{"id":474779,"date":"2016-01-13T09:40:46","date_gmt":"2016-01-13T08:40:46","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/otribunaldaopiniaopublica\/"},"modified":"2026-08-13T14:21:09","modified_gmt":"2026-08-13T12:21:09","slug":"otribunaldaopiniaopublica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/otribunaldaopiniaopublica\/","title":{"rendered":"#otribunaldaopini\u00e3op\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;No in\u00edcio, n\u00e3o me preocupei. No entanto, depois de desligar o telefone, olhei pela janela e entrei em p\u00e2nico. A casa estava cercada por rep\u00f3rteres, caminh\u00f5es de TV, c\u00e2meras e curiosos&#8221;. Assim descreveu Pete Townshend, guitarrista do The Who, compositor e arranjador dos maiores sucessos da banda, na manh\u00e3 de 11 de janeiro de 2003, quando soube que seu nome estava na primeira lista de nomes de cidad\u00e3os brit\u00e2nicos, elaborada pelo FBI e entregue \u00e0s autoridades do Reino Unido para a investiga\u00e7\u00e3o sobre suposto consumo de pornografia infantil. Declarou em sua autobiografia, <em>Who I Am<\/em>, publicada em 2012.<\/p>\n<p>No livro, ele descreve como a investiga\u00e7\u00e3o conduzida entre os anos de 1999 e 2000 para denunciar o fen\u00f4meno que vinha sendo produzido na emergente Internet, o tornou um suspeito durante quatro meses. Embora o caso tenha sido encerrado nesse curto espa\u00e7o de tempo ao provar-se sua inoc\u00eancia depois da an\u00e1lise forense de onze computadores e comprovar seus escritos sobre o assunto e sua colabora\u00e7\u00e3o com ONG para denunciar este flagelo social, ele mesmo reconhece o enorme dano que sua reputa\u00e7\u00e3o e sua causa sofreram.<\/p>\n<p>&#8220;Seria hip\u00f3crita dizer que n\u00e3o fui afetado pela percep\u00e7\u00e3o de que pessoas que n\u00e3o me conhecem e tinham de mim al\u00e9m do que haviam lido nos tabloides sobre a minha pris\u00e3o em 2003 (&#8230;) permane\u00e7o dolorosamente consciente da repercuss\u00e3o que tudo aquilo pode ter causado \u00e0s funda\u00e7\u00f5es com as quais tenho colaborado e nas que me vejo for\u00e7ado a manter um perfil discreto&#8221;.<\/p>\n<blockquote><p>Alguma coisa mudou e n\u00e3o \u00e9 por casualidade que tenha coincidido no tempo com a crise de confian\u00e7a que gestores de nossa sociedade, institui\u00e7\u00f5es e empresas<\/p><\/blockquote>\n<p>Se aquele incidente tivesse acontecido hoje em dia, aquele que foi considerado o roqueiro pioneiro da comunica\u00e7\u00e3o digital \u2013 no seu site, lan\u00e7ado em 1995, Townshend j\u00e1 permitia o download de algumas de suas grava\u00e7\u00f5es e em 1996, ele financiou uma das primeiras r\u00e1dios on-line \u2013, provavelmente teria sido marcado com um estigma maior. Cada pesquisa com seu nome levaria a indel\u00e9veis resultados da not\u00edcia, sobre as den\u00fancias dos internautas e dos \u201c<em>memes<\/em>\u201d com brincadeiras e piadas que acompanham os julgamentos p\u00fablicos da sociedade em rede.<\/p>\n<p><strong>Algo mudou? Ou talvez n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Pessoas an\u00f4nimas com maior influ\u00eancia midi\u00e1tica que os pr\u00f3prios meios, ju\u00edzes conscientes de que a opini\u00e3o p\u00fablica pode influenciar, em certa medida, as decis\u00f5es judiciais, advogados que t\u00eam claro que devem ajudar seus clientes tanto dentro como fora das cortes de Justi\u00e7a&#8230; Alguma coisa mudou e n\u00e3o \u00e9 por casualidade que tenha coincidido no tempo com a crise de confian\u00e7a que os gestores de nossa sociedade, institui\u00e7\u00f5es e empresas est\u00e3o atravessando. E tampouco \u00e9 por acaso que coincida com o maior aumento experimentado por seres humanos em sua capacidade de interligar a outros. Sem d\u00favida, os cidad\u00e3os t\u00eam agora mais capacidade do que nunca para formar a mais amplo corpo de jurados poss\u00edvel: a opini\u00e3o p\u00fablica.