{"id":475763,"date":"2020-07-23T09:34:56","date_gmt":"2020-07-23T07:34:56","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/o-futuro-das-cidades-pos-covid-19\/"},"modified":"2026-08-13T13:44:40","modified_gmt":"2026-08-13T11:44:40","slug":"o-futuro-das-cidades-pos-covid-19","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/o-futuro-das-cidades-pos-covid-19\/","title":{"rendered":"O futuro das cidades p\u00f3s-covid-19"},"content":{"rendered":"<p>Nas cidades, o impacto do COVID19 tem sido desproporcional. No final de maio, Nova Iorque registava mais de 29 000 mortes por COVID19, 29% do total de mortes nos EUA. Madrid, 32% do total nacional, Londres 21%, Paris 25%. N\u00e3o dispararam apenas os cont\u00e1gios, mas tamb\u00e9m aumentaram as desigualdades (geracionais, raciais, econ\u00f3micas, sociais). Alguns preveem um \u00eaxodo massivo para a periferia e alertam que a viabilidade de empresas e organiza\u00e7\u00f5es culturais, cujo desaparecimento roubaria as cidades da sua principal atra\u00e7\u00e3o, est\u00e1 em risco. De facto, o que seria de Nova Iorque sem a Broadway, sem o Lincoln Center e com as lojas da 5.\u00aa Avenida, restaurantes e fechados? Perderia o seu atrativo social e, com ele, popula\u00e7\u00e3o e emprego. Aconteceu algo assim nos anos 70, quando, devido \u00e0 crise financeira, Nova Iorque perdeu mais de 1 milh\u00e3o de habitantes, o que levou duas d\u00e9cadas a recuperar. Outros dizem que o fen\u00f3meno urbano voltar\u00e1 ainda com mais for\u00e7a, como aconteceu depois da crise de 2008, para impulsionar a recupera\u00e7\u00e3o. Que as estrat\u00e9gias de conten\u00e7\u00e3o do COVID19 controlar\u00e3o os cont\u00e1gios, os pacotes econ\u00f3micos salvar\u00e3o o tecido produtivo e voltaremos aos comportamentos anteriores \u00e0 crise quando houver uma vacina, porque o ser humano \u00e9 fundamentalmente um ser social.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: center;\">&#8220;As novas tend\u00eancias s\u00e3o de natureza conjuntural, resultado do confinamento ou tend\u00eancias que j\u00e1 existiam, mas que foram aceleradas durante a pandemia&#8221;<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>\u00c9 claro que as novas tend\u00eancias urbanas causadas pela crise est\u00e3o a causar impacto na din\u00e2mica das cidades. Ser\u00e3o mudan\u00e7as permanentes? Ter\u00e3o um impacto positivo na sociedade? Na sua maioria, as novas tend\u00eancias s\u00e3o de natureza conjuntural, resultado do confinamento ou tend\u00eancias que j\u00e1 existiam, mas que foram aceleradas durante a pandemia. Alguns exemplos:<\/p>\n<p><strong>Teletrabalho<\/strong>: antes da crise, apenas 7% da popula\u00e7\u00e3o nos EUA tinha a possibilidade de trabalhar remotamente. Agora, o Twitter e o Square deixar\u00e3o o seu pessoal faz\u00ea-lo permanentemente. Esta \u00e9 uma mudan\u00e7a cultural important\u00edssima que deve ser potenciada porque favorece a produtividade &#8211; e n\u00e3o a presen\u00e7a &#8211; e a concilia\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o teletrabalho ser\u00e1 necess\u00e1rio para evitar aglomerados nos transportes p\u00fablicos em horas de ponta, at\u00e9 que haja uma vacina.<\/p>\n<p><strong>Uso de escrit\u00f3rios:<\/strong> os escrit\u00f3rios ter\u00e3o de se adaptar a novas medidas de sa\u00fade, distanciamento social e redu\u00e7\u00e3o de eventos presenciais. As empresas podem manter os seus escrit\u00f3rios, com capacidade de 60% para respeitar o distanciamento social, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que o aumento da produtividade e a poupan\u00e7a em alugueres que o teletrabalho permite podem reduzir custos numa conjuntura econ\u00f3mica complicada.