{"id":487242,"date":"2026-10-22T09:09:55","date_gmt":"2026-10-22T07:09:55","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/?p=487242"},"modified":"2026-10-22T09:10:03","modified_gmt":"2026-10-22T07:10:03","slug":"a-proxima-revolucao-das-empresas-nao-sera-apenas-tecnologica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-br\/ideas\/uno\/a-proxima-revolucao-das-empresas-nao-sera-apenas-tecnologica\/","title":{"rendered":"A pr\u00f3xima revolu\u00e7\u00e3o das empresas n\u00e3o ser\u00e1 apenas tecnol\u00f3gica"},"content":{"rendered":"<p>Enquanto as empresas se preparam para incorporar <b>agentes de intelig\u00eancia artificial,<\/b> h\u00e1 outra transforma\u00e7\u00e3o, muito mais previs\u00edvel, para a qual talvez n\u00e3o estejamos igualmente preparados: <b>viveremos mais e teremos vidas profissionais mais longas. <\/b><\/p>\n<blockquote><p><strong>Estamos redesenhando a empresa para incorporar novas intelig\u00eancias, mas ainda n\u00e3o a estamos redesenhando para aproveitar vidas mais longas. <\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>Nos \u00faltimos meses, vi essas conversas surgirem em espa\u00e7os diferentes. Em conselhos de administra\u00e7\u00e3o, falamos de intelig\u00eancia artificial, produtividade e novos modelos de neg\u00f3cios. Em outros \u00e2mbitos empresariais, de talentos e das capacidades de que precisaremos para competir. E, trabalhando em iniciativas ligadas \u00e0 longevidade, surge outra pergunta: como transformamos organiza\u00e7\u00f5es pensadas para vidas profissionais muito mais curtas?<\/p>\n<p>Acredito que essas conversas n\u00e3o podem mais ocorrer separadamente.<\/p>\n<p>Estamos vivendo simultaneamente a <b>revolu\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial <\/b>e a <b>revolu\u00e7\u00e3o da longevidade.<\/b> Uma est\u00e1 mudando como trabalhamos; a outra, por quanto tempo poderemos faz\u00ea-lo. <b>A verdadeira oportunidade estar\u00e1 em projetar ambas as transforma\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo.<\/b><\/p>\n<p>Depois de muitos anos liderando organiza\u00e7\u00f5es com milhares de colaboradores, aprendi que as grandes transforma\u00e7\u00f5es nunca s\u00e3o apenas tecnol\u00f3gicas. Mudam processos, mas acabam mudando estruturas, culturas, lideran\u00e7as e, finalmente, a maneira como uma empresa cria valor.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<h3>O organograma que est\u00e1 por vir<\/h3>\n<p>&nbsp;<br \/>\nA McKinsey prop\u00f5e que avan\u00e7amos rumo a <b>organiza\u00e7\u00f5es &#8220;ag\u00eanticas&#8221;<\/b>, onde pessoas e agentes de intelig\u00eancia artificial trabalhar\u00e3o em conjunto. Inclusive, antecipa a evolu\u00e7\u00e3o do organograma tradicional para um <b><i>work chart<\/i>, <\/b>organizado em torno do trabalho e dos resultados.<\/p>\n<p>A ideia me parece provocadora. Durante d\u00e9cadas, representamos as organiza\u00e7\u00f5es com caixas ocupadas por pessoas e linhas que indicavam quem se reportava a quem. Muito em breve, essa imagem pode se tornar insuficiente.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, o McKinsey Global Institute estima que <b>57% das horas trabalhadas atualmente poderiam tecnicamente ser automatizadas<\/b> com as tecnologias existentes. N\u00e3o significa que essa porcentagem de empregos desaparecer\u00e1. Significa algo muito mais relevante para quem dirige empresas: <b>uma parte importante do trabalho ter\u00e1 que ser redesenhada.<\/b><\/p>\n<p>E esse redesenho ocorre enquanto nossas sociedades tamb\u00e9m envelhecem.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<h3>A experi\u00eancia tamb\u00e9m precisa se transformar<\/h3>\n<p>&nbsp;<br \/>\nViveremos mais e muitas pessoas precisar\u00e3o \u2014 ou desejar\u00e3o \u2014 permanecer ativas profissionalmente por mais tempo. No entanto, continuamos gerenciando carreiras sob uma <b>l\u00f3gica bastante linear: <\/b>estudar, trabalhar, crescer e se aposentar.<\/p>\n<p>Essa transforma\u00e7\u00e3o desafia especialmente a n\u00f3s, que estamos h\u00e1 d\u00e9cadas em posi\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a. N\u00e3o podemos pedir \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es que se transformem se n\u00f3s n\u00e3o estivermos dispostos a faz\u00ea-lo.<\/p>\n<p><b>A experi\u00eancia s\u00f3 ter\u00e1 valor se permanecer em movimento. <\/b><\/p>\n<p>Teremos que aprender, desaprender, incorporar novas tecnologias e aceitar que aquilo que um dia nos tornou bem-sucedidos pode n\u00e3o ser suficiente para a pr\u00f3xima etapa.