{"id":474354,"date":"2014-07-11T10:27:20","date_gmt":"2014-07-11T08:27:20","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/a-responsabilidade-regional-da-diplomacia-brasileira\/"},"modified":"2026-08-13T14:55:07","modified_gmt":"2026-08-13T12:55:07","slug":"a-responsabilidade-regional-da-diplomacia-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/a-responsabilidade-regional-da-diplomacia-brasileira\/","title":{"rendered":"A responsabilidade regional da diplomacia brasileira"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"color: #3d3d3d;\">O Brasil possui a maior economia, a maior popula\u00e7\u00e3o e seu territ\u00f3rio faz fronteira com dez dos doze pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. Sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica lhe imp\u00f5e uma responsabilidade e um engajamento regional diante da globaliza\u00e7\u00e3o. Os manuais do Itamaraty nunca preconizaram nossa lideran\u00e7a no continente, uma vez que ela n\u00e3o se imp\u00f5e. Ela \u00e9 exercida como consequ\u00eancia natural da dimens\u00e3o f\u00edsica e do peso econ\u00f4mico do pa\u00eds.<br \/>\n<\/span><\/p>\n<p style=\"color: #3d3d3d;\">\u00a0A capacidade de influenciar \u00e9 importante para que o Brasil possa conformar um continente politicamente est\u00e1vel, economicamente pr\u00f3spero e socialmente mais justo e pac\u00edfico. Ser\u00e1 invi\u00e1vel almejar um Brasil desenvolvido em meio a uma vizinhan\u00e7a em pen\u00faria. Para a diplomacia brasileira, a integra\u00e7\u00e3o \u00e9 o \u00fanico caminho para lograr o desenvolvimento regional, que proporcione bem-estar e prosperidade aos povos sul-americanos. \u00c9 imposs\u00edvel conceber o conv\u00edvio entre pa\u00edses de um mesmo continente, fazendo uso de seus recursos naturais e geogr\u00e1ficos, construindo suas infraestruturas vi\u00e1rias, hidrovi\u00e1rias e energ\u00e9ticas, de forma aut\u00f4noma ou isolada.<\/p>\n<p style=\"color: #3d3d3d;\">Para impulsionar esse esfor\u00e7o de integra\u00e7\u00e3o, o grande desafio da diplomacia \u00e9 compreender e respeitar a diversidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica do continente, ainda que, nem sempre, concordemos com essas diferen\u00e7as. Esta tem sido para a pol\u00edtica externa do Brasil condi\u00e7\u00e3o inerente \u00e0 nossa capacidade de influenciar. Esta \u00e9 provavelmente a miss\u00e3o mais \u00e1rdua e complexa que o Brasil tem para assegurar uma conviv\u00eancia harmoniosa e preponderante com seus vizinhos.<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-style: italic; color: #777777;\">Os manuais do Itamaraty nunca preconizaram nossa lideran\u00e7a no continente, uma vez que ela n\u00e3o se imp\u00f5e. Ela \u00e9 exercida como consequ\u00eancia natural da dimens\u00e3o f\u00edsica e do peso econ\u00f4mico do pa\u00eds<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>O Brasil nem sempre tem conseguido aglutinar as pol\u00edticas dos pa\u00edses vizinhos. Dentre outros fatores, a crise financeira de 2008, que parecia de in\u00edcio uma mera turbul\u00eancia de efeitos passageiros, acabou, nesses \u00faltimos anos, absorvendo boa parte das energias e dos recursos para fins internos do pa\u00eds, em detrimento de uma pol\u00edtica externa mais atuante e protagonica, capaz de melhor lidar com as car\u00eancias e os reveses sofridos por alguns dos importantes pa\u00edses vizinhos.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que o Brasil mostrou-se, nos \u00faltimos anos, pouco atuante perante as adversidades enfrentadas no continente. S\u00e3o exemplos mais recentes a suspens\u00e3o do Paraguai das delibera\u00e7\u00f5es do Mercosul; a crise pol\u00edtica e econ\u00f4mica na Venezuela; as barreiras comerciais e a crise cambial da Argentina; e o epis\u00f3dio da fuga ao Brasil do asilado Senador boliviano Roger Molina.<br \/>\nRecentemente, por\u00e9m, demos uma guinada na nossa atua\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica, ao buscar impulsar os pa\u00edses vizinhos em um esfor\u00e7o de maior integra\u00e7\u00e3o comercial \u00e0 economia global e suas cadeias de produ\u00e7\u00e3o diante da inexor\u00e1vel din\u00e2mica nas rela\u00e7\u00f5es internacionais em termos de produtividade e competividade.