{"id":463056,"date":"2026-05-12T09:00:21","date_gmt":"2026-05-12T07:00:21","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/?p=463056"},"modified":"2026-05-12T11:46:02","modified_gmt":"2026-05-12T09:46:02","slug":"a-nova-ordem-ou-desordem-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-pt\/ideas\/uno\/a-nova-ordem-ou-desordem-global\/","title":{"rendered":"A nova ordem (ou desordem) global"},"content":{"rendered":"<p><strong>As regras que regularam o mundo nos \u00faltimos setenta anos est\u00e3o em decl\u00ednio. O ordenamento global baseado na multilateralidade e, desde a queda do Muro, na predomin\u00e2ncia dos Estados Unidos, desvanece-se. As rivalidades aumentam, a China luta pela hegemonia e prevalece a unilateralidade. J\u00e1 quase nenhum cen\u00e1rio pode ser descartado.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Esta mudan\u00e7a \u00e9 transcendental para as empresas que fazem parte da comunidade da LLYC. Os Estados Unidos, a Europa e a Am\u00e9rica Latina \u2014 as regi\u00f5es onde opera a nossa empresa \u2014 assumem novos pap\u00e9is e novas rela\u00e7\u00f5es, gerando fortes tens\u00f5es comerciais. Contudo, permanecem amplos espa\u00e7os para a coopera\u00e7\u00e3o, a sinergia e os valores democr\u00e1ticos. Neste di\u00e1logo, ocorrido antes da interven\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos na Venezuela e da guerra com o Ir\u00e3o, mas que reflete todas as condi\u00e7\u00f5es que lhes deram origem, Luisa Garc\u00eda e Pol Morillas abordam a vertente geopol\u00edtica dos muitos desafios que nos esperam.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Luisa Garc\u00eda (LG)<\/strong>: Quando come\u00e7\u00e1mos a pensar em como quer\u00edamos assinalar o 30.\u00ba anivers\u00e1rio da LLYC, t\u00ednhamos claro que, embora estejamos muito orgulhosos do que conseguimos nestes anos, o nosso olhar dirige-se para o futuro. Por isso lan\u00e7\u00e1mos o programa Partners for What\u2019s Next, com a ideia de estar perto dos clientes e colaboradores para entender os desafios que nos aguardam e poder acompanh\u00e1-los quando os enfrentarem. Nesse contexto, foi importante termos uma conversa sobre a nova ordem, ou desordem, mundial. E ningu\u00e9m melhor do que Pol Morillas, autor do livro O P\u00e1tio dos Grandes. A Europa perante um mundo hostil, e diretor do CIDOB de Barcelona, um dos mais importantes think tanks de estudos internacionais da Europa.<\/p>\n<p><strong>Pol Morillas (PM)<\/strong>: Muito obrigado por partilhares este tempo comigo e pelo convite para participar nas vossas conversas.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: Pol, vimos de um mundo marcado pelo multilateralismo, no qual institui\u00e7\u00f5es como o FMI, a ONU ou o Banco Mundial impulsionaram a globaliza\u00e7\u00e3o, o com\u00e9rcio e a coopera\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, j\u00e1 sabemos que no futuro o mundo provavelmente deixar\u00e1 de reger-se por essa ordem.<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: De facto, penso que assistimos agora a uma tend\u00eancia para um mundo multipolar, em que n\u00e3o predomina um \u00fanico pa\u00eds, os Estados Unidos, mas sim dois, China e Estados Unidos. As pot\u00eancias m\u00e9dias tamb\u00e9m querem participar na divis\u00e3o do poder internacional. \u00c9 mais multipolar mas, ao mesmo tempo, cada vez menos multilateral.