{"id":473989,"date":"2013-08-16T13:04:51","date_gmt":"2013-08-16T11:04:51","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/um-espaco-ibero-americano-de-investimentos-reciprocos\/"},"modified":"2026-08-13T13:53:13","modified_gmt":"2026-08-13T11:53:13","slug":"um-espaco-ibero-americano-de-investimentos-reciprocos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/um-espaco-ibero-americano-de-investimentos-reciprocos\/","title":{"rendered":"Um espa\u00e7o ibero-americano de investimentos rec\u00edprocos?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/iberoamericano.jpg\"><\/a><\/p>\n<p>A for\u00e7a das empresas de pa\u00edses emergentes \u00e9 uma sinal do reequil\u00edbrio da riqueza no mundo. As empresas ibero-americanas crescem e suas estrat\u00e9gias de neg\u00f3cios lhes permite avan\u00e7ar em outros mercados. A crise na Europa e EUA abre novas oportunidades de expans\u00e3o atrav\u00e9s de aquisi\u00e7\u00f5es de companhias endividadas. A estabilidade da regi\u00e3o, com 5 pa\u00edses em grau de investimento promete um futuro pr\u00f3spero para as multinacionais e para o nascimento de novas empresas. O crescimento das classes m\u00e9dias latino-americanas tamb\u00e9m favoreceu a consolida\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o. A fase mais intensa acontece a partir do ano 2002, impulsionado pela alta dos pre\u00e7os das mat\u00e9rias-primas, as economias em crescimento, redu\u00e7\u00e3o nos custos de capital e uma forte demanda da China. Brasil, M\u00e9xico e Chile s\u00e3o l\u00edderes em gera\u00e7\u00e3o de empresas. A Col\u00f4mbia e o Peru est\u00e3o crescendo rapidamente e a Argentina ficou para tr\u00e1s com respeito ao que se poderia esperar dela. As empresas de mercados emergentes conhecem um perfil de consumidor que os pa\u00edses desenvolvidos talvez n\u00e3o perceberam at\u00e9 a crise.<\/p>\n<blockquote><p>A crise na Europa e EUA abre \u00e0s companhias ibero-americanas oportunidades de expans\u00e3o<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Na Europa, Portugal e Espanha<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.com.br\/wp-content\/uploads\/2013\/08\/iberoamericano-full.jpg\"><\/a><strong><br \/>\n<\/strong>As empresas latinas olham para a Europa por v\u00e1rias raz\u00f5es: 1) para adquirir empresas, 2) para investir, 3) para instalar sedes ou escrit\u00f3rios e 4) para estabelecer parcerias, bem seja por projetos ou permanentes.<br \/>\nDos projetos de investimento latino na UE entre 2003 e 2010, 55% veio do Brasil, 33% do M\u00e9xico, 3%, da Argentina, 1%, da Col\u00f4mbia, e o mesmo do Chile, de acordo com o \u00faltimo relat\u00f3rio sobre IED da CEPAL. Os investimentos do Brasil, Col\u00f4mbia e Chile na Europa entre 2006 e 2009 oscilaram em torno dos \u20ac$ 2 bilh\u00f5es, atingindo os \u20ac$ 12 bi em 2010. Os investimentos do M\u00e9xico em 2009 chegaram aos \u20ac$ 3 bilh\u00f5es. Os setores que receberam o maior volume de investimento s\u00e3o o das industrias b\u00e1sicas (petroqu\u00edmica, minera\u00e7\u00e3o, cimento e a\u00e7o) e os setores de consumo (alimentos). As aquisi\u00e7\u00f5es no setor de servi\u00e7os se concentraram nas telecomunica\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os banc\u00e1rios, especialmente por parte das empresas brasileiras em Portugal. Se nos limitados investimentos de nova planta, Portugal com 34% e Espanha com 21% s\u00e3o os maiores pa\u00edses receptores de IED da Am\u00e9rica do Sul. Ap\u00f3s uma \u00e9poca de investimentos portugueses e espanh\u00f3is na Am\u00e9rica Latina nas \u00faltimas d\u00e9cadas, agora estes pa\u00edses s\u00e3o o espa\u00e7o preferido para investimentos das multinacionais latinas.