{"id":476904,"date":"2013-11-15T10:36:09","date_gmt":"2013-11-15T09:36:09","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/sete-desafios-para-a-inclusao-social-argentina\/"},"modified":"2026-08-11T14:41:59","modified_gmt":"2026-08-11T12:41:59","slug":"sete-desafios-para-a-inclusao-social-argentina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-pt\/ideas\/uno\/sete-desafios-para-a-inclusao-social-argentina\/","title":{"rendered":"Sete desafios para a inclus\u00e3o social argentina"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/05_2.jpg\"><\/a><\/p>\n<p>Depois da crise de 2001, a Argentina teve uma d\u00e9cada de crescimento econ\u00f4mico com taxas pr\u00f3ximas a 8% por ano. No entanto, esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o impactou em todos os argentinos do mesmo modo, e continuamos com uma estrutura social muito desigual: a diferen\u00e7a de receitas entre os 10% mais ricos e os 10% mais pobres \u00e9 hoje de 22 a 1.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos tempos, o Estado gerou pol\u00edticas sociais com uma orienta\u00e7\u00e3o mais ampla, como a aloca\u00e7\u00e3o Universal por Filho. Tamb\u00e9m melhorou a infraestrutura b\u00e1sica. Sem d\u00favida, os mais pobres est\u00e3o melhor que durante os anos 90, mas conceitualmente t\u00eam dificuldades similares. A educa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 a via para gerar uma mobilidade social ascendente que permita entrar no mundo do trabalho. Por isso, um dos grandes desafios para o Estado \u00e9 conseguir trocar a assist\u00eancia por mecanismos que permitam acesso ao trabalho.<\/p>\n<p>O primeiro desafio \u00e9 resolver o problema de pobreza estrutural. Conseguir que todos os habitantes do pa\u00eds tenham servi\u00e7os b\u00e1sicos em casa. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio estabelecer uma forte pol\u00edtica de investimento em infraestrutura, com recursos permanentes para as \u00e1reas sociais e gerar pol\u00edticas focadas nos grandes centros urbanos. Eliminar os bols\u00f5es de pobreza, que atualmente atinge cerca de 22%, n\u00e3o parece um desafio t\u00e3o complexo se levarmos em conta o crescimento econ\u00f4mico e os recursos com os quais conta o Estado.<\/p>\n<blockquote><p>Os hospitais est\u00e3o sendo utilizados pela popula\u00e7\u00e3o para atendimento prim\u00e1rio e secund\u00e1rio, o que provoca sobrecarga e satura\u00e7\u00e3o no atendimento de pacientes<\/p><\/blockquote>\n<p>O segundo eixo est\u00e1 na distribui\u00e7\u00e3o territorial. Temos dois tipos de desequil\u00edbrio. Um ligado \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de cidad\u00e3os em um espa\u00e7o territorial reduzido: na \u00e1rea metropolitana, que representa 1% do territ\u00f3rio nacional, vive quase 1\/3 da popula\u00e7\u00e3o argentina. Isso representa um grande problema econ\u00f4mico para conseguir crescimento e tamb\u00e9m para gerar pol\u00edticas sociais. O segundo tipo de desequil\u00edbrio tem a ver com a necessidade de pautar metas para cada regi\u00e3o: povoar a Patag\u00f4nia; gerar um fundo especial para favorecer o Norte; acompanhar atividades produtivas estrat\u00e9gicas e reequilibrar a rela\u00e7\u00e3o de Buenos Aires com o interior.<\/p>\n<p>O terceiro ponto requer o estabelecimento de um plano estrat\u00e9gico de desenvolvimento para definir se ser\u00e1 um pa\u00eds agroindustrial; mais industrial que de produ\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria ou um pa\u00eds de servi\u00e7os. \u00c9 claro que necessitamos um plano que estabele\u00e7a com clareza o papel da minera\u00e7\u00e3o, da soja, dos recursos naturais, das cadeias produtivas, entre outros temas e atividades que requerem defini\u00e7\u00f5es imediatas. Esta defini\u00e7\u00e3o deve ser conjugada n\u00e3o s\u00f3 com um esquema de financiamento, mas tamb\u00e9m com um sistema de educa\u00e7\u00e3o que acompanhe e vincule essas atividades e com o apoio \u00e0quelas cadeias produtivas que geram empregos para os setores com menos oportunidades de acesso ao mercado de trabalho.<\/p>\n<blockquote><p>A educa\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 a via de mobilidade social para entrar no trabalho formal porque a escola secund\u00e1ria n\u00e3o equipara os n\u00edveis de conhecimento e acesso \u00e0 tecnologia dos jovens<\/p><\/blockquote>\n<p>O quarto desafio determina a necessidade de reduzir o trabalho informal (hoje em 32%) a partir da regula\u00e7\u00e3o estatal e a massifica\u00e7\u00e3o do cr\u00e9dito para o \u2018cuentapropismo\u2019 e a economia social. Se continuarmos com um mercado de trabalho de duas velocidades (formal e informal), ser\u00e1 dif\u00edcil diminuir as brechas sociais.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.pt\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/05.jpg\"><\/a>Os conte\u00fados na escola secund\u00e1ria e a qualidade educativa requerem uma especial aten\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 o quinto desafio social do pa\u00eds antes do final desta d\u00e9cada. As conquistas de ter destinado mais de 6% do PIB \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, a entrega de netbooks e o aumento de alunos nas escolas secund\u00e1rias pela Aloca\u00e7\u00e3o Universal por Filho marcam os novos desafios. Fazem falta mais escolas secund\u00e1rias e investimento, como tamb\u00e9m equilibrar os n\u00edveis de conhecimento, de tecnologia e infraestrutura entre a escola p\u00fablica e a privada. As crian\u00e7as que estudam em uma escola privada, muitas vezes, aprendem conte\u00fados diferentes das que est\u00e3o na escola p\u00fablica. As desigualdades se agu\u00e7am no ensino m\u00e9dio.<\/p>\n<p>O sexto desafio se refere \u00e0 reestrutura\u00e7\u00e3o do sistema de sa\u00fade. O atendimento b\u00e1sico atravessa uma forte dificuldade, e toda a rede de hospitais \u2013que melhorou em infraestrutura\u2013 est\u00e1 sendo utilizada pela popula\u00e7\u00e3o como atendimento prim\u00e1rio e secund\u00e1rio. Isto faz com que uma pessoa, perante qualquer eventualidade, n\u00e3o v\u00e1 aos postos de sa\u00fade de seu bairro, mas ao hospital. Isso provoca uma sobrecarga, uma satura\u00e7\u00e3o e colapso no atendimento de pacientes.<\/p>\n<p>Por fim, o s\u00e9timo eixo aponta para melhorias nas condi\u00e7\u00f5es de vida dos eixos menos vis\u00edveis: comunidades abor\u00edgines, pessoas com incapacidade, viol\u00eancia de g\u00eanero e tr\u00e1fico humano. Ou seja, junto com os programas universais, devemos avan\u00e7ar em a\u00e7\u00f5es espec\u00edficas nos grupos que t\u00eam seus direitos enfraquecidos.<\/p>\n<p>A Argentina \u00e9 um pa\u00eds com muitas capacidades, 30 anos de democracia, um territ\u00f3rio vasto e grandes recursos naturais. O contexto internacional, al\u00e9m dos vaiv\u00e9ns atuais, parece nos dar uma nova oportunidade que n\u00e3o devemos desperdi\u00e7ar.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois da crise de 2001, a Argentina teve uma d\u00e9cada de crescimento econ\u00f4mico com taxas pr\u00f3ximas a 8% por ano. 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