<\/p>\n<p>As institui\u00e7\u00f5es a que te referiste perdem relev\u00e2ncia ao estruturar as rela\u00e7\u00f5es. E essa multipolaridade sem multilateralismo gera um sentimento de desamparo. Pode refor\u00e7ar-se o papel dos Estados, o das grandes pot\u00eancias, para que sejam ambas a liderar a estrutura\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es internacionais. Contudo, as crises que teremos de enfrentar \u2014 as clim\u00e1ticas, as associadas \u00e0s regula\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas, a pandemia da covid-19 na sua altura ou outra semelhante \u2014 continuar\u00e3o a ser crises transnacionais. Essa \u00e9 a grande paradoxo que enfrentamos agora.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: A LLYC nasceu em Espanha e iniciou a sua expans\u00e3o internacional h\u00e1 vinte e oito anos na Am\u00e9rica Latina. Queria perguntar-te pelo papel destas duas regi\u00f5es, Europa e Am\u00e9rica Latina. S\u00e3o apenas espectadoras, s\u00e3o apenas moeda de troca na nova luta pelo poder?<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: Penso que, nesta nova ordem internacional, a Europa e a Am\u00e9rica Latina partilham uma posi\u00e7\u00e3o semelhante. A Europa sempre dependeu dos Estados Unidos para a sua seguran\u00e7a. A rela\u00e7\u00e3o transatl\u00e2ntica \u00e9 fundamental, tamb\u00e9m como polo de com\u00e9rcio internacional e centro da economia mundial no Atl\u00e2ntico. Agora a Europa questiona-se se, perante a crise nas rela\u00e7\u00f5es transatl\u00e2nticas com Trump, que tamb\u00e9m resulta da ascens\u00e3o de novas pot\u00eancias, deve diversificar as suas alian\u00e7as. E a Am\u00e9rica Latina encontra-se numa situa\u00e7\u00e3o semelhante. N\u00e3o pode depender apenas dos crescentes investimentos chineses. Precisa manter uma boa rela\u00e7\u00e3o com a Uni\u00e3o Europeia \u2014 como vimos nas discuss\u00f5es sobre o Tratado Uni\u00e3o Europeia-Mercosul \u2014, mas sem perder de vista os Estados Unidos, com quem sempre manteve uma rela\u00e7\u00e3o muito pr\u00f3xima. A Am\u00e9rica Latina e a Europa partilham a sensa\u00e7\u00e3o de terem de oscilar entre muitos atores ao mesmo tempo, porque o seu contexto, esse mundo mais multipolar, tamb\u00e9m mudou.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: Sim, Europa e Am\u00e9rica Latina t\u00eam de aprender a ser mais pol\u00edgamas. Mas nesse poliamor partilhado, achas que h\u00e1 espa\u00e7o para fortalecer a rela\u00e7\u00e3o entre ambas? Mencionavas o acordo Mercosul-UE. A oportunidade e o movimento de refor\u00e7o da Am\u00e9rica Latina e da Uni\u00e3o Europeia s\u00e3o reais ou continuam a ser uma entel\u00e9quia?<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: A rela\u00e7\u00e3o entre a Am\u00e9rica Latina e a Europa \u00e9 muito desigual. Est\u00e1 marcada pela desconfian\u00e7a, por vezes devido \u00e0 heran\u00e7a do colonialismo. E isso afeta essa rela\u00e7\u00e3o bilateral. Mas, se ampliarmos a perspetiva e virmos onde se situam as restantes pot\u00eancias internacionais, e olharmos para o futuro, para onde se dirigem estes dois continentes, certamente existe mais a uni-los do que a separ\u00e1-los.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: Ultrapassar o passado e olhar para o futuro \u00e9 fundamental. Tal como com o alargamento da Uni\u00e3o Europeia nos apercebemos da diversidade que \u00e9 a Europa, n\u00e3o se pode pensar na Am\u00e9rica Latina como uma unidade. A rela\u00e7\u00e3o da Europa com o M\u00e9xico nada tem a ver com a sua rela\u00e7\u00e3o com o Brasil, nem com a rela\u00e7\u00e3o entre o M\u00e9xico e o Brasil.