<\/p>\n<p>Estamos sendo testemunhas de uma profunda transforma\u00e7\u00e3o na forma como a cidadania tem de compreender e compartilhar o que est\u00e1 acontecendo ao seu redor. Algumas \u00e1reas da vida p\u00fablica, como os pol\u00edticos, h\u00e1 tempos est\u00e3o acostumados ao escrut\u00ednio permanente de suas atividades. Agora, o requisito \u00e9 estendido a qualquer camada da sociedade e se eleva a um n\u00edvel mais elevado, onde a falta de transpar\u00eancia e compromisso de personalidades ou personagens p\u00fablicos provoca uma imediata e ativa reprova\u00e7\u00e3o de um setor importante da sociedade. Tampouco \u00e9 casual que o processo de mudan\u00e7a seja moldado dentro de uma revolu\u00e7\u00e3o que \u00e9 tanto tecnol\u00f3gica quanto de acesso \u00e0s tecnologias. N\u00e3o apenas se t\u00eam desenvolvido uma infinidade de plataformas que intensificam a troca de informa\u00e7\u00f5es e opini\u00f5es, mas tamb\u00e9m, uma profunda democratiza\u00e7\u00e3o tem sido produzida com o uso das mesmas. A capacidade de forma\u00e7\u00e3o de opini\u00e3o p\u00fablica passou dos meios de comunica\u00e7\u00e3o tradicionais \u2013 imprensa, r\u00e1dio e televis\u00e3o \u2013 \u00e0s redes sociais, onde a opini\u00e3o gera interesse quando j\u00e1 se espalhou a informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Coloquemos como exemplo o caso de Dominique Strauss-Kahn, ex-chefe do Fundo Monet\u00e1rio Internacional. Sem d\u00favida, suas imputa\u00e7\u00f5es por suposta tentativa de estupro de uma empregada de um hotel em Nova York, em primeiro lugar, e mais tarde por suposto envolvimento em prostitui\u00e7\u00e3o teriam sido not\u00edcia em qualquer \u00e9poca desde a exist\u00eancia dos meios de comunica\u00e7\u00e3o. No entanto, o que definitivamente jogou Strauss-Kahn ao ass\u00e9dio da opini\u00e3o p\u00fablica foi o uso generalizado das redes sociais para discutir qualquer novo detalhe sobre o andamento do caso. Deram a volta ao mundo fotografias e declara\u00e7\u00f5es das supostas v\u00edtimas, incentivadas pelo clima de desconfian\u00e7a nas institui\u00e7\u00f5es e a insatisfa\u00e7\u00e3o geral com a classe pol\u00edtica. O tribunal foi, sem d\u00favida, o \u00fanico que julgou o pol\u00edtico franc\u00eas.<\/p>\n<p>A outra novidade est\u00e1 na perman\u00eancia das informa\u00e7\u00f5es na internet. A fugacidade das not\u00edcias naqueles anos de &#8220;esquecimento anal\u00f3gico&#8221; que agora parecem t\u00e3o distantes, quando as informa\u00e7\u00f5es publicadas ficavam armazenados em arquivos e na fraca mem\u00f3ria de, talvez, alguns dos leitores, foi relegada pela perman\u00eancia dos dados em plataformas mundiais e pela facilidade e rapidez no acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o as dificuldades apresentadas por essas mudan\u00e7as?<\/strong><\/p>\n<p>Este contexto de mudan\u00e7as na forma\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica p\u00f5e \u00e0 prova alguns dos elementos cl\u00e1ssicos de gest\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o durante um lit\u00edgio.