<\/p>\n<p>As \u00faltimas aquisi\u00e7\u00f5es de empresas da Am\u00e9rica Latina na Europa em 2010 foram a BSG Resources Guinea Ltd. (Reino Unido) pela Vale (Brasil) por US$ 2,5 bilh\u00f5es e PetroRig II (Noruega) para o Grupo R (M\u00e9xico) por US$ 540 milh\u00f5es. Em 2011: Sigdo Koppers (Chile) \u2013fornecedor de servi\u00e7os para minera\u00e7\u00e3o\u2013 adquiriu a Magotteaux (B\u00e9lgica). A WEG do Brasil, fornecedora de solu\u00e7\u00f5es de sistemas el\u00e9tricos industriais, adquiriu a austr\u00edaca Watt Drive Antriebstechnik, de fornecimento de energia, com opera\u00e7\u00f5es na Europa e unidades industriais na Alemanha e Cingapura. O grupo Am\u00e9rica M\u00f3vil est\u00e1 investindo na Europa: Telekom Austria e KPN s\u00e3o as suas mais recentes compras.<\/p>\n<blockquote><p>Portugal \u00e9 a porta de entrada \u00e0 Europa para muitas multinacionais brasileiras<\/p><\/blockquote>\n<p>A presen\u00e7a de escrit\u00f3rios fora da Espanha de algumas empresas latinas se deve especialmente a:<\/p>\n<p>\u2022 A proximidade de empresas europeias com as quais contam com parcerias como o caso da aeroespacial Embraer com sede em Paris, dada a sua rela\u00e7\u00e3o com a Dassault.<\/p>\n<p>\u2022 Aproveitar os la\u00e7os hist\u00f3ricos com uma metr\u00f3pole, como o caso do Ita\u00fa, Odebrecht e Camargo Correa, em Lisboa.<\/p>\n<p>\u2022 Se estabelecer onde os mercados globais t\u00eam o seu mais alto grau de excel\u00eancia. Este \u00e9 o caso de empresas como Vale, Petrobras, Antofagasta, Molymet que escolheram Londres, onde est\u00e1 a London Metal Exchange, maior mercado mundial de metais n\u00e3o-ferrosos. Na Alemanha se instalaram tr\u00eas empresas brasileiras de autope\u00e7as: Sab\u00f3, Randon e Tupy e a mexicana San Luis Corp.<\/p>\n<p>Portugal \u00e9 a porta de entrada da Europa para muitas empresas brasileiras. Al\u00e9m disso, essas empresas t\u00eam mostrado interesse em comprar ativos portugueses ap\u00f3s a recente crise, o que pode ser um apoio importante para a economia portuguesa em tempos dif\u00edceis.<\/p>\n<p>A brasileira Camargo Correa adquiriu 94,8% da cimenteira portuguesa Cimpor em um IPO em 2012. A empresa investiu um \u20ac$ 1 bilh\u00e3o para multiplicar por tr\u00eas seu capital na companhia portuguesa, uma das dez maiores empresas de cimento do mundo, que tem instala\u00e7\u00f5es em treze pa\u00edses da Europa, \u00c1sia, Am\u00e9rica do Sul e \u00c1frica, e um volume de neg\u00f3cios de mais de E$ 2 bilh\u00f5es. Os ativos da Cimpor na Espanha e em outros pa\u00edses mediterr\u00e2neos foram trocados com a tamb\u00e9m brasileira Votorantim. Em 2012 a construtora Andrade Gutierrez se interessou pelas privatiza\u00e7\u00f5es da gest\u00e3o aeroportu\u00e1ria e de \u00c1guas de Portugal. Odebrecht chegou a fazer uma oferta pela gest\u00e3o do aeroportos, que acabou sendo agregado \u00e0 Vinci da Fran\u00e7a. Totvs, empresa