<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: Isso leva-nos a outra quest\u00e3o importante: a fragmenta\u00e7\u00e3o dos sistemas pol\u00edticos em muitas regi\u00f5es do mundo. No caso da Europa, o que mais prejudica as suas rela\u00e7\u00f5es com outros pa\u00edses, e com os Estados Unidos em particular, \u00e9 a sua fragmenta\u00e7\u00e3o interna. Viu-se, por exemplo, no acordo comercial entre a Uni\u00e3o Europeia e os Estados Unidos. Mostrou uma Europa disposta a ceder \u00e0s exig\u00eancias norte-americanas, que n\u00e3o quis jogar a sua carta mais valiosa: uma pol\u00edtica comercial comum, a capacidade de atuar no \u00e2mbito econ\u00f3mico e comercial a uma s\u00f3 voz. Algo que n\u00e3o existe na defesa ou na tecnologia. A Europa temia muito a fragmenta\u00e7\u00e3o interna, o impacto que uma negocia\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria aos interesses dos Estados Unidos poderia gerar dentro da Uni\u00e3o Europeia. Muitas vezes n\u00e3o \u00e9 tanto a Uni\u00e3o Europeia n\u00e3o dispor de ferramentas para atuar, ou falta de poder, pois tem, o problema \u00e9 esse poder estar excessivamente fragmentado.<\/p>\n<blockquote><p><strong>&#8220;Vivemos num mundo em que se conjugam os interesses nacionais das grandes pot\u00eancias, defendidos a todo o custo, e as interdepend\u00eancias que passam pelo funil da instrumentaliza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/strong><br \/>\nPol Morillas<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>LG<\/strong>: Novamente olhando para os eixos, falaste da pol\u00edtica comercial e de seguran\u00e7a entre os Estados Unidos e a Uni\u00e3o Europeia. Que outros temas da pol\u00edtica externa norte-americana consideras que v\u00e3o marcar a agenda at\u00e9 \u00e0s midterms, as elei\u00e7\u00f5es intercalares [Para al\u00e9m da interven\u00e7\u00e3o na Venezuela e no Ir\u00e3o]?<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: Na Administra\u00e7\u00e3o republicana, e no pr\u00f3prio movimento MAGA, h\u00e1 um grande debate sobre a pol\u00edtica externa do pa\u00eds e sobre dois preceitos fundamentais desta. Por um lado est\u00e3o os que defendem que o foco deve ser nos pr\u00f3prios interesses dos Estados Unidos, e at\u00e9 na sua \u00e1rea de influ\u00eancia mais pr\u00f3xima. Assim assistimos \u00e0s declara\u00e7\u00f5es de Trump sobre o Canad\u00e1, a Gronel\u00e2ndia ou o Panam\u00e1, como se esses pa\u00edses fossem o seu quintal, onde os Estados Unidos t\u00eam todo o poder. Este grupo prioriza a conce\u00e7\u00e3o da seguran\u00e7a. Nesta vis\u00e3o enquadram-se os ataques impunes a lanchas nas Cara\u00edbas, sob o pretexto de que s\u00e3o narcolanchas e um problema para a seguran\u00e7a americana. [e que precedeu o rapto de Nicol\u00e1s Maduro]<\/p>\n<p>Outro grupo defende que n\u00e3o, que os Estados Unidos t\u00eam um rival fundamental para al\u00e9m do seu hemisf\u00e9rio ocidental e da sua envolvente pr\u00f3xima, que \u00e9 a China. E que o foco da pol\u00edtica externa norte-americana deve ser a confronta\u00e7\u00e3o ou competi\u00e7\u00e3o com a China. Essas duas vis\u00f5es da pol\u00edtica externa coexistem com outras que defendem que, para priorizar a China, importa deixar de intervir em cen\u00e1rios que n\u00e3o interessam, onde n\u00e3o querem projetar a sua pol\u00edtica externa, seja o M\u00e9dio Oriente, [embora o ataque ao Ir\u00e3o desminta esta vers\u00e3o] a Europa ou a Ucr\u00e2nia.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: Trata-se, ent\u00e3o, de estabelecer prioridades.<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: Dificilmente descodificamos quais os objetivos da pol\u00edtica externa de Trump. Ele provoca d\u00favida constante, muda frequentemente de opini\u00e3o e tem posi\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis sobre diversas quest\u00f5es. Especialmente sobre a China.