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, devemos destacar o fator temporal. A velocidade em que aparecem coment\u00e1rios foi acelerada e coment\u00e1rios sobre um assunto, o que leva a uma redu\u00e7\u00e3o no tempo de rea\u00e7\u00e3o para gerenciar alguns l\u00edderes de opini\u00e3o cada vez mais heterog\u00eaneos. No entanto, os longos prazos que caracterizam a maioria dos procedimentos jur\u00eddicos s\u00e3o superados pela velocidade com que o &#8220;processo da opini\u00e3o p\u00fablica&#8221; tenta, n\u00e3o sem erros, formar uma opini\u00e3o em algumas poucas horas ou dias sobre um suposto delito.<\/p>\n<p>Este desafio afeta n\u00e3o apenas os judici\u00e1veis, mas est\u00e1 colocando \u00e0 prova a pr\u00f3pria a\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a. Em algumas ocasi\u00f5es pode parecer que os princ\u00edpios e valores que inspiram o Direito n\u00e3o est\u00e3o evoluindo no mesmo ritmo que a forma de pensar da sociedade, o que pode ser evidenciado nas opini\u00f5es expressas nas redes sociais e que n\u00e3o entendem algumas decis\u00f5es judiciais, por mais que estas estejam amparadas em uma perfeita interpreta\u00e7\u00e3o da norma.<\/p>\n<p>O segundo fator, como diz\u00edamos anteriormente, \u00e9 a perman\u00eancia de nossa atividade na Web. Ao definir o foco da opini\u00e3o p\u00fablica sobre uma pessoa imersa em um processo litigioso, toda a sua &#8220;impress\u00e3o digital&#8221; emerge, trazendo para a atualidade o que foi dito sobre isto h\u00e1 anos ou essa infeliz declara\u00e7\u00e3o de que nem sequer recordava que havia sido escrito sobre ela. A este respeito, embora o conjunto de regras contidas no conceito do &#8220;direito ao esquecimento&#8221; tenha evolu\u00eddo, \u00e9 muito dif\u00edcil compensar o efeito de algo que j\u00e1 foi dado conhecimento. O caso do suposto vazamento da lista de usu\u00e1rios da Ashley Madison recentemente provou isso.<\/p>\n<p>O leitor pensar\u00e1 que at\u00e9 agora estas mudan\u00e7as s\u00f3 geraram dificuldades para a gest\u00e3o profissional da reputa\u00e7\u00e3o pessoal e corporativa, mas n\u00e3o \u00e9 exatamente assim. Vamos ver como este novo cen\u00e1rio oferece tamb\u00e9m algumas oportunidades.<\/p>\n<p>Uma vez que tenhamos assumido, com esp\u00edrito esportivo, que as redes sociais s\u00e3o os novos f\u00f3runs, como eram os bares e restaurantes onde se compartilhavam e cruzavam opini\u00f5es populares, mas com a vantagem de que essas conversas podem ser conhecidas, monitoradas e medidas, por que n\u00e3o aproveita-las? Assim o fez a equipe de comunica\u00e7\u00e3o do campe\u00e3o paraol\u00edmpico sul-africano Oscar Pistorius. Visando preparar o julgamento em que o suposto assassinato de sua namorada pelo pr\u00f3prio atleta, e em linha com a estrat\u00e9gia jur\u00eddica previamente estabelecida, abriu-se uma conta no Twitter com o revelador nome de @OscarHardTruth para tentar vencer a batalha que o atleta tamb\u00e9m enfrentava nas redes sociais. Deste modo, Pistorius podia relacionar-se sem intermedi\u00e1rios com os novos criadores e l\u00edderes de opini\u00e3o. A oportunidade \u00e9 clara: no ambiente digital pode-se trabalhar de maneira direta a identidade de uma pessoa ou organiza\u00e7\u00e3o e sua rela\u00e7\u00e3o com o j\u00fari da opini\u00e3o p\u00fablica. O poder dos nossos argumentos e a credibilidade da nossa vers\u00e3o ser\u00e3o, neste momento, os fatores-chave para decantar a opini\u00e3o de um ou outro lado.