{"id":473752,"date":"2013-08-23T13:18:37","date_gmt":"2013-08-23T11:18:37","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/empresa-f-c\/"},"modified":"2026-08-13T13:51:56","modified_gmt":"2026-08-13T11:51:56","slug":"empresa-f-c","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/empresa-f-c\/","title":{"rendered":"Empresa F.C."},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/03_23.jpg\"><\/a><br \/>\nMichael Jordan n\u00e3o gostava da Nike. Ele preferia a Converse ou a Adidas. Sempre tinha utilizado t\u00eanis dessas duas marcas, afinal, a empresa de Portland n\u00e3o tinha tradi\u00e7\u00e3o no mundo do basquete. Mesmo assim aceitou visitar a sua sede central para ver a apresenta\u00e7\u00e3o da proposta, que incluiu um v\u00eddeo e a exibi\u00e7\u00e3o do conceito \u201cAir Jordan\u201d. Os prot\u00f3tipos que lhe foram apresentados eram todos em preto e vermelho. Em 1984, os jogadores da NBA s\u00f3 usavam cal\u00e7ados esportivos brancos e, seja por isso ou porque sinceramente n\u00e3o gostou, a quest\u00e3o \u00e9 que Michel disse que as aquelas eram as cores do diabo. Dias mais tarde assinou um contrato que duraria 30 anos e que representaria uma marca consider\u00e1vel na hist\u00f3ria do patroc\u00ednio esportivo.<\/p>\n<p>O esporte \u00e9 emo\u00e7\u00e3o. Poucas atividades t\u00eam uma rela\u00e7\u00e3o t\u00e3o clara com esse grande motor da nossa participa\u00e7\u00e3o social. A cada dia, milh\u00f5es de pessoas se re\u00fanem, seja para pratic\u00e1-lo, segui-lo ou coment\u00e1-lo. N\u00f3s, cidad\u00e3os, sabemos disso e as empresas tamb\u00e9m. \u00c9 um lugar comum que visitamos frequentemente nas nossas conversas.<\/p>\n<blockquote><p>O esporte tamb\u00e9m personifica uma s\u00e9rie de valores com os quais muitas empresas se identificam: competitividade, honestidade, esfor\u00e7o, supera\u00e7\u00e3o, trabalho em equipe ou a rela\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade s\u00e3o alguns exemplos<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas o esporte tamb\u00e9m representa\/incorpora uma s\u00e9rie de valores com os quais muitas companhias tamb\u00e9m se identificam: competitividade, honestidade, esfor\u00e7o, supera\u00e7\u00e3o, trabalho em equipe ou a rela\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade s\u00e3o alguns exemplos. Parece n\u00e3o haver contraindica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por isso, desde o s\u00e9culo XIX vem sendo estabelecida uma rela\u00e7\u00e3o de simbiose entre o mundo esportivo e o empresarial. Em 1852, uma companhia ferrovi\u00e1ria contratou uma regata entre Yele e Harvard, fato que passou para a hist\u00f3ria como a primeira rela\u00e7\u00e3o esporte-empresa promovida pelo marketing. Outros momentos marcantes foram a publicidade da Coca-Cola e da Kodak na Olimp\u00edada de 1896, as campanhas da marca de cereais, com seu slogan \u201cO Caf\u00e9 da Manh\u00e3 dos Campe\u00f5es\u201d, nos anos trinta, ou o primeiro contrato de um milh\u00e3o de d\u00f3lares assinado entre um atleta e um anunciante, protagonizado por Dom Carter, o m\u00edstico jogador de boliche norte-americano.<\/p>\n<p>UMA MOEDA QUE TAMB\u00c9M TEM<br \/>\nDUAS FACES<\/p>\n<p>O caso de Jordan tamb\u00e9m estabelece um antes e um depois nessa corrida. O investimento em marketing esportivo tinha sido incrementado ao longo dos anos cinquenta e sessenta, mas foi a partir de 1970 que disparou. A tend\u00eancia surgiu no caso de uma empresa em queda, que necessitava de uma mudan\u00e7a para voltar a se destacar no mercado, um exemplo perfeito para demonstrar o qu\u00e3o rent\u00e1vel podia chegar a ser. A Nike atravessava maus momentos e soube ver no novato din\u00e2mico, potente e espetacular, a pe\u00e7a que transformaria a sua organiza\u00e7\u00e3o. Uma d\u00e9cada mais tarde, a parceria mostraria enormes frutos para o fabricante de material esportivo, alcan\u00e7ando uma posi\u00e7\u00e3o invejada por todos.