{"id":475735,"date":"2020-07-23T09:33:56","date_gmt":"2020-07-23T07:33:56","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/uno-1-entrevista-de-jose-antonio-llorente-a-antonio-huertas-2\/"},"modified":"2026-08-13T13:45:32","modified_gmt":"2026-08-13T11:45:32","slug":"uno-1-entrevista-de-jose-antonio-llorente-a-antonio-huertas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/uno-1-entrevista-de-jose-antonio-llorente-a-antonio-huertas\/","title":{"rendered":"UNO + 1 Entrevista de Jos\u00e9 Antonio Llorente a Antonio Huertas"},"content":{"rendered":"<p>P. <strong>Alguns especialistas consideram que a pandemia que sofremos e estamos sofrendo colocou os l\u00edderes das organiza\u00e7\u00f5es \u00e0 prova, e at\u00e9 fala-se do surgimento de novas lideran\u00e7as. O que voc\u00ea acha disso?<\/strong><\/p>\n<p>R. A pandemia nos testou a todos. Cada um, a partir de suas respectivas responsabilidades, teve que trocar o chip da noite para o dia e se adaptar a uma situa\u00e7\u00e3o nova e inesperada. Como se costuma dizer no Vale do Sil\u00edcio, as empresas tiveram que construir o avi\u00e3o no meio do voo. A nova lideran\u00e7a n\u00e3o surgiu com a pandemia, mas \u00e9 verdade que as tend\u00eancias que j\u00e1 estavam em andamento se aceleraram, como a tomada de decis\u00f5es horizontais ou a transi\u00e7\u00e3o de uma vis\u00e3o mais focada em processos para outra mais focada nos resultados.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m houve um esfor\u00e7o extra de comunica\u00e7\u00e3o, dentro e fora, para explicar tudo o que est\u00e1vamos fazendo. Um an\u00fancio do Financial Times diz: \u201cCrises criam reputa\u00e7\u00f5es\u201d, algo com o qual concordo plenamente.<\/p>\n<p>Eu mesmo acabei montando um pequeno est\u00fadio de grava\u00e7\u00e3o em minha casa para conectar e gravar os v\u00eddeos que publicamos posteriormente em diferentes canais, entre outros, minha consulta semanal atrav\u00e9s das redes sociais para deixar uma mensagem positiva toda sexta-feira diante da pandemia, um compromisso que felizmente agora posso fazer quinzenalmente porque a urg\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o a pandemia, diminuiu. Al\u00e9m disso, para citar outro exemplo, a cada 15 ou 20 dias, respondemos \u00e0s perguntas que os funcion\u00e1rios nos fizeram de qualquer lugar do mundo, em um esquema chamado ask MAPFRE.<\/p>\n<p>P. <strong>Como foi sua experi\u00eancia pessoal no comando da MAPFRE? Como voc\u00ea lidou com a crise como gerente? Quais foram os aprendizados?<\/strong><\/p>\n<p>R. N\u00f3s t\u00ednhamos claras as tr\u00eas prioridades: proteger os funcion\u00e1rios e clientes, proteger os neg\u00f3cios e ajudar a sociedade. Inclu\u00edmos uma pandemia como mais um caso no Manual de Crise e Continuidade de Neg\u00f3cios e, embora nunca tiv\u00e9ssemos aplicado na vida real at\u00e9 agora, sim que estava inclu\u00edda nos cen\u00e1rios de estresse do Solvency II aos quais somos submetidos periodicamente pelo supervisor, e n\u00f3s os superamos.<\/p>\n<p>Com essa prioridade, em apenas alguns dias t\u00ednhamos 30.000 funcion\u00e1rios, mais de 90%, trabalhando a partir de suas casas em todo o mundo, algo impens\u00e1vel at\u00e9 agora. E conseguimos manter o servi\u00e7o sem interrup\u00e7\u00f5es. Atualmente, recebemos mensagens de muitos funcion\u00e1rios e clientes, apreciando o cuidado que tomamos para nos proteger e a enorme sensibilidade que mostramos nessas semanas para ajudar aqueles que precisam de n\u00f3s. Este \u00e9 agora o nosso melhor cart\u00e3o de visita, a reputa\u00e7\u00e3o da empresa, porque a outra parte da confian\u00e7a, a qualidade do servi\u00e7o que prestamos, j\u00e1 fazia parte dos nossos atributos mais apreciados e mostramos que conseguimos mant\u00ea-lo mesmo nesses momentos complicados.