de software, tem em Braga, desde 2009, seu centro de desenvolvimento para o mercado europeu. Oi e Portugal Telecom tem participa\u00e7\u00f5es cruzadas entre suas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<blockquote><p>Considerando a for\u00e7a das empresas latino-americanas, \u00e9 conveniente trabalhar os v\u00ednculos com a Espanha em quatro aspectos: compras, investimento, instala\u00e7\u00e3o de sedes, alian\u00e7as<\/p><\/blockquote>\n<p>Se olhamos para as translatinas que operam na Espanha:<\/p>\n<p>1) Aquisi\u00e7\u00f5es: CEMEX entrou na Espanha em 1992, comprando a Valenciana de Cementos e La Auxiliar da Constru\u00e7\u00e3o, as duas maiores empresas de cimento do pa\u00eds. Sua sede corporativa est\u00e1 em Madrid. Bradesco comprou o BBVA no Brasil em 2008. Bimbo M\u00e9xico comprou, h\u00e1 um ano, a Bimbo Iberia, atrav\u00e9s da compra de Sara Lee. Carlos Slim, da Am\u00e9rica M\u00f3vil \u00e9 um dos acionistas de La Caixa e est\u00e1 pesando em entrar no capital da Prisa, cujas a\u00e7\u00f5es ainda est\u00e3o sendo compradas no mercado. Adquiriu recentemente 34% do time de futebol Real Oviedo Futebol atrav\u00e9s da Carso.<\/p>\n<p>2) Investimentos: Pemex fechou recentemente um contrato com a Navantia para a constru\u00e7\u00e3o de dois navios \u2013 hot\u00e9is em Barreras e Navantia. Pe\u00f1a Nieto destacou que este acordo \u201cvai al\u00e9m de uma compra de navios, uma vez que haver\u00e1 uma transfer\u00eancia de tecnologia que gerar\u00e3o benef\u00edcios m\u00fatuos.\u201d O Grupo Votorantim se estabelecer\u00e1 na Espanha depois de adquirir da Cimpor, de Portugal, sua participa\u00e7\u00e3o na Corporaci\u00f3n Noroeste, cimenteira que tem entre os acionistas a fam\u00edlia Masaveu, acionistas hist\u00f3ricos do Bankinter, que ser\u00e3o os s\u00f3cios da Votorantim na Espanha.<\/p>\n<p>3) Sedes corporativas europeias de empresas latino-americanas: \u00c9 essencial citar o livro A d\u00e9cada das Multi-Latinas de Javier Santiso. No livro, se oferece um extenso cat\u00e1logo das sedes europeias das empresas latino-americanas. Conclui-se que as empresas mexicanas tendem a instalar sua sede europeia na Espanha. \u00c9 o caso da CEMEX, PEMEX, FEMSA, Grupo Alfa, Grupo Modelo, PI Mabe, Aeromexico, Top R\u00e1dio, Vitro, Laboratorios Silanes, Sofitek, Omnilife. Nem todos est\u00e3o em Madrid, mas em Guadalajara, Toledo, Leon e La Coru\u00f1a. Por sua vez, as empresas brasileiras t\u00eam mostrado prefer\u00eancia pelo Reino Unido, Portugal ou Alemanha, embora Gerdau (Bilbao), Spoleto, Marisol, Itautec (Madrid) e Alpargatas (Barcelona) tenham escolhido a Espanha. A \u00faltima a chegar, como resultado de seus investimentos, \u00e9 Votorantim que acabou de estabelecer em Madrid a sede central para suas opera\u00e7\u00f5es na Espanha, Marrocos, Tun\u00edsia, Turquia, China e \u00cdndia e est\u00e1 contratando uma nova equipe para a integra\u00e7\u00e3o. As empresas chilenas s\u00e3o mais propensas a instalar suas sedes no Reino Unido, perto dos mercados de capitais, dos tribunais de arbitragem aos quais est\u00e3o sujeitos e dos seus concorrentes globais. N\u00e3o obstante, v\u00e1rias delas escolheram Espanha: duas operadoras, CSAV e Oce\u00e2nica e uma companhia a\u00e9reas, LAN. As empresas peruanas ou colombianas internacionalizados como Carvajal, Yanbal ou Ajegroup escolheram Madrid. As argentinas escolhem a Espanha (Arcor, Tecna) ou It\u00e1lia, como Techint, Milan-owned.