<\/p>\n<blockquote><p>\u00a0A regra mais importante de todas \u00e9 que temos que nos aproximar ao esporte com uma inten\u00e7\u00e3o de longo prazo<\/p><\/blockquote>\n<p>Como rev\u00e9s da moeda, o caso de Tiger Woods significou outro marco duplo: Um, marcado pelos incr\u00edveis n\u00fameros, e o outro, pela crise gerada quando foram descobertos os esc\u00e2ndalos do golfista. A pr\u00f3pria Nike se viu desafiada pela estrat\u00e9gia que um dia a catapultou. A quest\u00e3o se transformou em um perfeito exemplo para explicar que, embora o esporte n\u00e3o tenha contraindica\u00e7\u00f5es, \u00e9 certo que pode levar a certos riscos que \u00e9 bom assumir. Para minimiz\u00e1-los, \u00e9 prudente conhecer e respeitar certas regras b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>Regra 1: O Esporte \u00e9 um investimento de longo prazo<\/p>\n<p>A regra mais importante de todas \u00e9 que temos que nos aproximar ao esporte com uma inten\u00e7\u00e3o de longo prazo. Faz\u00ea-lo de forma conjuntural n\u00e3o recompensa. O investimento pode ser dispendioso e o retorno muito passageiro. O ecossistema formado por atletas, clubes, treinadores, jornalista, competi\u00e7\u00f5es, ju\u00edzes, categorias, federa\u00e7\u00e3o, meios de comunica\u00e7\u00e3o, transforma-se em um ambiente complexo. Para aproveit\u00e1-lo ao m\u00e1ximo \u00e9 necess\u00e1rio contar com experi\u00eancias, conviv\u00eancia e respeito. Esses tr\u00eas quesitos podem ocorrer ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Quando esses tr\u00eas elementos orientam as rela\u00e7\u00f5es, o v\u00ednculo que se cria \u00e9 mais s\u00f3lido, resultando em um maior conhecimento e uma melhor valoriza\u00e7\u00e3o das marcas. Influenciam essas duas vari\u00e1veis que permitem definir a reputa\u00e7\u00e3o de qualquer organiza\u00e7\u00e3o ou pessoa.<\/p>\n<p>A nossa associa\u00e7\u00e3o com o esporte causa um impacto t\u00e3o grande na notoriedade da nossa marca (pela propaga\u00e7\u00e3o que faz da sua promessa de valor) quanto na sua visibilidade; \u00e9 nessa \u00faltima etapa que acontece a assimila\u00e7\u00e3o dos valores que representam os atletas, os clubes ou as competi\u00e7\u00f5es. Isso \u00e9 um processo lento. \u00c9 in\u00fatil tentar acelerar esse processo por meio de um investimento pontual de incremento da popularidade, por mais elevado que seja.<\/p>\n<p>Regra 2: Cada projeto exige uma resposta imediata<\/p>\n<p>N\u00e3o todos os esportes ou personagens se prestam para qualquer projeto. Assim tamb\u00e9m ocorre com estrelas individuais das equipes, todos se diferenciam por uma caracter\u00edstica particular. Para ser um vencedor, \u00e9 necess\u00e1rio ter uma personalidade capaz de se confrontar com a honestidade. Essa personalidade lhes confere uma forma de ser e de competir exclusiva. Esse atleta necessita de um tratamento diferenciado. O p\u00fablico reage de forma completamente diferente com cada personagem. E tamb\u00e9m aceita de forma diferente as propostas de um e de outros.<\/p>\n<p>As rela\u00e7\u00f5es est\u00e1veis e duradouras apenas se conseguem selecionando bem os companheiros de viagem. Tem que haver uma evidente compatibilidade de caracteres. Isso, em certas ocasi\u00f5es, pode representar um problema, porque o clube da moda ou a competi\u00e7\u00e3o preferida das crian\u00e7as, para nossa frustra\u00e7\u00e3o, tem pouco ou nada a ver com a cultura da nossa organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Regra 3: Deve haver uma propor\u00e7\u00e3o entre a popularidade de ambas as marcas<\/p>\n<p>\u00c9 necess\u00e1rio analisar cuidadosamente se o grau de reconhecimento p\u00fablico do ambiente esportivo com o qual vamos nos relacionar \u00e9 favor\u00e1vel \u00e0 presen\u00e7a da nossa companhia, e se transmite veracidade. Habitualmente levamos em considera\u00e7\u00e3o que um dos aspectos que nos interessa nas atividades esportivas \u00e9 a expectativa que geram.