<\/p>\n<p>P. <strong>Das a\u00e7\u00f5es implementadas para enfrentar a crise, de quais voc\u00ea mais se orgulha?<\/strong><\/p>\n<p>R. Sentir-se orgulhoso como ser humano de algo com centenas de milhares de mortes no mundo \u00e9 dif\u00edcil, porque o que eu realmente teria gostado \u00e9 que n\u00e3o tiv\u00e9ssemos que sofrer essa terr\u00edvel pandemia que nos sai t\u00e3o cara em termos de vidas humanas e recess\u00e3o econ\u00f4mica na maioria dos pa\u00edses. Mas, sim como respons\u00e1vel pela MAPFRE, tenho orgulho de todos e individualmente cada um dos funcion\u00e1rios e profissionais da MAPFRE, que manifestaram seu compromisso com a empresa, com nossos clientes e com nossos valores, e que superaram o desafio apesar das dificuldades que enfrentamos. Especialmente de todos aqueles que, al\u00e9m de tudo, superaram seus pr\u00f3prios medos, estando pr\u00f3ximos de clientes reparando uma emerg\u00eancia, apesar do pr\u00f3prio cliente poder estar infectado, como aconteceu em muitos casos. Obviamente, esse trabalho de consertar um oleoduto ou reparar uma queda de energia em uma casa com doentes, foi realizado com medidas extremas de preven\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A MAPFRE \u00e9 uma empresa comprometida, temos uma sensibilidade em rela\u00e7\u00e3o ao social que se reflete em tudo o que fazemos. Isso nos levou a mobilizar mais de 200 milh\u00f5es de euros com v\u00e1rias medidas que foram muito relevantes, destinadas a ajudar clientes, fornecedores e PMEs e aut\u00f4nomos a superar um longo per\u00edodo de confinamento e retomar a atividade agora que \u00e9 poss\u00edvel novamente. Al\u00e9m disso, a Funda\u00e7\u00e3o MAPFRE organizou em apenas duas semanas a maior campanha social de sua hist\u00f3ria em seus 45 anos de vida. A funda\u00e7\u00e3o est\u00e1 doando mais de 35 milh\u00f5es de euros para que pessoas de quase 30 pa\u00edses tenham acesso a materiais m\u00e9dicos e de sa\u00fade, medidas de prote\u00e7\u00e3o ao emprego, protejam a inclus\u00e3o social e promovam pesquisas sobre a vacina esperada contra esse v\u00edrus. Como exemplo deste \u00faltimo, destacar que h\u00e1 150 pesquisadores de primeira linha trabalhando para o CSIC em doze linhas de pesquisa, gra\u00e7as aos 5 milh\u00f5es doados pela Fundaci\u00f3n MAPFRE.<\/p>\n<p>Eu tamb\u00e9m acho not\u00e1vel, porque \u00e9 um exemplo de inova\u00e7\u00e3o em colabora\u00e7\u00e3o p\u00fablico-privada para um objetivo de compromisso social, o fundo MAPFRE Compromiso Sanitario, com o qual financiamos o fortalecimento da sa\u00fade em Madrid com 50 milh\u00f5es de euros para combater a Covid 19. Esse tipo de medidas marcam o caminho que pode ser feito no futuro para avan\u00e7armos juntos na reconstru\u00e7\u00e3o da economia.<\/p>\n<p>P. <strong>Parece que as marcas que est\u00e3o emergindo refor\u00e7adas com essa crise s\u00e3o as que deram um passo \u00e0 frente e refor\u00e7aram seu compromisso com a sociedade. De fato, considera-se que a crise promoveu o chamado \u201cativismo de marca ou corporativo\u201d, o que voc\u00ea acha?