{"id":474343,"date":"2014-07-11T10:26:48","date_gmt":"2014-07-11T08:26:48","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/diplomacia-inovar-a-velha-rede-social\/"},"modified":"2026-08-13T14:55:26","modified_gmt":"2026-08-13T12:55:26","slug":"diplomacia-inovar-a-velha-rede-social","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/diplomacia-inovar-a-velha-rede-social\/","title":{"rendered":"Diplomacia &#8211; inovar a velha rede social"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/06_2.jpg\"><\/a>Quando era Secret\u00e1rio-Geral\u00a0da ONU, U Thant dizia que\u00a0quem l\u00e1 trabalhava, ao fim do\u00a0dia, ou estava completamente\u00a0confuso, ou mal informado.\u00a0Quem tiver experi\u00eancia das\u00a0na\u00e7\u00f5es Unidas sabe que assim\u00a0\u00e9. Naquela rede social, f\u00edsica\u00a0e n\u00e3o virtual, durante todo o\u00a0dia e muitas noites, pelo \u201cDelegates\u00a0Lounge\u201d e os corredores e ante c\u00e2maras\u00a0das salas de reuni\u00f5es, diplomatas, pol\u00edticos, jornalistas,\u00a0trocam informa\u00e7\u00f5es, divulgam not\u00edcias,\u00a0tecem intrigas, adiantam an\u00e1lises e previs\u00f5es\u00a0que servem os prop\u00f3sitos dos seus pa\u00edses, alvitram\u00a0sa\u00eddas e compromisso para os desafios e\u00a0amea\u00e7as que pairam pelo ar.\u00a0Diplomacia \u00e9 um termo amb\u00edguo.<\/p>\n<p>Usa-se muitas\u00a0vezes para designar a pol\u00edtica internacional, a pol\u00edtica\u00a0externa ou at\u00e9 para designar atitudes comportamentais,\u00a0como a cortesia ou a habilidade \u2013 na\u00a0vers\u00e3o mais am\u00e1vel.\u00a0O que aqui nos ocupa \u00e9 a diplomacia como instrumento\u00a0da pol\u00edtica externa dos Estados, como\u00a0o conjunto de meios e atividades espec\u00edficas que\u00a0o Estado consagra ao servi\u00e7o da pol\u00edtica externa,\u00a0e a capacidade de a ir adaptando \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o\u00a0dos tempos.<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-style: italic; color: #777777;\">As redes sociais s\u00e3o um instrumento ideal para a promo\u00e7\u00e3o da especificidade hist\u00f3rica, cultural, geogr\u00e1fica, econ\u00f4mica de cada pa\u00eds<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>Desde que as longas e refletidas\u00a0cartas manuscritas que os\u00a0embaixadores enviavam aos\u00a0seus soberanos foram ultrapassadas\u00a0pelo telegrama e depois,\u00a0numa acelera\u00e7\u00e3o estonteante,\u00a0pelo telex, fax e correio eletr\u00f4nico,\u00a0enquanto por seu lado, o\u00a0vapor, o comb\u00f3io e o avi\u00e3o tornaram\u00a0mais f\u00e1ceis e r\u00e1pidas as\u00a0desloca\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, foram-se alterando os m\u00e9todos\u00a0da atividade diplom\u00e1tica, ao ponto de a sua morte\u00a0ter sido repetida vezes anunciada. Mas n\u00e3o se\u00a0alterou a ess\u00eancia da diplomacia, que se adaptou\u00a0realidade e se manteve como meio privilegiado das\u00a0rela\u00e7\u00f5es entre Estados.<\/p>\n<p>O desafio que agora se coloca \u00e0 diplomacia, resultante\u00a0de uma conjuga\u00e7\u00e3o de altera\u00e7\u00f5es comportamentais\u00a0e de uma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica com um\u00a0ritmo estonteante que se alimentam uma \u00e0 outra,\u00a0poder\u00e1 ser por\u00e9m mais profundo. V\u00e1rios factores\u00a0contribuem para esta situa\u00e7\u00e3o: o reconhecimento\u00a0de amea\u00e7as \u2013clima, terrorismo, etc.