<\/p>\n<blockquote><p>O desafio consiste em participar desta nova maneira de cria\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica e faz\u00ea-lo de forma compassada ao que acontece dentro da Sala, sempre sob a batuta da dire\u00e7\u00e3o dos advogados<\/p><\/blockquote>\n<p>Ainda assim, n\u00e3o podemos cair na conclus\u00e3o simplista de que o desafio encontra-se unicamente em fornecer as informa\u00e7\u00f5es adequadas atrav\u00e9s das redes sociais. Nem mesmo em entender que o cidad\u00e3o que, no ambiente on-line \u00e0s vezes atua como um especialista em um assunto, \u00e0s vezes como juiz e, \u00e0s vezes, como jornalista. Diante de um processo judicial, a estrat\u00e9gia deve ser global e ter em conta todas as vari\u00e1veis das quais falamos. E isto tamb\u00e9m sup\u00f5e uma nova \u00e1rea de oportunidade para assessores jur\u00eddicos. A necessidade de acompanhamento de um advogado para com seus clientes vai al\u00e9m dos limites da sala, n\u00e3o s\u00f3 pela influ\u00eancia que pode ter o contexto informativo no desfecho do caso, mas porque o cuidado da reputa\u00e7\u00e3o do cliente pode ser convertido em valor agregado que diferencia advogados bem sucedidos neste novo cen\u00e1rio.<\/p>\n<p><strong>Algumas chaves para sobreviver neste novo paradigma<\/strong><\/p>\n<p>A partir da experi\u00eancia vivida em dezenas de casos geridos, propomos algumas chaves que, recorrentemente, se tornaram fator de sucesso para o bom fim de um processo legal, ao menos em termos de prote\u00e7\u00e3o da reputa\u00e7\u00e3o da pessoa ou da companhia protagonista.<\/p>\n<ol>\n<li><strong>Altera a forma, n\u00e3o o conte\u00fado. <\/strong>Ainda que insistamos na profunda transforma\u00e7\u00e3o que sofreu a forma como os pontos de vista dos cidad\u00e3os, com novos estilos, prazos e dispositivos, h\u00e1 algo que n\u00e3o muda. Continua a ser uma equa\u00e7\u00e3o que combina os conte\u00fado com as rela\u00e7\u00f5es, a capacidade de argumenta\u00e7\u00e3o com a conex\u00e3o entre quem explica e quem recebe a explica\u00e7\u00e3o. Segue existindo capacidade para retificar informa\u00e7\u00f5es incorretas, mas com novas formas e meios de contato. Continuamos tendo que manter o relacionamento durante todo tempo que for necess\u00e1rio, tendo a confian\u00e7a m\u00fatua como fundamento. Ou seja, a chave do trabalho segue sendo a: construir uma boa hist\u00f3ria, com argumentos s\u00f3lidos e respostas consistentes e fundamentadas, evitando, na medida do poss\u00edvel, a improvisa\u00e7\u00e3o. E para sermos capazes de desenvolver esta tarefa com compet\u00eancia, \u00e9 vital conjuga-la com a chave que vem a seguir.<\/li>\n<li><strong>A melhor improvisa\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela preparada: preven\u00e7\u00e3o. <\/strong>Se a chave para ganhar um julgamento \u00e9 ter estudado todas as vari\u00e1veis de um caso at\u00e9 o \u00faltimo detalhe, conhecer as partes e saber defende-la perante um juiz, igualmente antecipar-se, identificar<em> stakeholders<\/em>, desenvolver argumentos para cada cen\u00e1rio e detectar at\u00e9 o \u00faltimo risco ser\u00e3o requisitos indispens\u00e1veis para tamb\u00e9m ganhar o julgamento da opini\u00e3o p\u00fablica. Portanto, n\u00e3o podemos nos preocupar com a reputa\u00e7\u00e3o de uma pessoa ou uma companhia somente quando esta est\u00e1 em vias de julgamento, mas construir uma estrutura de prote\u00e7\u00e3o forte muito antes que chegue este momento. O segredo para construir rela\u00e7\u00f5es de confian\u00e7a com outras que podem converter-se em aliados e defensores de nossa atua\u00e7\u00e3o, \u00e9 faz\u00ea-lo com tempo suficiente para se p\u00f4r \u00e0 prova a nossa credibilidade e aumentar a confian\u00e7a. N\u00e3o existem atalhos para se construir amigos.