{"id":474916,"date":"2016-05-19T18:35:43","date_gmt":"2016-05-19T16:35:43","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/preparar-se-para-a-revolucao\/"},"modified":"2026-08-13T14:11:34","modified_gmt":"2026-08-13T12:11:34","slug":"preparar-se-para-a-revolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/preparar-se-para-a-revolucao\/","title":{"rendered":"Preparar-se para a revolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Parece intr\u00ednseco \u00e0 natureza humana observar com receio aquilo que \u00e9 novo, estranho e escapa, a priori, \u00e0 nossa compreens\u00e3o. Rejeitamos quase automaticamente aquilo que classificamos como imposs\u00edvel, quando n\u00e3o somos capazes de controlar os processos de transforma\u00e7\u00e3o envolvidos, e isso, \u00e0s vezes, significa tentar frear o desenvolvimento de uma tend\u00eancia que, mais cedo ou mais tarde, vai ocorrer.<\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil prever com precis\u00e3o e detalhe como vamos ter de nos estruturar, como sociedade, dentro de 15 anos, que par\u00e2metros prevalecer\u00e3o, de que maneira os modelos produtivos v\u00e3o mudar ou, at\u00e9 mesmo, que compet\u00eancias teremos de adquirir como indiv\u00edduos para ser capazes de enfrentar o futuro. O que est\u00e1 claro e facilmente decifr\u00e1vel \u00e9 que a tecnologia vai desempenhar um papel fundamental nessa mudan\u00e7a, e n\u00f3s, como sociedade, teremos de decidir como queremos viver com isso e de que maneira vamos querer nos adaptar \u00e0s mudan\u00e7as que v\u00e3o surgir.<\/p>\n<blockquote><p>Em nossa cultura, continuamos, erroneamente, estigmatizando o n\u00e3o acerto, sendo o fracasso uma das melhores maneiras de aprender a melhorar e a ser mais eficiente, dois pilares fundamentais do progresso: evoluir o que j\u00e1 existe e oferecer melhores alternativas<\/p><\/blockquote>\n<p>Um ponto-chave desse processo de transforma\u00e7\u00e3o e sobre o qual devemos nos deter com especial aten\u00e7\u00e3o \u00e9 sobre <strong>a<\/strong> <strong>educa\u00e7\u00e3o <\/strong>e a aquisi\u00e7\u00e3o de conhecimentos e habilidades. Reciclar aquilo que sabemos e aprender o que desconhecemos sem medo da experimenta\u00e7\u00e3o, embora possamos encontrar um fracasso por tr\u00e1s de nosso esfor\u00e7o. Em nossa cultura, continuamos, erroneamente, estigmatizando o n\u00e3o acerto, sendo o fracasso uma das melhores maneiras de aprender a melhorar e a ser mais eficiente, dois pilares fundamentais do progresso: evoluir o que j\u00e1 existe e oferecer melhores alternativas.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio <em>The Skills Manifesto<\/em><a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, patrocinado pela Uni\u00e3o Europeia, reconhece que a demanda por trabalhadores com boas habilidades digitais dobrou desde 1995. Hoje, um em cada cinco trabalhadores precisa de habilidades avan\u00e7adas relacionadas \u00e0 tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e 90% necessitam conhecer fun\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m oferece o marcante dado de que, em 2020, cerca de 1 milh\u00e3o de empregos ser\u00e3o deixados vagos porque n\u00e3o existem candidatos com as compet\u00eancias digitais necess\u00e1rias.<\/p>\n<p>Se olharmos, al\u00e9m disso, para as profiss\u00f5es que se espera sejam mais demandadas nos pr\u00f3ximos anos, nos deparamos com dados t\u00e3o interessantes como os que apontam, de acordo com o Observat\u00f3rio do Emprego na Era Digital, que 8 em cada 10 jovens entre 20 e 30 anos encontrar\u00e3o um emprego na \u00e1rea digital em trabalhos que ainda n\u00e3o existem. Algumas das profiss\u00f5es mais procuradas s\u00e3o: engenheiro smart factory, especialista em inova\u00e7\u00e3o digital, especialista em big data, arquiteto especialista em smart cities ou diretor de conte\u00fados digitais.<\/p>\n<p>Somado a isso, de acordo com a fundadora de empresas de tecnologia, Ametic, entre 2013 e 2017, o n\u00famero de postos de trabalho nas TIC deveria ter aumentado em 300 mil postos com pol\u00edticas de apoio adequadas. Ainda se prev\u00ea a necessidade de at\u00e9 50 mil programadores e desenvolvedores, entre 60 mil e 70 mil postos de trabalho em marketing e comunica\u00e7\u00e3o e at\u00e9 45 mil postos de trabalho relacionados ao design visual e \u00e0 criatividade digital.<\/p>\n<p>Diante desses n\u00fameros, que provavelmente seguir\u00e3o aumentando a cada ano, devemos nos perguntar se e como a sociedade est\u00e1 evoluindo em dire\u00e7\u00e3o a um sistema educacional que d\u00ea respostas aos desafios que surgir\u00e3o no futuro, ou, do contr\u00e1rio, permanecer\u00e1 ancorada em um modelo que continua respondendo unicamente ao passado e ao presente. A partir do Google, diante do elevado desemprego dos jovens e ap\u00f3s analisar a falta de conhecimento em conhecimentos digitais, decidimos lan\u00e7ar o Act\u00edvate, um projeto que tem como objetivo a forma\u00e7\u00e3o, por meio de cursos online e presenciais, em habilidades como o marketing digital, o cloud computing, o desenvolvimento de aplica\u00e7\u00f5es etc. Em dois anos, mais de 400 mil pessoas foram inscritas e outras 100 mil certificadas.