{"id":476874,"date":"2013-11-15T10:32:16","date_gmt":"2013-11-15T09:32:16","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/a-comunicacao-de-saude-do-nos-ao-eles\/"},"modified":"2026-08-11T14:42:35","modified_gmt":"2026-08-11T12:42:35","slug":"a-comunicacao-de-saude-do-nos-ao-eles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-pt\/ideas\/uno\/a-comunicacao-de-saude-do-nos-ao-eles\/","title":{"rendered":"A comunica\u00e7\u00e3o de sa\u00fade: do n\u00f3s ao eles"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/12_2.jpg\"><\/a><\/p>\n<p>A sa\u00fade, a falta de sa\u00fade, as novidades cient\u00edficas, as formas em que se organizam as sociedades para oferecer sa\u00fade, as possibilidades de sa\u00fade dos produtos&#8230; s\u00e3o temas que foram se transformando em algo mais que frequentes na comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica. A comunica\u00e7\u00e3o de sa\u00fade evoluiu para uma superespecializa\u00e7\u00e3o multidisciplinar no qual interagem outras como a comunica\u00e7\u00e3o, a medicina, a ci\u00eancia, as ci\u00eancias sociais, a economia, a pol\u00edtica, a pedagogia, a sociologia e, inclusive, a psicologia.<\/p>\n<p>O conceito de sa\u00fade (com ou sem comunica\u00e7\u00e3o) evoluiu no \u00faltimo s\u00e9culo do \u201cn\u00e3o estar doente\u201d a conceitos mais positivos. A mais conhecida \u00e9 a defini\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (Pre\u00e2mbulo da Constitui\u00e7\u00e3o da OMS, assinada em 22 de julho de 1946 pelos representantes de 61 estados): \u201cA sa\u00fade \u00e9 um estado completo de bem-estar f\u00edsico, mental e social, e n\u00e3o somente a aus\u00eancia de afec\u00e7\u00f5es e doen\u00e7as\u201d. Mas em todas elas se pode deduzir que na sa\u00fade interv\u00eam diversos fatores.<\/p>\n<blockquote><p>Cada vez mais, a sa\u00fade tem uma importante rela\u00e7\u00e3o com o acesso que a popula\u00e7\u00e3o tem \u00e0 informa\u00e7\u00e3o<\/p><\/blockquote>\n<p>O primeiro deles \u00e9 a biologia humana ou a gen\u00e9tica, que n\u00e3o \u00e9 modific\u00e1vel com a\u00e7\u00f5es de comunica\u00e7\u00e3o, embora com ela possam ser transferidas informa\u00e7\u00f5es de interesse que t\u00eam a ver com doen\u00e7as e, sobretudo, com suas curas. Tamb\u00e9m interv\u00e9m o sistema de atendimento sanit\u00e1rio existente em um pa\u00eds. A comunica\u00e7\u00e3o aqui age no lobby, defendendo ou n\u00e3o os diferentes modelos propostos na sociedade, desde conceitos macroestrat\u00e9gicos a solu\u00e7\u00f5es micro. O meio ambiente tamb\u00e9m influi, n\u00e3o s\u00f3 como a exist\u00eancia ou n\u00e3o de polui\u00e7\u00e3o, mas em seu conceito mais amplo: meio ambiente f\u00edsico, psicol\u00f3gico ou cultural. A comunica\u00e7\u00e3o aqui interv\u00e9m informando ou denunciando. E, por \u00faltimo, o estilo de vida, o grande descobrimento da comunica\u00e7\u00e3o em sa\u00fade dos \u00faltimos anos. Cada vez mais as pessoas est\u00e3o interessadas em receber informa\u00e7\u00f5es que as ajude a conseguir h\u00e1bitos de vida saud\u00e1veis, e as empresas entenderam esta necessidade e desejam responder a ela.<\/p>\n<p>Tudo isso nos pode levar a assegurar que, cada vez mais, a sa\u00fade tem uma importante rela\u00e7\u00e3o com o acesso que temos \u00e0 informa\u00e7\u00e3o. E neste ponto surgem dois efeitos:<\/p>\n<p>1. A informa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade \u00e9 cada vez mais individual e menos social. Apesar de a comunica\u00e7\u00e3o ter se transformado em uma estrat\u00e9gia importante para a pol\u00edtica sanit\u00e1ria, a opini\u00e3o p\u00fablica est\u00e1 cada vez mais interessada em temas que a afetam de forma individual. Os grandes debates sobre sistemas de atendimento de sa\u00fade s\u00f3 interessam se acontecem levando-se em conta os recursos pr\u00f3ximos a n\u00f3s, e as informa\u00e7\u00f5es sobre estilo de vida devem estar voltadas a modificar atitudes facilmente assum\u00edveis pelo indiv\u00edduo, por exemplo.<\/p>\n<p>2. Em todas as enquetes, os temas de sa\u00fade est\u00e3o entre as prioridades de informa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m em todas as enquetes as pessoas dizem se sentir pouco ou mal informadas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/12.jpg\"><\/a>Na apari\u00e7\u00e3o destes dois paradigmas teve influ\u00eancia de forma not\u00e1vel a evolu\u00e7\u00e3o da comunica\u00e7\u00e3o. Aos dois tipos de imprensa tradicional, o textual e o audiovisual, se uniu a comunica\u00e7\u00e3o online. Se em outros \u00e2mbitos da sociedade a internet mudou as formas de a popula\u00e7\u00e3o se informar e as formas de empresas e institui\u00e7\u00f5es se comunicarem, no caso da sa\u00fade se transformou em uma aut\u00eantica revolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Alguns estudos falam que mais de 50% das pessoas conectadas \u00e0 internet buscam informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade, direta ou indiretamente, e o que \u00e9 mais importante: que a informa\u00e7\u00e3o que encontram vai impactar de alguma maneira as decis\u00f5es que v\u00e3o tomar. Os c\u00e1lculos mais conservadores falam em mais de 10 milh\u00f5es de p\u00e1ginas sobre sa\u00fade, \u00e0s quais \u00e9 preciso acrescentar a imensidade de aplica\u00e7\u00f5es que aparecem a cada dia para tablets e celulares que v\u00e3o desde perder peso a fazer diagn\u00f3sticos.