<\/p>\n<p><strong>LG:<\/strong> A rela\u00e7\u00e3o entre os Estados Unidos e a China est\u00e1 fortemente marcada pelo impacto da tecnologia na agenda geopol\u00edtica, desde as terras raras at\u00e9 \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o da intelig\u00eancia artificial. E em toda a cadeia h\u00e1 um impacto muito claro na \u00e1rea comercial. Identific\u00e1mos ainda as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas ou as migra\u00e7\u00f5es. Quais destes temas vos ocupar\u00e3o no CIDOB nos pr\u00f3ximos meses ou anos?<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: Em muitos destes dom\u00ednios prevalece a l\u00f3gica com que inici\u00e1mos esta conversa. A das interdepend\u00eancias que ainda existem, essa transnacionalidade dos fen\u00f3menos que afeta o com\u00e9rcio, as altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, as migra\u00e7\u00f5es ou a tecnologia. Todas estas quest\u00f5es s\u00e3o, necessariamente, transnacionais. No entanto, o que rege as rela\u00e7\u00f5es \u00e9 a instrumentaliza\u00e7\u00e3o desses temas de acordo com os interesses das na\u00e7\u00f5es. No com\u00e9rcio v\u00ea-se isso claramente. Os Estados Unidos e a China n\u00e3o deixaram de comerciar; pelo contr\u00e1rio, continuam sujeitos a grandes interdepend\u00eancias comerciais. O que sucede? Essas interdepend\u00eancias s\u00e3o instrumentalizadas e usadas como arma de press\u00e3o geopol\u00edtica contra o outro. Isso \u00e9 evidente nas terras raras, com a limita\u00e7\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o de semicondutores, chips e tecnologia avan\u00e7ada dos Estados Unidos para a China, especialmente os de uso dual, isto \u00e9, civil e militar.<\/p>\n<p>Nas migra\u00e7\u00f5es, vemos frequentemente que muitos pa\u00edses tamb\u00e9m as instrumentalizam como arma de desestabiliza\u00e7\u00e3o contra terceiros pa\u00edses. Aconteceu, por exemplo, quando a R\u00fassia deixou passar livremente refugiados de v\u00e1rios pa\u00edses, como o Afeganist\u00e3o, para a Finl\u00e2ndia e outros pa\u00edses fronteiri\u00e7os, como mecanismo de press\u00e3o ou desestabiliza\u00e7\u00e3o. No fundo, as migra\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m s\u00e3o interdepend\u00eancias ou fen\u00f3menos transnacionais que os Estados instrumentalizam. E quanto \u00e0 tecnologia, j\u00e1 referimos elementos essenciais como os chips, os semicondutores ou as terras raras, componentes necess\u00e1rios para tecnologias avan\u00e7adas e tamb\u00e9m instrumentalizados. Vivemos num mundo onde se conjugam os interesses nacionais das grandes pot\u00eancias, defendidos intransigentemente e cada vez com menos reservas, e as interdepend\u00eancias que passam por esse funil de instrumentaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: E o que podem fazer as empresas para entender, antecipar e operar melhor nesse mundo? Por vezes os prazos s\u00e3o muito curtos. Por exemplo, a agilidade para adaptar cadeias de abastecimento perante mudan\u00e7as de tarifas \u00e9 um caso evidente. Que boas pr\u00e1ticas podem ajudar a desenvolver essas compet\u00eancias nem sempre t\u00e3o avan\u00e7adas nas empresas?