)ordem global","og_description":"Luisa Garc\u00eda e Pol Morillas analisam a nova ordem global e seu impacto geopol\u00edtico nas empresas: multipolaridade, tens\u00f5es internacionais e insights para antecipar riscos e oportunidades.","og_url":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/a-nova-desordem-global\/","og_site_name":"LLYC","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/LLYC.Global\/","article_published_time":"2026-05-12T07:00:21+00:00","article_modified_time":"2026-05-12T09:46:10+00:00","og_image":[{"width":1728,"height":369,"url":"https:\/\/llyc.global\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/Luisa-Conversacion.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"mcsabater","twitter_card":"summary_large_image","twitter_creator":"@llorenteycuenca","twitter_site":"@llorenteycuenca","twitter_misc":{"Written by":"mcsabater","Est. reading time":"10 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/a-nova-desordem-global\/","url":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/a-nova-desordem-global\/","name":"A nova (des)ordem global - UNO - LLYC","isPartOf":{"@id":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/#website"},"datePublished":"2026-05-12T07:00:21+00:00","dateModified":"2026-05-12T09:46:10+00:00","author":{"@id":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/#\/schema\/person\/ca43cf061bdcc1cbb5d8a98f371f590f"},"description":"Luisa Garc\u00eda e Pol Morillas analisam a nova ordem global e seu impacto geopol\u00edtico nas empresas: multipolaridade, tens\u00f5es internacionais e insights para antecipar riscos e oportunidades.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/a-nova-desordem-global\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-BR","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/a-nova-desordem-global\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/a-nova-desordem-global\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"A nova (des)ordem global"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/#website","url":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/","name":"LLYC","description":"Consultoria de comunicaci\u00f3n marketing y asuntos p\u00fablicos","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-BR"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/#\/schema\/person\/ca43cf061bdcc1cbb5d8a98f371f590f","name":"mcsabater","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-BR","@id":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/32abdef7044d9b64befdbfd2115dd057?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/32abdef7044d9b64befdbfd2115dd057?s=96&d=mm&r=g","caption":"mcsabater"},"sameAs":["https:\/\/llyc.global"]}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/463055","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=463055"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/463055\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":464592,"href":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/463055\/revisions\/464592"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=463055"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=463055"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}