{"id":475672,"date":"2019-11-21T08:53:22","date_gmt":"2019-11-21T07:53:22","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/estrategia-e-tecnologia-na-transformacao-digital\/"},"modified":"2019-11-20T16:20:48","modified_gmt":"2019-11-20T15:20:48","slug":"estrategia-e-tecnologia-na-transformacao-digital","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/estrategia-e-tecnologia-na-transformacao-digital\/","title":{"rendered":"Estrat\u00e9gia e tecnologia na transforma\u00e7\u00e3o digital"},"content":{"rendered":"<p>No dia 19 de abril de 1965, Gordon E. Moore publicou um artigo na revista Electronics em que antecipava uma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, que estava a chegar. Nesse artigo, assegurava que a ind\u00fastria estava preparada para duplicar o n\u00famero de transistores que poderia conter um microprocessador cada ano, ao mesmo tempo que se iriam reduzindo os custos de fabrica\u00e7\u00e3o dos mesmos. Considerava que haveria um percurso para 10 anos, como m\u00ednimo. Pouco depois, co-fundaria Intel Corporation, o maior fabricante de circuitos integrados a n\u00edvel mundial, e dos processadores com maior \u00edndice de penetra\u00e7\u00e3o no mercado dos computadores pessoais atual. Aquela que se conhece hoje como \u201cLei de Moore\u201d, foi revista pelo pr\u00f3prio autor para alargar o prazo de duplica\u00e7\u00e3o da capacidade para dois anos. At\u00e9 \u00e0 data, mais de 50 anos depois, esta previs\u00e3o continua a manter-se.<\/p>\n<p>O aumento cont\u00ednuo da capacidade de processamento e a redu\u00e7\u00e3o dos custos de produ\u00e7\u00e3o que Moore vaticinou est\u00e3o na origem do fato de que, na nossa vida quotidiana, e de forma silenciosa, estejamos a mudar costumes t\u00e3o enraizados como o de nos sentarmos com a fam\u00edlia a ver televis\u00e3o, ir ao quiosque comprar o jornal ou sintonizar o r\u00e1dio para ouvir as not\u00edcias, para passarmos a ver s\u00e9ries nos nossos <em>tablets <\/em>ou celulares quando dispomos de um momento, ler as not\u00edcias nos mesmos dispositivos, ou escut\u00e1-las atrav\u00e9s do mesmo altifalante inteligente a que perguntamos se vamos necessitar um guarda-chuva nesse dia, ao qual pedimos que ligue o aquecimento uma hora antes de chegarmos a casa e que, por favor, apague as luzes antes de fecharmos a porta ao sair de casa.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Devemos assegurar-nos de alinhar a transforma\u00e7\u00e3o com o neg\u00f3cio&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Como n\u00e3o podia ser de outra maneira, o desenvolvimento tecnol\u00f3gico, que permite que possamos desfrutar de todos estes avan\u00e7os nas nossas casas, foi-se incorporando previamente \u00e0s nossas empresas e, se olharmos para tr\u00e1s, veremos como as ferramentas que nos acompanham no nosso trabalho foram evoluindo de maneira not\u00e1vel.<\/p>\n<p>Mas embora a incorpora\u00e7\u00e3o dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos \u00e0 empresa se venha produzindo de maneira natural ao longo do tempo, algo est\u00e1 a mudar nos \u00faltimos anos. A apari\u00e7\u00e3o de novos modelos de neg\u00f3cio est\u00e1 a provocar mudan\u00e7as profundas nas diferentes ind\u00fastrias, em que companhias jovens est\u00e3o a aproveitar a evolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica para criar novos modelos, que as levam a converter-se rapidamente em gigantes de setores at\u00e9 h\u00e1 pouco dominados por companhias consolidadas como l\u00edderes dos seus respetivos nichos. Algo que, em alguns meios, se come\u00e7a a conhecer como a quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial.<\/p>\n<p>O resultado natural deste movimento faz com que a transforma\u00e7\u00e3o digital dos neg\u00f3cios ocupe cada vez mais tempo na mente dos nossos CEO e diretivos. Segundo v\u00e1rios estudos, a transforma\u00e7\u00e3o digital converteu-se numa das principais preocupa\u00e7\u00f5es das companhias em 2019, e o investimento em projetos de transforma\u00e7\u00e3o digital aumenta cada ano. Tanto as vantagens de aproveitar esta transforma\u00e7\u00e3o, como os riscos de deixar passar a oportunidade de faz\u00ea-lo est\u00e3o perfeitamente identificados.<\/p>\n<p>Mas quando se trata de enfrentar estes projetos que ajudem \u00e0 convers\u00e3o digital de uma organiza\u00e7\u00e3o, a passar a um modelo de companhia que utilize a tecnologia e os dados para evoluir continuamente em todos os aspetos dos seus processos de neg\u00f3cio, nos encontramos com um \u00edndice de fracasso demasiado alto. Embora tr\u00eas de cada quatro companhias analisadas num estudo de Forrester afirmem ter levado a cabo completamente, ou estarem imersas em projetos de transforma\u00e7\u00e3o digital das suas organiza\u00e7\u00f5es, existem indicadores que reconhecem que 80 % dessas iniciativas fracassam, ou sofrem grandes atrasos que n\u00e3o lhes permitem ver um horizonte claro na sua aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Identificar a tecnologia necess\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 um problema. Organiza\u00e7\u00f5es como Gartner marcam o caminho a seguir, identificando cada ano no relat\u00f3rio \u201cStrategic technology Trends\u201d, de forma invari\u00e1vel, as tend\u00eancias tecnol\u00f3gicas estrat\u00e9gicas que afetar\u00e3o e transformar\u00e3o os diferentes setores de atividade econ\u00f3mica, e dispomos de um bom n\u00famero de estudos que identificam as tecnologias que est\u00e3o a transformar cada setor de atividade, e que nos ajudam a escolher as mesmas.<\/p>\n<p>Provavelmente, o primeiro dos problemas \u00e9 precisamente pensar que a transforma\u00e7\u00e3o digital consiste simplesmente em aplicar determinadas tecnologias, identificadas nessas tend\u00eancias, ao nosso neg\u00f3cio, sem um fim claro que permita gerar um impacto real sobre o pr\u00f3prio neg\u00f3cio. Devemos assegurar-nos de alinhar a transforma\u00e7\u00e3o com o neg\u00f3cio. Pondo o foco exclusivamente na implanta\u00e7\u00e3o da tecnologia como um fim em si mesmo, corremos o risco de converter a nossa iniciativa num mero projeto de moderniza\u00e7\u00e3o da infraestrutura tecnol\u00f3gica, deixando de lado os nossos processos de neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Transformar digitalmente uma organiza\u00e7\u00e3o implica adotar pr\u00e1ticas e processos de neg\u00f3cio que ajudem a organiza\u00e7\u00e3o a competir eficazmente num mundo cada vez mais digital. Alcan\u00e7ar a maturidade digital passa por integrar a tecnologia nas \u00e1reas do neg\u00f3cio, mudando a forma de operar e de proporcionar valor ao cliente, mas, sobretudo, significa uma mudan\u00e7a cultural, que requer que as organiza\u00e7\u00f5es desafiem continuamente a ordem estabelecida, experimentem e se sintam c\u00f3modas com o fracasso.<\/p>\n<p>Para enfrentar esta mudan\u00e7a cultural \u00e9 fundamental impulsar a iniciativa transformadora na organiza\u00e7\u00e3o de cima para baixo, partindo do CEO para i-la transladando \u00e0s capas inferiores da organiza\u00e7\u00e3o. Para alcan\u00e7ar a madureza digital nas organiza\u00e7\u00f5es \u00e9 necess\u00e1rio modificar a mentalidade dos seus membros, os processos e a cultura organizacional, para depois decidir que ferramentas utilizar e como faz\u00ea-lo. Deve ser a estrat\u00e9gia que impulse a tecnologia, e n\u00e3o o contr\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 19 de abril de 1965, Gordon E. Moore publicou um artigo na revista Electronics em que antecipava uma revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica, que estava a chegar. 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