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m devemos fazer o necess\u00e1rio para essa expectativa n\u00e3o cubra o nome que desejamos destacar. \u00c0s vezes n\u00e3o se cuida suficientemente desse equil\u00edbrio. Na confus\u00e3o dos meios, sejam de massa ou dirigidos a comunidades espec\u00edficas, a nossa imagem pode chegar a se diluir at\u00e9 n\u00e3o gerar cr\u00e9ditos.<\/p>\n<p>Todos gostam da elite, por\u00e9m, n\u00e3o devemos nos confundir. Um bom movimento para a nossa reputa\u00e7\u00e3o consiste em identificar o n\u00edvel adequado de visibilidade. \u00c9 crucial determinar o nicho apropriado para a nossa estrat\u00e9gia. O retorno, ocasionalmente, chega pela soma das minorias e n\u00e3o tanto pela audi\u00eancia massiva cl\u00e1ssica.<\/p>\n<p>Regra 4: O investimento deve contemplar todos os conceitos<\/p>\n<p>Nessa linha, para tirar o m\u00e1ximo de proveito devemos prever uma adequada distribui\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento. O investimento tem que contemplar parcelas n\u00e3o apenas para a nossa vincula\u00e7\u00e3o direta, mas tamb\u00e9m para que disponhamos de recursos dirigidos a comunicar a nossa decis\u00e3o ao longo do tempo. O sucesso de v\u00e1rias campanhas tem se baseado em elabor\u00e1-las de tal forma que possam gerar, em primeiro lugar, conte\u00fados de qualidade e, em segundo, oportunidades de difus\u00e3o por meio dos diferentes canais que est\u00e3o \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/033.jpg\"><\/a> <\/strong>A capacidade de chegar a determinadas comunidades que a internet nos oferece atualmente tamb\u00e9m est\u00e1 transformando a forma como nos aproximamos dos meios de comunica\u00e7\u00e3o em geral. Sabendo que o esporte \u00e9 um agente poderoso de paix\u00f5es, a segmenta\u00e7\u00e3o de p\u00fablicos necessita classific\u00e1-los em fun\u00e7\u00e3o do investimento que esse p\u00fablico, stakeholders que s\u00e3o o nosso neg\u00f3cio e da marca esportiva, est\u00e1 disposto a fazer para continuar em contato com seus \u00eddolos.<\/p>\n<p>Atingir os espa\u00e7os em que esse contato se produz \u00e9 chave para que o esporte nos ajude a gerir as expectativas das nossas comunidades de interesse e, consequentemente, dos seus l\u00edderes e mobilizadores.<\/p>\n<p>UM AMPLO LEQUE DE OP\u00c7\u00d5ES PARA<br \/>\nSE RELACIONAR COM O ESPORTE<\/p>\n<p>Atualmente, abre-se um amplo leque de op\u00e7\u00f5es quando se trata de estabelecer associa\u00e7\u00f5es bidirecionais produtivas com o mundo do esporte. Essas associa\u00e7\u00f5es surgem em grande parte pelo rico ecossistema que se transforma ao redor das estruturas e dos protagonistas: Podemos nos associar com um atleta, com muitos atletas, com um clube, com as organiza\u00e7\u00f5es de f\u00e3s, com uma competi\u00e7\u00e3o, com uma institui\u00e7\u00e3o federativa, com as categorias de base, com um esporte espec\u00edfico, com um evento, com uma conquista, com um meio de comunica\u00e7\u00e3o, etc.<br \/>\nO leque de op\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m \u00e9 incrementado pelo tipo de associa\u00e7\u00e3o que pode ser estabelecida. Essas associa\u00e7\u00f5es v\u00e3o, desde o patroc\u00ednio at\u00e9 a publicidade nos locais onde se desenvolve a competi\u00e7\u00e3o, passando pela inclus\u00e3o de um atleta na publicidade comercial, a elabora\u00e7\u00e3o de merchandising ou o suporte \u00e0s redes sociais de f\u00e3s. \u00c9 importante considerar que essas a\u00e7\u00f5es se relacionam com a contribui\u00e7\u00e3o s\u00f3cio-emocional que as empresas fazem no seu ambiente imediato. Essa contribui\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais integrada com as pol\u00edticas de sustentabilidade e o seu rendimento se estabelece na medida em que os stakeholders possam contrastar o seu aporte de forma tang\u00edvel. Dentro desse contexto, o fato de as a\u00e7\u00f5es serem coerentes com o relato da Companhia passa a ser determinante para analisar o seu retorno.