<\/p>\n<p>Desejamos nos converter em especialistas de nossas doen\u00e7as, ainda mais se forem graves. Este \u00e9 um desejo humano, normal e bom. Queremos ressaltar a palavra bom, porque um cidad\u00e3o informado, especialmente se informado atrav\u00e9s da internet, constr\u00f3i rela\u00e7\u00f5es entre pessoas interessadas pelos mesmos temas de sa\u00fade e se transforma em um paciente independente em caso de doen\u00e7a. A internet torna mais acess\u00edvel, mais personaliz\u00e1vel e mais compartilh\u00e1vel a informa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e a transforma em algo social e emocional.<\/p>\n<blockquote><p>A internet tornou mais acess\u00edvel, mais personaliz\u00e1vel e mais facilmente compartilh\u00e1vel a informa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade e a transforma em algo social e emocional<\/p><\/blockquote>\n<p>No entanto, favorece tamb\u00e9m a figura do \u201ccibercondr\u00edaco\u201d (termo cunhado em 2009 por White e Horvitz, pesquisadores da Microsoft). A vasta informa\u00e7\u00e3o m\u00e9dica que h\u00e1 na Internet pode gerar temores extremos ou ansiedades. De fato, h\u00e1 estudos que mostram que 10 de cada 100 pessoas que buscam informa\u00e7\u00f5es sobre sa\u00fade na Internet terminam ansiosas ou preocupadas (Pew internet Research, 2006). Outro ponto fr\u00e1gil \u00e9 a falta de prote\u00e7\u00e3o na privacidade e na confidencialidade.<\/p>\n<p>A outra caracter\u00edstica comumente denunciada \u00e9 a falta de confiabilidade da informa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 certo: grande parte da informa\u00e7\u00e3o \u00e9 confi\u00e1vel. O problema reside na falta de mecanismos para diferenciar uma da outra. Os selos de qualidade n\u00e3o se transformaram em diferenciadores, basicamente porque menos da metade das buscas s\u00e3o feitas atrav\u00e9s de buscadores (Google). Cada vez \u00e9 maior o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, n\u00e3o atrav\u00e9s de p\u00e1ginas encontradas no Google, mas em f\u00f3runs. E neste cen\u00e1rio \u00e9 dif\u00edcil diferenciar as opini\u00f5es confi\u00e1veis e as que n\u00e3o s\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p>S\u00f3 as institui\u00e7\u00f5es que forem capazes de mandar mensagens pensando em seu interlocutor e que respondam a suas perguntas ser\u00e3o capazes de encontrar a zona de conflu\u00eancia entre empresa e receptor que gera a credibilidade<\/p><\/blockquote>\n<p>E da\u00ed se buscamos na Internet? Os resultados variam em fun\u00e7\u00e3o de se realizamos a busca a partir de um computador ou do telefone celular. Segundo o Yahoo!, 3 de cada 5 perguntas que buscamos sobre sa\u00fade atrav\u00e9s do celular t\u00eam rela\u00e7\u00e3o com sexo (gravidez, herpes, doen\u00e7as de transmiss\u00e3o sexual, etc). As raz\u00f5es: os jovens s\u00e3o os que mais usam os dispositivos telef\u00f4nicos para acessar a internet, e essas buscas est\u00e3o ligadas \u00e0 urg\u00eancia na necessidade de informa\u00e7\u00e3o. De forma geral, as palavras mais procuradas t\u00eam a ver com herpes, gravidez, depress\u00e3o, cora\u00e7\u00e3o e c\u00e2ncer de mama.<\/p>\n<p>A internet representa uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o na comunica\u00e7\u00e3o on e offline de sa\u00fade. N\u00e3o s\u00f3 fez com que a comunica\u00e7\u00e3o de sa\u00fade se personalize, se individualize, se torne emotiva e facilmente compartilh\u00e1vel, mas lembrou que o foco sempre deve estar em quem l\u00ea ou escuta. A internet descobriu que as pessoas n\u00e3o buscamos \u201ctomografia axial computadorizada\u201d, nem \u201cexames radiol\u00f3gicos para o c\u00e9rebro\u201d, \u00e0s vezes nem sequer \u201ctumor cerebral\u201d ou \u201cc\u00e2ncer no c\u00e9rebro\u201d, mas buscamos \u201cdor de cabe\u00e7a\u201d. Toda esta aprendizagem tem que chegar tamb\u00e9m \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o offline.<\/p>\n<p>S\u00f3 as empresas que forem capazes de mandar mensagens pensando em seu interlocutor, que respondam a suas perguntas, que ofere\u00e7am uma informa\u00e7\u00e3o pensada nele como pessoa, n\u00e3o s\u00f3 como ser pensante, ser\u00e3o capazes de lhe transferir seus interesses e encontrar essa zona de conflu\u00eancia entre empresa e receptor que gera a t\u00e3o ansiada credibilidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A sa\u00fade, a falta de sa\u00fade, as novidades cient\u00edficas, as formas em que se organizam as sociedades para oferecer sa\u00fade, as possibilidades de sa\u00fade dos produtos&#8230; s\u00e3o temas que foram se transformando em algo mais que frequentes na comunica\u00e7\u00e3o p\u00fablica. 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