<br \/>\nDiversifica\u00e7\u00e3o de usos urbanos: o teletrabalho permitir\u00e1 descentralizar a atividade econ\u00f3mica e potenciar uma mistura de usos mais diversificada (residencial, escrit\u00f3rio, espa\u00e7os verdes, etc.) dentro do mesmo bairro, que reduzam os trajetos longos para o trabalho e permitam viver melhor. A redu\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fego permitiu que as ruas fossem readaptadas para que os cidad\u00e3os circulem a p\u00e9 ou de bicicleta, e o uso de espa\u00e7os verdes disparou. O acesso a servi\u00e7os urbanos essenciais (habita\u00e7\u00e3o acess\u00edvel, espa\u00e7os verdes, conectividade, alternativas de mobilidade, etc.) demonstrou ser mais importante do que nunca para um crescimento inclusivo e fundamental, por exemplo, para trabalhadores vulner\u00e1veis que n\u00e3o podem teletrabalhar, escapar para segundas resid\u00eancias ou isolar-se nas suas casas em caso de infe\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Coopera\u00e7\u00e3o social:<\/strong> a coopera\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os disparou. As empresas reorientaram a sua produ\u00e7\u00e3o para produtos essenciais e colocaram as suas capacidades ao servi\u00e7o da sociedade (por exemplo, redes de distribui\u00e7\u00e3o ou capacidades tecnol\u00f3gicas para apps de autodiagn\u00f3stico e rastreamento). Grandes empres\u00e1rios fizeram doa\u00e7\u00f5es privadas e registaram-se milhares de projetos de assist\u00eancia a vizinhos. Todas estas iniciativas constituem um novo capital social urbano fundamental para emergir da crise.<br \/>\nAdo\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es digitais: o confinamento tem sido uma fase de experimenta\u00e7\u00e3o e, para todos aqueles que, pela primeira vez, fizeram uma opera\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria sem ir ao balc\u00e3o comercial, receberam um diagn\u00f3stico m\u00e9dico eletronicamente ou compraram um seguro pela Internet, n\u00e3o h\u00e1 volta atr\u00e1s. O consumo caiu como resultado do confinamento, mas as vendas nas plataformas digitais est\u00e3o a conquistar maior participa\u00e7\u00e3o no mercado. Abre-se, assim, uma importante oportunidade de crescimento para as empresas que souberem adaptar-se ao aumento da procura digital.<br \/>\nA aprendizagem pela Internet: aprender em casa est\u00e1 a aumentar a lacuna educativa porque as fam\u00edlias de n\u00edvel socioecon\u00f3mico mais baixo t\u00eam menos acesso a dispositivos ligados \u00e0 rede, menos recursos para ajudar os seus filhos a aprender e porque nem todas as escolas foram capazes de se adaptar \u00e0 nova realidade. Fechar a lacuna educativa dever\u00e1 ser uma prioridade fundamental para todos no plano de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que as din\u00e2micas socioecon\u00f3micas e urbanas s\u00e3o mais interdependente do que nunca e enquadram-se num determinado sistema de cidade. Portanto, as pol\u00edticas sociais, econ\u00f3micas e de infraestrutura urbana devem estar integradas. Tamb\u00e9m devem estar baseadas em evid\u00eancias emp\u00edricas. Esta crise destacou a necessidade de gerar mais e melhores dados a n\u00edvel local e utiliz\u00e1-los de maneira mais sofisticada na tomada de decis\u00f5es. As cidades t\u00eam uma grande vantagem e s\u00e3o as mais pr\u00f3ximas das pessoas, aquelas que podem entender melhor as suas capacidades e necessidades e apresentar solu\u00e7\u00f5es com base numa an\u00e1lise emp\u00edrica. Portanto, est\u00e3o numa posi\u00e7\u00e3o \u00fanica para usar essas informa\u00e7\u00f5es para desenvolver novos modelos de efici\u00eancia energ\u00e9tica, log\u00edstica, educa\u00e7\u00e3o, servi\u00e7os digitais e outros que melhorem a vida das pessoas. Por fim, n\u00e3o esque\u00e7amos que, embora as cidades tenham cada vez mais protagonismo, os recursos municipais tendem a ser limitados, portanto, a coordena\u00e7\u00e3o com outros n\u00edveis de governo \u00e9 fundamental. Mesmo em casos excecionais como Nova Iorque, com um or\u00e7amento de 95 mil milh\u00f5es, a coordena\u00e7\u00e3o com o governo estatal e federal ser\u00e1 fundamental para sair da crise. \u00c9 preciso avan\u00e7ar a uma s\u00f3 voz para sermos eficazes e atrairmos o investimento e as parcerias p\u00fablico-privadas necess\u00e1rias para a recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/ideasplus.llorenteycuenca.com\/pt-br\/download-revista-uno-pos-covid\"><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas cidades, o impacto do COVID19 tem sido desproporcional. No final de maio, Nova Iorque registava mais de 29 000 mortes por COVID19, 29% do total de mortes nos EUA. Madrid, 32% do total nacional, Londres 21%, Paris 25%. N\u00e3o dispararam apenas os cont\u00e1gios, mas tamb\u00e9m aumentaram as desigualdades (geracionais, raciais, econ\u00f3micas, sociais). 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