<\/p>\n<blockquote><p>O contraste entre aquilo que falamos, que fazemos e o que somos, certifica a nossa reputa\u00e7\u00e3o. O esporte tem a enorme vantagem de contribuir na melhoria dos tr\u00eas aspectos<\/p><\/blockquote>\n<p>Outro fator que est\u00e1 ampliando a quantidade de possibilidades vem sendo provocado pela crise econ\u00f4mica. O mundo do esporte necessita de recursos econ\u00f4micos numa \u00e9poca em que estes s\u00e3o escassos. O investimento privado passa a ser a principal alternativa e passa a ser explorada por uma via de colabora\u00e7\u00e3o que at\u00e9 hoje parecia imposs\u00edvel: Entre outras, cabe destacar exclusividades, mudan\u00e7as de nomenclatura, contribui\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis, interc\u00e2mbios de servi\u00e7os ou n\u00edveis mais altos de compromisso por parte dos atletas na vida corporativa das empresas.<\/p>\n<p>A SIMBIOSE \u00c9 POSS\u00cdVEL E TAMB\u00c9M<br \/>\nRENT\u00c1VEL PARA A NOSSA REPUTA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p>A simbiose \u00e9 um fen\u00f4meno de adapta\u00e7\u00e3o ao meio. Dois organismos de natureza diferente colaboram entre si para tirar proveito que justifica o esfor\u00e7o individual da conviv\u00eancia. \u00a0N\u00f3s, como empresas e organiza\u00e7\u00f5es, sabemos que nos associar ao esporte apresenta v\u00e1rios benef\u00edcios, mas \u00e0s vezes, devido \u00e0 confus\u00e3o dos meios, n\u00e3o percebemos que esses benef\u00edcios s\u00e3o notados, em primeiro lugar, na nossa forma de ser e de fazer, e depois na forma como o transmitimos a quem interessa.<\/p>\n<p>Manter uma acertada e longa rela\u00e7\u00e3o com esse ecossistema fortalece e transforma a nossa cultura empresarial. Ensina a competir (a nos esfor\u00e7ar, a treinar, a nos adaptar e nos medir), n\u00f3s, como empresas, nos contagiamos da sua paix\u00e3o (nos transformamos em f\u00e3s para ganhar adeptos para a nossa causa) e nos ajuda a dar o passo da teoria \u00e0 pr\u00e1tica nesse enorme espa\u00e7o que se abre frequentemente entre a estrat\u00e9gia e a atividade di\u00e1ria; os atletas executam e, portanto, validam projetos que \u00e9 necess\u00e1rio corrigir em mil\u00e9simos de segundo. Oferecem centenas de imagens a t\u00edtulo de refer\u00eancia que, quando vistas de perto \u2013no paddock, no vesti\u00e1rio ou no campo\u2013 ilustram bem mais do que muitos cursos de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>O contraste entre aquilo que falamos, que fazemos e o que somos, certifica a nossa reputa\u00e7\u00e3o. O esporte tem a enorme vantagem de contribuir na melhoria dos tr\u00eas aspectos.<\/p>\n<p>Peter Moore, Diretor de Design da Nike em 1984 j\u00e1 sabia disso. Assim como os seus colegas, sabia que a transa\u00e7\u00e3o com Michel Jordan n\u00e3o consistia apenas em maquiagem e brilho aparente. Eles tinham a convic\u00e7\u00e3o de que aquilo que ofereciam era uma verdadeira proposta de neg\u00f3cios. Queriam que Jordan fosse seu s\u00f3cio. Queriam que o Jumpman estivesse na sua equipe. Por isso, na sua visita a Portland, colocaram todas as cartas sobre a mesa: aquele v\u00eddeo mostrava v\u00e1rios momentos da vida daquele que, mais tarde, passou a ser considerado um dos melhores atletas de toda a hist\u00f3ria. Moore e seus colegas recorrerem \u00e0 pr\u00f3pria ess\u00eancia do esporte. Tocaram na sua fibra porque, em definitiva, a empresa tamb\u00e9m \u00e9 emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Michael Jordan n\u00e3o gostava da Nike. Ele preferia a Converse ou a Adidas. 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