<\/strong><\/p>\n<p>R. No nosso caso, o que a pandemia fez foi cristalizar um compromisso que na MAPFRE vem de s\u00e9rie. Por j\u00e1 sermos uma empresa social, n\u00e3o concebemos o neg\u00f3cio exclusivamente como busca de benef\u00edcio financeiro. As empresas fazem parte do tecido social e devemos contribuir para o bem-estar das sociedades em que estamos enraizados, \u00e9 assim que o vemos e como o vivemos. Mas n\u00e3o estou dizendo isso porque \u00e9 uma moda passageira, ou porque a Business Roundtable dos CEOs mais influentes dos EUA a exp\u00f4s alguns ver\u00f5es atr\u00e1s, mas porque est\u00e1 no DNA da MAPFRE: assumimos a responsabilidade social corporativa pela primeira vez em nossos estatutos em julho de 1965.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, e digo isso para convidar \u00e0 reflex\u00e3o, os consumidores sabem cada vez mais como diferenciar empresas que fazem marketing social daquelas realmente comprometidas.<\/p>\n<p>P. <strong>Estamos conversando sobre transforma\u00e7\u00e3o digital h\u00e1 algum tempo, sem que finalmente se estabele\u00e7a em nossa sociedade. Voc\u00ea considera que a crise foi o acelerador definitivo para sua implementa\u00e7\u00e3o, tendo em vista o funcionamento do teletrabalho, das transa\u00e7\u00f5es on-line, etc.?<\/strong><\/p>\n<p>R. Nestes tempos, h\u00e1 muitas reflex\u00f5es sobre o futuro do trabalho, novas tecnologias, robotiza\u00e7\u00e3o, intelig\u00eancia artificial, etc. Estou convencido de que essa crise ir\u00e1 acelerar em v\u00e1rios anos as realidades tecnol\u00f3gicas que pens\u00e1vamos ainda n\u00e3o estarem maduras para sua implementa\u00e7\u00e3o maci\u00e7a, e essa experi\u00eancia nos mostrou que est\u00e3o mais do que pens\u00e1vamos. Mas vamos ser honestos, o que experimentamos com centenas de milhares de pessoas trabalhando a partir de casa, cuidando simultaneamente de crian\u00e7as, em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias, em muitos casos com produtividade um tanto artificial&#8230; isso diz muito sobre aqueles que tentaram, mas n\u00e3o \u00e9 o trabalho remoto que est\u00e1vamos procurando e que precisamos para avan\u00e7ar como sociedade. Foi uma solu\u00e7\u00e3o urgente para uma situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia, mas n\u00e3o foi uma solu\u00e7\u00e3o ideal. Al\u00e9m disso, faltava algo essencial: o componente humano. Se a cadeia de rela\u00e7\u00f5es de trabalho \u00e9 simplificada ao m\u00e1ximo gra\u00e7as \u00e0 tecnologia, reduzimos o valor da cadeia e eliminamos aspectos n\u00e3o materiais que s\u00e3o transcendentes e diferenciais entre as empresas. E a\u00ed o teletrabalho n\u00e3o alcan\u00e7a. Para gerar \u201cvalor social\u201d, precisamos gerar valor social na empresa, e isso \u00e9 conseguido humanizando mais a empresa, e n\u00e3o \u201cempresariando\u201d mais a casa.<\/p>\n<p>Entramos em um est\u00e1gio de nossa sociedade em que precisamos redefinir o modelo que queremos, alguns falam de um novo contrato social no qual colocamos em pr\u00e1tica os aspectos que nos cercam, com a prioriza\u00e7\u00e3o que queremos. O dilema, portanto, n\u00e3o pode girar em torno do conceito de teletrabalho, da maneira como essa pandemia nos for\u00e7ou, mas sim se queremos ou n\u00e3o fazer uma reflex\u00e3o mais profunda sobre nosso modelo social e aproveitar para a pessoa o que a tecnologia faz poss\u00edvel, incluindo sua capacidade de criar valor para o conjunto atrav\u00e9s de sua contribui\u00e7\u00e3o individual no \u00e2mbito do trabalho.<\/p>\n<p>P. <strong>Agora, entrando no que chamamos de \u201co novo normal\u201d, quais ser\u00e3o as chaves que os gerentes devem levar em considera\u00e7\u00e3o nesse est\u00e1gio?