<\/li>\n<li><strong>Capacidade de adapta\u00e7\u00e3o e agilidade na resposta. <\/strong>Recentemente, o sistema judicial come\u00e7ou a fazer esfor\u00e7os para agilizar os tr\u00e2mites e encurtar o tempo de resposta aos cidad\u00e3os. Mas, como dissemos antes, isto n\u00e3o \u00e9 suficiente. \u00c9 uma realidade que o &#8220;j\u00fari da opini\u00e3o p\u00fablica&#8221; atua com uma rapidez muito maior do que os tribunais de Justi\u00e7a, de modo que os tempos s\u00e3o marcados pelas redes sociais, os <em>influencers<\/em> e os meios de comunica\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o podemos ficar para tr\u00e1s. Conhecendo este contexto, aqueles que lidam com o caso, n\u00e3o podem, em nenhum momento, ignorar ou deixar de ter em conta este cen\u00e1rio, mas agir de acordo com as regras de rapidez, imediatismo e perman\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s dos quais se rege o mesmo. Uma resposta \u00e1gil e eficiente \u00e9 condi\u00e7\u00e3o <em>sine qua non<\/em> para continuar jogando o jogo de t\u00eanis que sup\u00f5e a exposi\u00e7\u00e3o p\u00fablica durante um lit\u00edgio.<\/li>\n<\/ol>\n<p>Em conclus\u00e3o, o desafio consiste em participar desta nova maneira de cria\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o p\u00fablica e faz\u00ea-lo de forma compassada ao que acontece dentro da Sala, sempre sob a batuta da dire\u00e7\u00e3o dos advogados. Por isso, \u00e9 t\u00e3o importante que os profissionais de advocacia, que defendem os seus clientes no sentido mais amplo, abordem a gest\u00e3o do problema em todas as suas dimens\u00f5es.<\/p>\n<p>Sempre restar\u00e1 algu\u00e9m que pensa como Nicholas Easter \u2013 interpretado pelo ator John Cusack \u2013 no filme O J\u00fari (2003), e que pretende manipular um julgamento tentando minar o j\u00fari cidad\u00e3o que o comp\u00f5e. No entanto, a hist\u00f3ria mostra que o efeito de incorporar a participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os no j\u00fari \u00e9 precisamente para incluir uma perspectiva menos tecnicista e mais pr\u00f3xima do que acontece na sociedade. O mesmo se aplica \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica no momento em que mais se democratizou a comunica\u00e7\u00e3o. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 mais a possibilidade de que alguns poucos meios ou l\u00edderes de opini\u00e3o dirijam a &#8220;opini\u00e3o p\u00fablica&#8221; \u2013confundida \u00e0s vezes com o &#8220;opini\u00e3o publicada&#8221;. A aldeia global tornou-se maior de idade, e gerencia a cria\u00e7\u00e3o de sua opini\u00e3o como um adulto. Devemos, portanto, trat\u00e1-la como tal e falar o mesmo idioma. \u00c9 poss\u00edvel que as informa\u00e7\u00f5es que recebemos e trocamos seja menos t\u00e9cnica que nunca no aspecto jur\u00eddico, mas tamb\u00e9m \u00e9 mais humana, tanto quanto \u00e9 o novo j\u00fari da opini\u00e3o p\u00fablica. Um j\u00fari que tamb\u00e9m sabe como ganhar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;No in\u00edcio, n\u00e3o me preocupei. No entanto, depois de desligar o telefone, olhei pela janela e entrei em p\u00e2nico. A casa estava cercada por rep\u00f3rteres, caminh\u00f5es de TV, c\u00e2meras e curiosos&#8221;. 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