<\/p>\n<p>Mas tamb\u00e9m n\u00e3o dever\u00edamos cometer o erro contr\u00e1rio: confundir juventude com inova\u00e7\u00e3o. A idade n\u00e3o garante nem experi\u00eancia relevante nem capacidade de transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A pergunta n\u00e3o \u00e9 qual gera\u00e7\u00e3o \u00e9 melhor. \u00c9 de quais capacidades precisamos e como conseguimos combin\u00e1-las.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<h3>N\u00e3o \u00e9 apenas talento. \u00c9 neg\u00f3cio.<\/h3>\n<p>&nbsp;<br \/>\nAqui est\u00e1, para mim, a verdadeira mudan\u00e7a de perspectiva.<\/p>\n<p>Se tratarmos a longevidade, a conviv\u00eancia geracional e a intelig\u00eancia artificial como conversas exclusivas de Recursos Humanos, estaremos perdendo boa parte da oportunidade. <b>S\u00e3o assuntos de competitividade.<\/b><\/p>\n<p>De produtividade, porque teremos que decidir o que as pessoas fazem melhor, o que os agentes podem fazer e onde a sua combina\u00e7\u00e3o gera mais valor.<\/p>\n<p>De inova\u00e7\u00e3o, porque os novos olhares precisam se encontrar com experi\u00eancia, contexto e conhecimento acumulado.<\/p>\n<p>De cliente, porque nossas sociedades e nossos consumidores tamb\u00e9m s\u00e3o multigeracionais e mais longevos. Uma organiza\u00e7\u00e3o que n\u00e3o reflita essa diversidade pode acabar compreendendo apenas uma parte do seu mercado.<\/p>\n<p>E de crescimento, porque uma sociedade que vive mais abrir\u00e1 novas necessidades em servi\u00e7os financeiros, sa\u00fade, seguros, moradia, educa\u00e7\u00e3o, tecnologia, entretenimento e consumo.<\/p>\n<p>Por isso, essa conversa deveria estar chegando aos comit\u00eas executivos e aos conselhos de administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez a pergunta n\u00e3o seja mais &#8220;de quantas pessoas eu preciso?&#8221;, mas sim &#8220;de quais capacidades eu preciso para alcan\u00e7ar esse resultado?&#8221;<\/p>\n<p>Quais devem ser humanas? Quais a intelig\u00eancia artificial pode trazer? Quais exigem experi\u00eancia? Quais devemos desenvolver? E quais j\u00e1 existem dentro das nossas organiza\u00e7\u00f5es e simplesmente n\u00e3o estamos enxergando?<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<h3>A vantagem de saber combinar<\/h3>\n<p>&nbsp;<br \/>\nN\u00e3o vejo o futuro do trabalho como uma competi\u00e7\u00e3o entre pessoas e tecnologia. Eu o vejo como um desafio de design.<\/p>\n<p>A empresa do futuro ter\u00e1 profissionais de diferentes gera\u00e7\u00f5es trabalhando entre si e com agentes de intelig\u00eancia artificial. <b>A lideran\u00e7a consistir\u00e1 cada vez mais em saber combinar capacidades diferentes <\/b>para produzir resultados que nenhuma conseguiria separadamente.<\/p>\n<p>Para a Am\u00e9rica Latina, onde precisamos elevar a produtividade e acelerar nossa transforma\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica enquanto nossas sociedades tamb\u00e9m envelhecem, essa pode ser uma enorme oportunidade.<\/p>\n<p>Durante anos pensamos que o futuro dos talentos consistia em derrubar fronteiras geogr\u00e1ficas. Hoje, acredito que as pr\u00f3ximas fronteiras est\u00e3o dentro das nossas organiza\u00e7\u00f5es: entre gera\u00e7\u00f5es, entre experi\u00eancia e aprendizado, entre intelig\u00eancia humana e intelig\u00eancia artificial.<\/p>\n<blockquote><p><strong>A pr\u00f3xima vantagem competitiva n\u00e3o estar\u00e1 em ter mais tecnologia nem em acumular mais experi\u00eancia. Estar\u00e1 em saber combin\u00e1-las melhor.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p>E talvez essa seja uma das maiores responsabilidades da nossa gera\u00e7\u00e3o de l\u00edderes: n\u00e3o defender a empresa na qual aprendemos a dirigir, mas sim ajudar a construir a que est\u00e1 por vir.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n<h3>Fontes de refer\u00eancia:<\/h3>\n<ul>\n<li>McKinsey &amp; Company, \u201cThe agentic organization: Contours of the next paradigm for the AI era\u201d, 2026.<\/li>\n<li>McKinsey Global Institute, \u201cAgents, robots, and us: How AI reshapes work and skills in Latin America\u201d, 2026.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Enquanto as empresas se preparam para incorporar agentes de intelig\u00eancia artificial, h\u00e1 outra transforma\u00e7\u00e3o, muito mais previs\u00edvel, para a qual talvez n\u00e3o estejamos igualmente preparados: viveremos mais e teremos vidas profissionais mais longas. 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