<\/strong><\/p>\n<p>R. Certamente, a melhor li\u00e7\u00e3o \u00e9 que temos que colocar prioridades reais em seu verdadeiro lugar, a partir da centralidade das pessoas e do meio ambiente. Nosso desempenho continuar\u00e1 inspirado nos mesmos tr\u00eas princ\u00edpios que nos guiaram desde o primeiro dia: proteger pessoas, funcion\u00e1rios, colaboradores e clientes, proteger os neg\u00f3cios, mantendo o servi\u00e7o aos nossos clientes que sabem que a MAPFRE nunca falhar\u00e1 com eles e ajudar as sociedades, em todas as nas quais estamos, a superar essa terr\u00edvel pandemia e seus efeitos econ\u00f4micos associados.<\/p>\n<p>Quero aqui mencionar expressamente a Ibero-Am\u00e9rica, regi\u00e3o essencial para entender a MAPFRE hoje e na qual, na maioria de seus pa\u00edses, trabalhamos e investimos em seu desenvolvimento econ\u00f4mico e social h\u00e1 d\u00e9cadas. Na Europa, pensamos que a pandemia j\u00e1 passou, o que n\u00e3o \u00e9 verdade, mas vivemos a realidade do v\u00edrus todos os dias na Am\u00e9rica Latina, que vive essas semanas com muita dor a perda de vidas humanas em muitas ocasi\u00f5es, porque carecem de recursos suficientes para atender a todos os que se contagiam. Por esse motivo, a maioria dos 35 milh\u00f5es de euros da Funda\u00e7\u00e3o MAPFRE est\u00e1 indo para l\u00e1, convertida em material m\u00e9dico na maioria dos casos com o objetivo de proteger seus profissionais de sa\u00fade e aumentar a probabilidade de cura dos infectados.<\/p>\n<p>A MAPFRE \u00e9 a Ibero-Am\u00e9rica e suas empresas esperam dos espanh\u00f3is e de suas empresas que estejamos especialmente pr\u00f3ximos agora que eles mais precisam de n\u00f3s. J\u00e1 falei por outros canais e repito nesta entrevista: Somos a MAPFRE e a Ibero-Am\u00e9rica tamb\u00e9m \u00e9 a nossa realidade, continuaremos l\u00e1 para ajudar a sair da crise da sa\u00fade e para recuperar a atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>P. <strong>Fala-se de uma nova normalidade na qual ser\u00e1 dada maior import\u00e2ncia a quest\u00f5es relacionadas ao bem-estar, seguran\u00e7a, confian\u00e7a, atendimento aos idosos&#8230; tudo isso est\u00e1 intimamente relacionado ao setor de seguros, que mudan\u00e7as voc\u00ea acha que esse deveria ser adotar para se adaptar ao novo contexto?<\/strong><\/p>\n<p>R. Realmente, se algo revelou esta crise, \u00e9 que a sa\u00fade \u00e9 realmente importante. O setor de seguros j\u00e1 desempenha um papel determinante nessa tarefa. A colabora\u00e7\u00e3o do seguro privado com a sa\u00fade p\u00fablica durante esses meses tem sido exemplar, e insisto novamente, que o caminho da colabora\u00e7\u00e3o p\u00fablico-privada \u00e9 talvez o caminho que devemos explorar cada vez mais como uma solu\u00e7\u00e3o de pa\u00eds a longo prazo, e n\u00e3o apenas pensar na sa\u00fade, mas como um modelo saud\u00e1vel para o futuro de uma sociedade moderna, na qual os esfor\u00e7os s\u00e3o compartilhados entre todos aqueles que podem contribuir para a solu\u00e7\u00e3o. Vamos pensar no grave problema das aposentadorias: todos os pa\u00edses t\u00eam dificuldades em atend\u00ea-las porque o problema de origem \u00e9 comum: a aben\u00e7oada longevidade crescente. Por esse motivo, todos confiam a renda futura de seus idosos a duas ou tr\u00eas fontes: p\u00fablica, que gerou economia ao longo de sua vida profissional e, para quem pode, uma terceira pens\u00e3o gerada pela economia individual de indiv\u00edduos. Na Espanha, temos um problema de sustentabilidade do modelo na medida em que, em termos de seus valores atuais, \u00e9 muito grave. Concentrar mais de 95% do esfor\u00e7o para poder pagar futuras aposentadorias por um \u00fanico lado, o p\u00fablico, vai significar, se n\u00e3o houver mudan\u00e7as, que nossos novos aposentados nos pr\u00f3ximos anos ver\u00e3o seu poder de compra significativamente limitado. Por esse motivo, \u00e9 essencial conciliar as poupan\u00e7as p\u00fablicas e privadas e, nisso, o seguro \u00e9 essencial para garantir o futuro econ\u00f4mico das pessoas.