{"id":474219,"date":"2014-04-21T16:33:21","date_gmt":"2014-04-21T14:33:21","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/percebemos-isto\/"},"modified":"2026-08-13T14:59:24","modified_gmt":"2026-08-13T12:59:24","slug":"percebemos-isto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/percebemos-isto\/","title":{"rendered":"Percebemos isto?"},"content":{"rendered":"<p>U<strong>ma advert\u00eancia:<\/strong> <strong>As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas<\/strong><\/p>\n<p>Tanto o livro <em>Otro mundo es posible<\/em>, de Antoni Salamanca, quanto o document\u00e1rio ganhador do Oscar de Al Gore, <em>Uma verdade inc\u00f4moda <\/em>e o Relat\u00f3rio Stern alertam-nos de que o carbono presente na atmosfera aumentou 30% em rela\u00e7\u00e3o ao s\u00e9culo XIX. Hoje acrescentamos a cada ano 8 bilh\u00f5es de toneladas adicionais de di\u00f3xido de carbono (CO2), o que acelera as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, para as quais contribuem tamb\u00e9m o metano, o \u00f3xido nitroso e os clorofluorcarbonetos (CFC). A redu\u00e7\u00e3o da camada de oz\u00f4nio por causa dos CFC, apesar do Protocolo de Montreal de 1987 e de suas revis\u00f5es posteriores, ter\u00e1 incid\u00eancia no aumento do c\u00e2ncer de pele e catarata, reduzir\u00e1 o fitopl\u00e2ncton, o volume de pescas e as colheitas, causando danos sens\u00edveis em animais e plantas. O aquecimento global e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas s\u00e3o portanto um fato.<\/p>\n<p>Percebendo tudo isso, o secret\u00e1rio-geral da ONU procurou tratar seriamente o problema atrav\u00e9s de v\u00e1rias reuni\u00f5es que todos conhecemos j\u00e1 com o nome de Quioto. Na \u00faltima, os 194 pa\u00edses reunidos na Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas em Doha<a href=\"http:\/\/www.elmundo.es\/elmundo\/2012\/12\/04\/natura\/1354619037.html\">http:\/\/www.elmundo.es\/elmundo\/2012\/12\/04\/natura\/1354619037.html<\/a> chegaram a um acordo m\u00ednimo para prorrogar o segundo per\u00edodo de vig\u00eancia do Protocolo de Quioto (que expirava este ano) de 1 de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2020.<\/p>\n<p>O fraco resultado deu muito que falar por supor uma clara mistura de pequenos avan\u00e7os e de grandes frustra\u00e7\u00f5es. Os primeiros s\u00e3o difundidos como sucessos inconclusos por funcion\u00e1rios das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Entre as segundas est\u00e1 o fato de queos Estados Unidos, que produzem 27% das emiss\u00f5es de di\u00f3xido de carbono e assinaram no governo Clinton o Protocolo de Quioto, n\u00e3o puderam ratific\u00e1-lo. A Espanha, que sim o assinou e ratificou, n\u00e3o o cumpre. O acordo, conhecido como Porta de Entrada Clim\u00e1tica de Doha, sup\u00f5e prorrogar Quioto oito anos e \u00e9 o \u00fanico tratado internacional vinculante para combater o aquecimento global. Entretanto, EUA, R\u00fassia, Bielorr\u00fassia, Ucr\u00e2nia, Jap\u00e3o e Canad\u00e1, entre outros, n\u00e3o assumiram este novo compromisso, o que significa que as emiss\u00f5es de CO2 dos participantes <strong>sup\u00f5em agora apenas 15% das emiss\u00f5es globais<\/strong>.