<\/p>\n<p>O com\u00e9rcio \u00e9, de fato, o maior fator de aglutina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, social e cultural na rela\u00e7\u00e3o entre pa\u00edses. Constitui a pedra angular de um projeto real de integra\u00e7\u00e3o. O grande exemplo da Hist\u00f3ria recente \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o, em 1951, da Uni\u00e3o Europeia, atrav\u00e9s da Comunidade Europeia do Carv\u00e3o e do A\u00e7o \u2013 CECA.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p>O grande desafio da diplomacia \u00e9 compreender e respeitar a diversidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica do continente, ainda que, nem sempre, concordemos com essas diferen\u00e7as<\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #3d3d3d;\">A retomada do processo negociador de um acordo de livre com\u00e9rcio entre o Mercosul e a Uni\u00e3o Europeia \u00e9 exemplo dessa guinada. Predomina a convic\u00e7\u00e3o de que um acordo de com\u00e9rcio que estabele\u00e7a a maior \u00e1rea de livre com\u00e9rcio do mundo conferir\u00e1 maior estatura e proje\u00e7\u00e3o ao Mercosul e aos des\u00edgnios do Brasil para a integra\u00e7\u00e3o na Am\u00e9rica do Sul. A determina\u00e7\u00e3o do Brasil em levar adiante o processo negociador nos levou, pela primeira vez no Mercosul, a amea\u00e7ar com uma negocia\u00e7\u00e3o em ritmos de liberaliza\u00e7\u00e3o diferenciados, caso a Argentina continuasse recorrendo a justificativas dilat\u00f3rias.<\/span><\/p>\n<p style=\"color: #3d3d3d;\"><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/09.jpg\"><\/a>Al\u00e9m disso, diante da defasagem competitiva que vive a economia produtiva do Brasil, prevaleceu a percep\u00e7\u00e3o, inspirada sobretudo pelos meios empresariais, de que a negocia\u00e7\u00e3o de acordos comerciais deveria ser mais abrangente, focada em uma dimens\u00e3o estrat\u00e9gica para o com\u00e9rcio, que permita um maior engajamento nas cadeias de produ\u00e7\u00e3o global, mediante o resgate da competividade de nossos produtos, em particular dos manufaturados, no mercado internacional.<\/p>\n<p style=\"color: #3d3d3d;\">Acredito que dever\u00edamos, nesse sentido, fomentar uma negocia\u00e7\u00e3o de espectro mais amplo e n\u00e3o nos ater ao modelo cl\u00e1ssico de acesso a mercados. Ao fazermos no Mercosul concess\u00f5es no \u00e2mbito regulat\u00f3rio, estaremos amoldando e integrando nossas economias e pr\u00e1ticas de mercado a padr\u00f5es normativos e regulat\u00f3rios comuns, abrindo espa\u00e7o para a maior inser\u00e7\u00e3o conjunta da Am\u00e9rica do Sul na produ\u00e7\u00e3o industrial e no desenvolvimento tecnol\u00f3gico mundial.<\/p>\n<p style=\"color: #3d3d3d;\">O objetivo do Brasil \u00e9 fortalecer o Mercosul como projeto de integra\u00e7\u00e3o para, no futuro, expandi-lo regionalmente, n\u00e3o como um empreendimento apenas do Cone Sul, mas como instrumento de uni\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul. A UNASUL constituiu-se como foro de di\u00e1logo pol\u00edtico na Am\u00e9rica do Sul pela dificuldade circunstancial, nos anos 90, de se promover a expans\u00e3o comercial regional atrav\u00e9s do Mercosul. A verdadeira integra\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica do Sul s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel quando se puder concretizar uma uni\u00e3o aduaneira em toda a regi\u00e3o. E essa responsabilidade recai, sobretudo, no Brasil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil possui a maior economia, a maior popula\u00e7\u00e3o e seu territ\u00f3rio faz fronteira com dez dos doze pa\u00edses da Am\u00e9rica do Sul. Sua situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica lhe imp\u00f5e uma responsabilidade e um engajamento regional diante da globaliza\u00e7\u00e3o. Os manuais do Itamaraty nunca preconizaram nossa lideran\u00e7a no continente, uma vez que ela n\u00e3o se imp\u00f5e. 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