<\/p>\n<p>P. <strong>Sem d\u00favida, est\u00e3o chegando momentos muito complicados, com a incerteza de um poss\u00edvel surto, a grave crise econ\u00f4mica&#8230; Como voc\u00ea acha que ser\u00e1 a evolu\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses? Voc\u00ea \u00e9 otimista sobre como ser\u00e1 a recupera\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>R. Estamos diante de uma crise de dimens\u00f5es desconhecidas e, sem d\u00favida, h\u00e1 tempos dif\u00edceis pela frente. Estou especialmente preocupado com o emprego, porque \u00e9 a ess\u00eancia do desenvolvimento, um subs\u00eddio atende a uma necessidade urgente, mas um emprego est\u00e1vel e de qualidade fornece uma base para a constru\u00e7\u00e3o de um futuro. E no emprego, e j\u00e1 disse isso ocasionalmente, estou preocupado com uma gera\u00e7\u00e3o duplamente punida pela crise atual e pela de 2008: os millennials. A crise anterior os expulsou abruptamente do mercado de trabalho, e eles sofriam as consequ\u00eancias da crise h\u00e1 10 anos em termos de maiores dificuldades em retornar ao mercado de trabalho, extremamente prec\u00e1rias devido \u00e0 natureza tempor\u00e1ria do nosso modelo de trabalho e arrastando sal\u00e1rios mais baixos em compara\u00e7\u00e3o com gera\u00e7\u00f5es anteriores. Agora eles voltaram a ser os primeiros a deixar o mercado, exatamente quando deveriam estar se preparando em empresas e institui\u00e7\u00f5es para substituir a lideran\u00e7a da gera\u00e7\u00e3o anterior. Os mais preparados ter\u00e3o mais oportunidades novamente, mas aqueles que n\u00e3o forem suficientemente qualificados sofrer\u00e3o muito se n\u00e3o desenvolvermos planos especiais para ajud\u00e1-los.<\/p>\n<p>P. <strong>De uma maneira mais pessoal, como voc\u00ea passou o confinamento? Se houver, que coisas positivas ficam dessa experi\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>R. Todos n\u00f3s tivemos que nos reinventar e estabelecer novas rotinas profissionais e pessoais. Uma experi\u00eancia diferente em todos os aspectos, mas psicologicamente exaustiva quando \u00e9, como tem sido o caso, for\u00e7ada. Do ponto de vista profissional, a experi\u00eancia foi melhor para aqueles que j\u00e1 estavam razoavelmente preparados. Sempre fui bastante aut\u00f4nomo em minha gest\u00e3o por muitos anos, usando plataformas que me permitiam trabalhar em mobilidade, viajar ou distribuir minhas ocupa\u00e7\u00f5es em diferentes edif\u00edcios da MAPFRE, inclusive desde casa, e nesses tempos consegui manter a atividade sem qualquer contratempo. Al\u00e9m do trabalho, mantive contato com a fam\u00edlia, pude continuar praticando esportes em casa e recuperei alguns hobbies que tinha abandonado um pouco, como cozinhar.<\/p>\n<p>P. <strong>Na pandemia, vimos que a MAPFRE destinou 5 milh\u00f5es de euros para apoiar os v\u00e1rios projetos que est\u00e3o em andamento para entender o comportamento do v\u00edrus e acelerar o desenvolvimento de uma vacina. Existem avan\u00e7os em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pesquisa?