<\/p>\n<p>As d\u00favidas aumentam quando descobrimos que a Uni\u00e3o Europeia, suposto basti\u00e3o da defesa das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, tem um Plano Nacional de Atribui\u00e7\u00e3o de Licen\u00e7as de Emiss\u00e3o (ou PNALE) de Direitos de Emiss\u00e3o de gases de efeito estufa para cada estado-membro (ET-Emision Trading<a href=\"http:\/\/unfccc.int\/kyoto_protocol\/mechanisms\/emissions_trading\/items\/2731.php\">http:\/\/unfccc.int\/kyoto_protocol\/mechanisms\/emissions_trading\/items\/2731.php<\/a>). Este permite a compra e venda dos direitos de emiss\u00e3o criados e atribu\u00eddos entre os pa\u00edses-membros do Anexo I (industrializados), que representam quantidades que poderiam emitir-se sem incorrer em descumprimento das metas de redu\u00e7\u00e3o estabelecidas pelo protocolo. Poluindo menos do que o permitido, resta uma margem de permiss\u00f5es de emiss\u00e3o (ou direitos de emiss\u00e3o) que podem ser vendidas a outros pa\u00edses que n\u00e3o conseguiram emitir menos do que o estabelecido. Em outras palavras, uma pessoa normal descobre com assombro, porque ningu\u00e9m lhe explica os supostos benef\u00edcios, que existe um novo direito: O direito a comprar para emitir gases de efeito estufa.<\/p>\n<blockquote><p>Os 194 pa\u00edses reunidos na Confer\u00eancia das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas em Doha chegaram a um acordo m\u00ednimo para prorrogar o segundo per\u00edodo de vig\u00eancia do Protocolo de Quioto&#8230; O fraco resultado deu muito que falar por supor uma clara mistura de pequenos avan\u00e7os e de grandes frustra\u00e7\u00f5es.<\/p><\/blockquote>\n<p>Por enquanto s\u00f3 tratamos dos aspectos gerais da lei. Imp\u00f5e-se agora ocuparmo-nos do continente americano, que acumula reservas ambientais, necessita de investimento produtivo e tamb\u00e9m enfrenta o espinhoso problema dos cultivos il\u00edcitos, da droga, do narcotr\u00e1fico e do terrorismo.<\/p>\n<p><strong>Am\u00e9rica:<\/strong> <strong>Uma oportunidade que se deve aproveitar com intelig\u00eancia e respeito<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto a Europa continua lutando contra a recess\u00e3o, o relat\u00f3rio da CEPAL (2012) estima que o crescimento para a Am\u00e9rica Latina e Caribe se situa n\u00e3o muito longe de 4%. Representa, portanto, uma oportunidade \u00fanica para os investimentos europeus (e espanh\u00f3is) contanto que se aja com decis\u00e3o e respeito.<\/p>\n<p>Se em algum lugar do mundo a Espanha \u00e9 muito mais que uma pot\u00eancia m\u00e9dia, \u00e9 sem d\u00favida na Am\u00e9rica. Por conseguinte, a aproxima\u00e7\u00e3o a governos e pessoas deveria ter as seguintes caracter\u00edsticas: bom preparo (conv\u00e9m conhecer a hist\u00f3ria, a realidade, a vida e os costumes do lugar), linguagem adequada (falamos muito diretamente e <em>de soquinho<\/em>), profundo respeito pelo meio ambiente e humildade. As teorias de bar devem ficar em casa.<\/p>\n<p>Os governos da regi\u00e3o precisam imperiosamente, por sua parte, de regras claras e perdur\u00e1veis no tempo, de seguran\u00e7a jur\u00eddica, de escrupuloso cumprimento dos acordos de garantia rec\u00edproca de investimentos e, \u00e9 claro, de aten\u00e7\u00e3o especial ao meio ambiente. Em suma, as empresas de ambos os lados do Atl\u00e2ntico, num exerc\u00edcio de responsabilidade social corporativa, devem n\u00e3o s\u00f3 gerar emprego e benef\u00edcios, mas tamb\u00e9m contribuir para o desenvolvimento e respeito ao meio ambiente. \u00c9 muito aconselh\u00e1vel sua colabora\u00e7\u00e3o, propiciando acordos com as etnias, popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, universidades e entidades culturais locais caso se deseje triunfar.