<\/p>\n<p>4) Parcerias: Existem uni\u00f5es para conquistar mercados ou alian\u00e7as para projetos espec\u00edficos, como a da FCC com a Odebrecht para construir o metr\u00f4 do Panam\u00e1. As uni\u00f5es tamb\u00e9m se geram para compartilhar os custos de investimento, como \u00e9 o caso do petr\u00f3leo e do g\u00e1s: Petrobras e Repsol compartem explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo na costa brasileira e dep\u00f3sitos de g\u00e1s no Peru. Na conquista de mercados, podemos citar a parceria da Telef\u00f3nica com a Huawei ou ZTE, que permitiram que estas empresas chinesas entrassem na Am\u00e9rica Latina. Alian\u00e7as entre empresas espanholas e latino-americanas tamb\u00e9m podem servir para entrar em novos mercados ou para realizar projetos espec\u00edficos.<\/p>\n<blockquote><p>O estabelecimento de parcerias para projetos, recursos ou mercados \u00e9 uma \u00e1rea que precisa de desenvolvimento entre a Espanha e Am\u00e9rica Latina<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Conclus\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p>Considerando a for\u00e7a das empresas latino-americanas, \u00e9 conveniente trabalhar nos v\u00ednculos com a Espanha em quatro \u00e1reas: compras, investimentos, instala\u00e7\u00f5es de sedes e alian\u00e7as. Estar aberto ao investimento \u201cde retorno\u201d das multinacionais latinas \u00e9 aconselh\u00e1vel tanto para Espanha como para Portugal. \u00c9 poss\u00edvel fomentar as rela\u00e7\u00f5es com incentivos fiscais e jur\u00eddicos e capitalizando os setores espanh\u00f3is por excel\u00eancia: bancos, utilities (telecomunica\u00e7\u00f5es, eletricidade, \u00e1gua), constru\u00e7\u00e3o, renov\u00e1veis, t\u00eaxtil, turismo, vinho, pesca. Se outros pa\u00edses da Europa demonstraram ser atraentes para a implementa\u00e7\u00e3o de sedes \u00e9 por serem excelentes em algum setor: nossos mercados de mat\u00e9rias-primas no Reino Unido, ind\u00fastria automotiva na Alemanha, aeron\u00e1utica na Fran\u00e7a. N\u00e3o percamos de vista que, al\u00e9m de nossos setores principais, existem tamb\u00e9m n\u00facleos competitivos, como no caso da ind\u00fastria sider\u00fargica em Bilbao ou montagem de autom\u00f3veis em cidades como Barcelona, Valladolid ou Vigo. O estabelecimento de parcerias para projetos, recursos ou mercados\u2013M\u00e9dio Oriente, \u00c1sia, EUA, \u00c1frica\u2013tamb\u00e9m \u00e9 uma \u00e1rea que precisa de aten\u00e7\u00e3o, trabalho e desenvolvimento entre a Espanha e Am\u00e9rica Latina. Este trabalho de fortalecer interesses poderia ser feito olhando para a Pen\u00ednsula como um todo, e em parceria preferencial com Portugal.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A for\u00e7a das empresas de pa\u00edses emergentes \u00e9 uma sinal do reequil\u00edbrio da riqueza no mundo. As empresas ibero-americanas crescem e suas estrat\u00e9gias de neg\u00f3cios lhes permite avan\u00e7ar em outros mercados. A crise na Europa e EUA abre novas oportunidades de expans\u00e3o atrav\u00e9s de aquisi\u00e7\u00f5es de companhias endividadas. 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