<\/p>\n<p>Mas a educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o evolui apenas do ponto de vista das profiss\u00f5es do futuro, mas tamb\u00e9m <strong>gra\u00e7as \u00e0 conectividade<\/strong> <strong>e como consequ\u00eancia da interconectividade<\/strong>. Cada vez, somos mais os milh\u00f5es de pessoas que t\u00eam acesso \u00e0 internet, no momento em que o n\u00famero ascende para mais de 3 bilh\u00f5es no mundo, mas quando h\u00e1 mais 4 bilh\u00f5es por acessar a rede.<\/p>\n<p>A conectividade \u00e9 um desafio indiscut\u00edvel sobre o qual muitas empresas de tecnologia est\u00e3o trabalhando. No caso do Google, por exemplo, o <strong>Projeto Loon<\/strong> (uma iniciativa baseada em uma rede de bal\u00f5es que viajam em grande altitude, na fronteira com o espa\u00e7o. Ao consolidarmos parcerias com empresas de telecomunica\u00e7\u00f5es para compartilhar o espectro celular, permitimos que pessoas se conectem diretamente \u00e0 rede diretamente a partir de seus telefones celulares e outros dispositivos). Essa iniciativa pretende conectar pessoas que vivem em \u00e1reas remotas ou rurais, alcan\u00e7ando regi\u00f5es com cobertura deficiente, criando a possibilidade de os usu\u00e1rios se conectarem \u00e0 rede ap\u00f3s um desastre.<\/p>\n<p>Mas o fato de que as pessoas est\u00e3o n\u00e3o apenas conectadas, mas tamb\u00e9m interconectadas, nos revela um mundo imenso de possibilidades. O acesso ao conhecimento, \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, aos recursos de forma quase instant\u00e2nea permite que n\u00f3s, usu\u00e1rios, tenhamos a capacidade de descobrir, de tomar melhores decis\u00f5es, de partilhar e de criar. Um avan\u00e7o modifica n\u00e3o apenas as interconex\u00f5es entre os indiv\u00edduos, mas tamb\u00e9m entre outros cen\u00e1rios, como o da conectividade de coisas. Quem imaginaria que s\u00f3 para este ano, de acordo com previs\u00f5es da Gartner, se projetam 6.400 milh\u00f5es de dispositivos conectados (30% a mais que no ano passado) e a Internet das Coisas movimentar\u00e1 mais de \u20ac 1 bilh\u00e3o, em 2019?<\/p>\n<blockquote><p>O acesso ao conhecimento, \u00e0 informa\u00e7\u00e3o, aos recursos de forma quase instant\u00e2nea permite que n\u00f3s, usu\u00e1rios, tenhamos a capacidade de descobrir, de tomar melhores decis\u00f5es, de partilhar e de criar<\/p><\/blockquote>\n<p>E diretamente ligado a esse fen\u00f4meno, n\u00e3o devemos nos esquecer do entorno m\u00f3vel, ator principal que se transformou no centro da vida dos usu\u00e1rios e, \u00e9 l\u00f3gico, ser\u00e1 incorporado, gradualmente, na estrat\u00e9gia das empresas. De acordo com um relat\u00f3rio formulado pela Ditrendia sobre o uso dos dispositivos m\u00f3veis na Espanha e no mundo, em menos de quatro anos, o e-commerce ocupar\u00e1 quase 50% das compras eletr\u00f4nicas em n\u00edvel mundial; em dez anos, as vendas de 42% das lojas de varejo partir\u00e3o de um dispositivo m\u00f3vel e, em 2020, os smartphones ser\u00e3o respons\u00e1veis por 80% do mercado dos servi\u00e7os banc\u00e1rios m\u00f3veis.<\/p>\n<p>No entanto, embora essas tend\u00eancias sejam incontrol\u00e1veis e se propiciem grandes oportunidades, ainda temos alguns obst\u00e1culos a superar, um deles, a regula\u00e7\u00e3o e sua adapta\u00e7\u00e3o ao novo ambiente digital. S\u00f3 na Uni\u00e3o Europeia, existem 28 diferentes regula\u00e7\u00f5es que as empresas t\u00eam de enfrentar se quiserem alcan\u00e7ar um mercado de 500 milh\u00f5es de potenciais usu\u00e1rios. O Mercado \u00danico Digital poderia contribuir com \u20ac 415 bilh\u00f5es \u00e0 economia, fortalecendo empregos, permitindo maior concorr\u00eancia, o investimento e a inova\u00e7\u00e3o, oferecendo, al\u00e9m disso, mais possibilidades aos usu\u00e1rios e facilitando para pequenas e m\u00e9dias empresas, em conjunto com as startups<em>,<\/em> maior e exponencial crescimento.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o que se coloca, portanto, \u00e9 quais s\u00e3o os passos que temos de seguir como sociedade para aproveitar, ao m\u00e1ximo, todas as oportunidades que a tecnologia pode nos oferecer. Trata-se de uma revolu\u00e7\u00e3o que n\u00e3o vai frear seu ritmo cada vez mais vertiginoso, com o que devemos nos perguntar: vamos acompanh\u00e1-lo? E, se \u00e9 assim, come\u00e7amos a nos preparar para nos converter em uma sociedade mais avan\u00e7ada e competitiva para o futuro que nos espera? Esperamos que a resposta seja sim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Parece intr\u00ednseco \u00e0 natureza humana observar com receio aquilo que \u00e9 novo, estranho e escapa, a priori, \u00e0 nossa compreens\u00e3o. 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