\u2013 que ultrapassam\u00a0fronteiras e n\u00e3o t\u00eam solu\u00e7\u00f5es nacionais; a\u00a0consci\u00eancia de que a seguran\u00e7a mundial depende\u00a0de um equil\u00edbrio global e de uma eficaz governan\u00e7a\u00a0internacional; a resultante dessacraliza\u00e7\u00e3o do Estado;\u00a0a livre circula\u00e7\u00e3o do capital que ilude a regula\u00e7\u00e3o\u00a0das institui\u00e7\u00f5es; a cria\u00e7\u00e3o das redes sociais\u00a0com um alcance planet\u00e1rio; a afirma\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s\u00a0delas, de uma cultura popular tendencialmente universal;\u00a0a cria\u00e7\u00e3o entre os parceiros dessas redes de la\u00e7os de afinidade e afetividade com elementos de outros pa\u00edses e culturas, eventualmente mais pr\u00f3ximos do que com os vizinhos da mesma rua.<\/p>\n<blockquote><p>A crer nos dados dispon\u00edveis, \u00e9 reduzida a participa\u00e7\u00e3o em l\u00edngua portuguesa de entidades oficias em redes<\/p><\/blockquote>\n<p>Tudo isto coloca novos riscos ao conferir poderes acrescidos a atores n\u00e3o estatais ou n\u00e3o institucionais da cena internacional que as inst\u00e2ncias de poder n\u00e3o conseguem controlar ou regular. Bem assim abre campo \u00e0 r\u00e1pida propaga\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos populistas que escapam ao escrut\u00ednio da legalidade, potenciando atividades il\u00edcitas e mesmo terroristas.<\/p>\n<p>S\u00e3o novos desafios a que os Estados e organiza\u00e7\u00f5es internacionais ter\u00e3o de saber responder pela via diplom\u00e1tica tradicional.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/06.jpg\"><\/a>No campo da diplomacia p\u00fablica, que ganhou nova relev\u00e2ncia com a estrutura\u00e7\u00e3o da sociedade em rede e alargou a todos os cidad\u00e3os a possibilidade de terem uma voz ativa na forma\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica, as redes sociais v\u00eam criar novas e aliciantes oportunidades e instrumentos \u00e0 diplomacia.<br \/>\nPoder\u00e1 parecer paradoxal, mas num mundo em que tudo se globalizou, e se desenvolve uma cultura planet\u00e1ria do quotidiano, assume crescente atra\u00e7\u00e3o a diversidade das identidades nacionais. As redes sociais s\u00e3o um instrumento ideal para a promo\u00e7\u00e3o da especificidade hist\u00f3rica, cultural, geogr\u00e1fica, econ\u00f4mica de cada pa\u00eds, bem como para a divulga\u00e7\u00e3o das suas caracter\u00edsticas, e para projetar uma imagem diferenciada de qualidade que se repercuta favoravelmente no meio altamente concorrencial do com\u00e9rcio, do turismo e da atra\u00e7\u00e3o de investimento.<\/p>\n<p>A crer nos dados dispon\u00edveis, \u00e9 reduzida a participa\u00e7\u00e3o em l\u00edngua portuguesa de entidades oficias em redes como o Twitter. \u00c9 um indicador que leva a pensar que haver\u00e1 muito a fazer da nossa parte nesse dom\u00ednio, embora esta ac\u00e7\u00e3o possa ser feita em diversas l\u00ednguas. Alguns pa\u00edses estabeleceram j\u00e1 estrat\u00e9gias pr\u00f3prias para a atua\u00e7\u00e3o da sua diplomacia promo\u00e7\u00e3o nesta \u00e1rea. H\u00e1 um planeamento e investimento que a diplomacia portuguesa tem de fazer, quer atrav\u00e9s dos servi\u00e7os centrais, para atingir uma audi\u00eancia mundial, quer nas embaixadas, para, com o conhecimento das idiossincrasias pr\u00f3prias de cada pa\u00eds onde est\u00e3o acreditadas, darem a conhecer \u00e0 opini\u00e3o publica local a nossa hist\u00f3ria, mas tamb\u00e9m a nossa contemporaneidade no plano da pol\u00edtica interna e externa, da economia e da cultura.<br \/>\nA diplomacia manter\u00e1 a sua natureza e tradi\u00e7\u00e3o em \u00e1reas como a negocia\u00e7\u00e3o, que exige um terreno pr\u00f3prio e reservado. O seu \u00e2mbito alargou-se por\u00e9m. Temos que saber utilizar esta nova \u201cdiplomacia em tempo real\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando era Secret\u00e1rio-Geral\u00a0da ONU, U Thant dizia que\u00a0quem l\u00e1 trabalhava, ao fim do\u00a0dia, ou estava completamente\u00a0confuso, ou mal informado.\u00a0Quem tiver experi\u00eancia das\u00a0na\u00e7\u00f5es Unidas sabe que assim\u00a0\u00e9. 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