<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: Em primeiro lugar, importa inverter o bin\u00f3mio mercado-geopol\u00edtica. O que vemos agora \u00e9 que muitas vezes a geopol\u00edtica condiciona as rela\u00e7\u00f5es comerciais e os principais parceiros com quem se pretendem rela\u00e7\u00f5es comerciais fluidas e intensas. Se antes se acreditava que a geopol\u00edtica suavizaria o seu impacto gra\u00e7as \u00e0s for\u00e7as do mercado, hoje vemos o contr\u00e1rio. A geopol\u00edtica endurece as rela\u00e7\u00f5es de mercado e, por conseguinte, as empresas devem incorporar este fator, anteriormente considerado um aspeto n\u00e3o mercantil ou secund\u00e1rio, no balan\u00e7o de resultados. Agora tem impacto prim\u00e1rio e deve estar no centro da an\u00e1lise dos fatores de mercado. Esta \u00e9 a grande mudan\u00e7a de paradigma: vimos de um mundo globalizado, sem barreiras e com cadeias de valor globais sem restri\u00e7\u00f5es, mas cada vez mais a preemin\u00eancia desse poder do Estado nas rela\u00e7\u00f5es geopol\u00edticas e at\u00e9 na interven\u00e7\u00e3o em ind\u00fastrias e empresas cr\u00edticas \u00e9 o novo normal.<\/p>\n<p><strong>LG<\/strong>: Creio que fizemos uma boa viagem, porque fal\u00e1mos primeiro do novo cen\u00e1rio de multipolaridade, dos blocos e de como estes se adaptam \u00e0 nova situa\u00e7\u00e3o, combinando pol\u00edtica interna e externa de forma indissoci\u00e1vel. Referiste tamb\u00e9m como, na pol\u00edtica entre pa\u00edses ou blocos, alguns grandes temas s\u00e3o instrumentalizados. E terminamos com a proposta de mudar a nossa perspetiva empresarial, pois neste novo contexto a geopol\u00edtica ter\u00e1 um impacto muito mais direto e provavelmente mais r\u00e1pido, devendo antecipar-nos e contar com conhecimento interno que nos permita, pelo menos, desenhar cen\u00e1rios. Fal\u00e1mos da Europa, da China, da Am\u00e9rica Latina, dos Estados Unidos, mencion\u00e1mos migra\u00e7\u00e3o, tecnologia. H\u00e1 algo que no CIDOB considerem que n\u00e3o est\u00e1 a receber a devida aten\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p><strong>PM<\/strong>: Existem dois temas. O primeiro, que impacta diretamente na forma de rela\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social nas nossas sociedades, \u00e9 o futuro da democracia. Ou seja, at\u00e9 que ponto, e particularmente na Europa, aquilo que foram valores inquestion\u00e1veis permanecem como mecanismo de governa\u00e7\u00e3o desejado. Hoje \u00e9 necess\u00e1rio demonstrar mais do que nunca que essas ideias continuam v\u00e1lidas, porque h\u00e1 outras for\u00e7as que apontam noutro sentido e as p\u00f5em em causa. E noutro dom\u00ednio, h\u00e1 um aspeto que n\u00e3o mencion\u00e1mos e \u00e9 fundamental para a Europa e para Espanha em particular: \u00c1frica. A Europa n\u00e3o s\u00f3 careceu de vis\u00e3o estrat\u00e9gica ao definir a rela\u00e7\u00e3o que queria com os seus vizinhos do sul da Uni\u00e3o Europeia, mas tamb\u00e9m relativamente a muitos fen\u00f3menos de seguran\u00e7a, crises clim\u00e1ticas, migra\u00e7\u00f5es, refugiados, tr\u00e1ficos il\u00edcitos. Muitos destes problemas t\u00eam origem na \u00c1frica subsaariana, ou no Sahel em particular. A Europa deve deixar de virar costas ao continente africano e perceber que o mar Mediterr\u00e2neo \u00e9 mais um lago do que um mar.<\/p>\n<blockquote><p><strong>&#8220;\u00c9 preciso inverter o bin\u00f3mio mercado-geopol\u00edtica. A geopol\u00edtica recrudesce as rela\u00e7\u00f5es de mercado e, por isso, as empresas devem incorporar este fator na sua conta de resultados.&#8221;<\/strong><br \/>\nPol Morillas<\/p><\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As regras que regularam o mundo nos \u00faltimos setenta anos est\u00e3o em decl\u00ednio. O ordenamento global baseado na multilateralidade e, desde a queda do Muro, na predomin\u00e2ncia dos Estados Unidos, desvanece-se. As rivalidades aumentam, a China luta pela hegemonia e prevalece a unilateralidade. J\u00e1 quase nenhum cen\u00e1rio pode ser descartado. 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