<\/strong><\/p>\n<p>R. Recentemente, foi publicado no jornal El Pa\u00eds um relat\u00f3rio sobre o progresso das equipes do CSIC, como a liderada por Mariano Esteban para a obten\u00e7\u00e3o de uma vacina. N\u00e3o \u00e9 um desafio f\u00e1cil, mas estou confiante de que podem ser feitos progressos, n\u00e3o apenas porque uma vacina seria, sem d\u00favida, um grande sucesso global, mas porque a log\u00edstica de uma vacina\u00e7\u00e3o global tamb\u00e9m ser\u00e1 uma fonte potencial de conflito. Proteger toda a popula\u00e7\u00e3o do planeta contra a Covid19 exigiria dobrar a produ\u00e7\u00e3o de vacinas ou at\u00e9 triplic\u00e1-la se fossem necess\u00e1rias doses m\u00faltiplas. Por isso, \u00e9 importante n\u00e3o negligenciarmos a pesquisa nacional e, na MAPFRE, temos muito orgulho em apoi\u00e1-la. \u00c9 justo lembrar agora que o CSIC foi decisivo para o desenvolvimento da epidemia gerada pela SARS.<\/p>\n<p>P. <strong>Em uma entrevista recente, voc\u00ea encorajou a romper com o \u201cconfinamento mental\u201d e a sair do confinamento psicol\u00f3gico. Como voc\u00ea descreveria as consequ\u00eancias desse est\u00e1gio?<\/strong><\/p>\n<p>R. O confinamento f\u00edsico leva ao confinamento mental e isso deve ser interrompido, porque \u00e9 necess\u00e1rio sair para entender o que est\u00e1 acontecendo na sociedade, entre nossos clientes. N\u00e3o podemos ficar trancados em nossas casas, embora tecnologicamente seja poss\u00edvel levar uma vida quase normal. O ser humano \u00e9 greg\u00e1rio e progrediu e prosperou ao longo da hist\u00f3ria quando se agrupou em comunidades e se ajudou mutuamente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, observo uma contradi\u00e7\u00e3o, o espanhol \u00e9 muito soci\u00e1vel por natureza e essa condi\u00e7\u00e3o nos levou a nos lan\u00e7ar massivamente (e \u00e0s vezes de forma imprudente) nas ruas e locais de entretenimento, tudo para compartilhar com os outros, perdendo o respeito pelo v\u00edrus. No entanto, muitas vezes somos relutantes em voltar ao trabalho, por medo ou, \u00e0s vezes, por comodidade. A prote\u00e7\u00e3o total n\u00e3o existe e nunca existir\u00e1; continuar\u00e1 a haver infec\u00e7\u00f5es, que podem ser atendidas por cuidados de sa\u00fade menos colapsados, como acontece todos os anos com o pr\u00f3prio v\u00edrus influenza. Retornar pessoalmente \u00e0s nossas posi\u00e7\u00f5es cara a cara n\u00e3o \u00e9 apenas necess\u00e1rio, porque grande parte da atividade econ\u00f4mica exige que as pessoas cuidem de outras pessoas, mas tamb\u00e9m \u00e9 o mais solid\u00e1rio que podemos fazer neste momento, os que temos a sorte de manter nosso trabalho. N\u00e3o haver\u00e1 novos clientes, inova\u00e7\u00e3o nem economia de proximidade se n\u00e3o retornarmos fisicamente \u00e0s empresas. Ao ajudar nossas empresas e \u00e0s auxiliares que as rodeiam a recuperarem m\u00fasculos e capacidade, tamb\u00e9m estaremos abrindo caminho para uma sa\u00edda para a crise em geral. E tudo isso \u00e9 compat\u00edvel com a flexibilidade do ambiente de trabalho e a mobilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ideasplus.llorenteycuenca.com\/pt-br\/download-revista-uno-pos-covid\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>P. Alguns especialistas consideram que a pandemia que sofremos e estamos sofrendo colocou os l\u00edderes das organiza\u00e7\u00f5es \u00e0 prova, e at\u00e9 fala-se do surgimento de novas lideran\u00e7as. O que voc\u00ea acha disso? R. A pandemia nos testou a todos. 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