<\/p>\n<blockquote><p>Na Am\u00e9rica, a fumiga\u00e7\u00e3o de planta\u00e7\u00f5es de folha de coca, al\u00e9m de p\u00f4r em perigo o meio ambiente e vidas humanas, \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o extremamente inadequada&#8230; Narcotr\u00e1fico e terrorismo s\u00e3o implac\u00e1veis inimigos do meio ambiente. A solu\u00e7\u00e3o para as empresas passa por acordos com as popula\u00e7\u00f5es locais.<\/p><\/blockquote>\n<p>Concentremo-nos por um instante no problema das drogas. Os ind\u00edgenas costumam dizer que a folha da coca foi dada por Deus, j\u00e1 a \u201cina\u201d \u00e9 obra do Ocidente e dos Estados Unidos. As companhias qu\u00edmicas na Am\u00e9rica do Norte e Europa fornecem os agentes qu\u00edmicos necess\u00e1rios para a fabrica\u00e7\u00e3o da coca\u00edna, e os bancos, que anualmente lavam milh\u00f5es de d\u00f3lares, continuam beneficiando-se com o com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>Por isso, n\u00e3o se pode jogar a culpa somente nos pa\u00edses produtores. A responsabilidade \u00e9 evidentemente compartilhada entre produtos e consumidores, como tem sido amplamente reconhecido pela Uni\u00e3o Europeia nos documentos que tem assinado com a Am\u00e9rica Latina e como est\u00e1 estabelecido nas conclus\u00f5es de praticamente todas as reuni\u00f5es de c\u00fapula dos chefes de estado e governo. Al\u00e9m disso, com as drogas sint\u00e9ticas \u00e9 cada vez mais dif\u00edcil distinguir entre produtor e consumidor. N\u00e3o cabe d\u00favida nenhuma de que narcotr\u00e1fico e terrorismo caminham de m\u00e3os dadas, vivem um do outro, geram delinqu\u00eancia que ultrapassa fronteiras, constituem um problema grave que afeta toda a comunidade internacional e s\u00e3o implac\u00e1veis inimigos do meio ambiente. N\u00e3o se devem, e o caso da coca ilustra bem, equiparar responsabilidades. N\u00e3o \u00e9 a mesma coisa o campon\u00eas propriet\u00e1rio semeador e o viciado que precisa praticamente para viver, que o narcotr\u00e1fico reconhecido que funda cart\u00e9is, trabalha com paramilitares, guerrilhas e delinquentes comuns, propicia criminalidade, corrompe todos os estamentos sem exce\u00e7\u00e3o, desequilibra governos e atenta contra a seguran\u00e7a interna e internacional. A lavagem de dinheiro que leve consigo cumplicidades banc\u00e1rias \u00e9 intoler\u00e1vel. A exporta\u00e7\u00e3o de precursores sem controle \u00e9 inadmiss\u00edvel.<\/p>\n<p>Sanho Tree, diretor do Institute for Policy Studies Drug Policy Project, comenta que os EUA forneceram milhares de gal\u00f5es ao governo colombiano para uso na fumiga\u00e7\u00e3o nas \u00e1reas de cultivo de coca. Utilizou-se uma frota de teco-tecos para espalhar quantidades sem precedentes de glifosato de alta pot\u00eancia em milhares de hectares num dos ecossistemas mais diversos e delicados do mundo. Em La Hormiga, uma pequena cidade de Putumayo, na Col\u00f4mbia, as fumiga\u00e7\u00f5es acabaram com os cultivos de subsist\u00eancia, como mandioca, milho e banana, enquanto os campos de coca adjacentes n\u00e3o s\u00f3 sobreviveram, como tamb\u00e9m floresceram. Inclusive a seringueira contemplada nos programas de cultivos alternativos foi destru\u00edda pelas fumiga\u00e7\u00f5es. A coca \u00e9 resistente e capaz de crescer nas condi\u00e7\u00f5es mais extremas. Com as atuais pol\u00edticas de erradica\u00e7\u00e3o, os camponeses pobres sofrem.<\/p>\n<p>Temos pela frente uma longa luta para melhorar as condi\u00e7\u00f5es ambientais e conseguir o desaparecimento do narcotr\u00e1fico como inimigo do meio ambiente e do ser humano. \u00c9 imprescind\u00edvel explorar as possibilidades de cultivos alternativos rent\u00e1veis e fomentar a ajuda para o com\u00e9rcio e para a educa\u00e7\u00e3o. O Sistema de Prefer\u00eancias Generalizadas (SPG) concedido em seu momento pela UE aos pa\u00edses centro-americanos e andinos afetados pela droga (tarifa alfandeg\u00e1ria zero para a maior parte de seus produtos de exporta\u00e7\u00e3o) \u00e9 uma necessidade. Os projetos financiados tamb\u00e9m pela UE na Col\u00f4mbia e Bol\u00edvia, por exemplo, que facilitam infraestruturas, d\u00e3o oportunidades a outros cultivos autossuficientes, propiciam a erradica\u00e7\u00e3o manual e energias limpas, s\u00e3o uma linha a explorar e, se funcionar, a seguir. A fumiga\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de p\u00f4r em perigo o meio ambiente e vidas humanas, \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o extremamente inadequada.<\/p>\n<p>Por isso a UNESCO, f\u00f3rum de reflex\u00e3o e debate e importante organiza\u00e7\u00e3o especializada do sistema das Na\u00e7\u00f5es Unidas, consciente de que est\u00e1 em perigo a pr\u00f3pria exist\u00eancia da humanidade e do meio ambiente, aprovou em 1997 (XXIX Confer\u00eancia Geral), a Declara\u00e7\u00e3o Universal dos Direitos das Gera\u00e7\u00f5es Futuras, que infelizmente tem recebido pouca aten\u00e7\u00e3o. Nela afirma-se peremptoriamente a necessidade de assegurar a manuten\u00e7\u00e3o e perpetua\u00e7\u00e3o da humanidade, exige-se n\u00e3o atentar de forma alguma nem contra a natureza nem contra a forma de vida humana e pede-se que n\u00e3o se comprometa a vida com modifica\u00e7\u00f5es dos ecossistemas, que se assegure o progresso cient\u00edfico, que se preserve a diversidade biol\u00f3gica e que se lute em prol do desenvolvimento sustent\u00e1vel, da qualidade e da integridade do meio ambiente (art. 3, 4, 5 e 6). \u00c9 sem d\u00favida uma nova gera\u00e7\u00e3o de direitos.<\/p>\n<p>Temos um planeta para cuidar que se v\u00ea atacado sob m\u00faltiplos \u00e2ngulos. N\u00e3o pensemos de forma ego\u00edsta que o perigo \u00e9 real, mas ainda distante no tempo. H\u00e1 solu\u00e7\u00f5es. Incentivemos as empresas a colaborar. Tenhamos cuidado. Para que n\u00e3o nos aconte\u00e7a, como diz George Soros ao solicitar uma globaliza\u00e7\u00e3o mais humana, que capitalismo em demasia mate o capitalismo (<em>Crise do capitalismo<\/em>).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma advert\u00eancia: As mudan\u00e7as clim\u00e1ticas Tanto o livro Otro mundo es posible, de Antoni Salamanca, quanto o document\u00e1rio ganhador do Oscar de Al Gore, Uma verdade inc\u00f4moda e o Relat\u00f3rio Stern alertam-nos de que o carbono presente na atmosfera aumentou 30% em rela\u00e7\u00e3o ao s\u00e9culo XIX. 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