{"id":476967,"date":"2013-12-09T13:05:28","date_gmt":"2013-12-09T12:05:28","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/uma-alianca-que-beneficia-o-cidadao\/"},"modified":"2026-08-11T14:40:01","modified_gmt":"2026-08-11T12:40:01","slug":"uma-alianca-que-beneficia-o-cidadao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-pt\/ideas\/uno\/uma-alianca-que-beneficia-o-cidadao\/","title":{"rendered":"Uma Alian\u00e7a que beneficia o cidad\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.pt\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/socias_2.jpg\"><\/a>A pouco mais de dois anos de assinada a Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, inst\u00e2ncia de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, cultural e social entre Chile, Col\u00f4mbia, M\u00e9xico e Peru, \u00e9 importante ler os sinais e o sentido que tem o esfor\u00e7o de integra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da import\u00e2ncia do acordo, o relevante \u00e9 que transmite a comunidade latino-americana e internacional a vis\u00e3o compartilhada pelos pa\u00edses-membros da necessidade de fomentar o livre-com\u00e9rcio e a competitividade de suas economias como modelo para alcan\u00e7ar o desenvolvimento econ\u00f4mico. Mas este convencimento de ir al\u00e9m do crescimento econ\u00f4mico n\u00e3o faz sentido em si mesmo, embora permita impactar positivamente a pobreza e diminuir a desigualdade social.<\/p>\n<p>Chile, Col\u00f4mbia, M\u00e9xico e Peru podem ser considerados atualmente como as economias emergentes melhor avaliadas dentro da Am\u00e9rica Latina, e s\u00e3o reconhecidas em n\u00edvel mundial. Segundo n\u00fameros do FMI, este bloco goza de boa sa\u00fade. Os n\u00fameros de 2012 mostram um PIB de US$ 2 trilh\u00f5es &#8211; que representa 3,5% do mundial; uma popula\u00e7\u00e3o de 211 milh\u00f5es de pessoas, com um PIB per capita m\u00e9dio de US$ 14,2 e em constante aumento; uma taxa de desemprego m\u00e9dia de 7,2%; uma infla\u00e7\u00e3o contida em torno de 3,5% e um investimento estrangeiro direto que alcan\u00e7ou os US$ 70 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>O crescimento econ\u00f4mico sustentado dos quatro pa\u00edses, assim como suas preocupa\u00e7\u00f5es com o desenvolvimento social, foi destacado por organismos internacionais. De nossa realidade, em fim de outubro, a OCDE reunida em Santiago qualificou como robusto e s\u00f3lido o desempenho econ\u00f4mico e fiscal do pa\u00eds em seu estudo Econ\u00f4mico do Chile 2013, e apesar de reconhecer uma tend\u00eancia de desacelera\u00e7\u00e3o, ressaltou que o ritmo de cria\u00e7\u00e3o de postos de trabalho no pa\u00eds \u00e9 &#8220;invej\u00e1vel&#8221;. O Chile assinalou que, &#8220;a OCDE alcan\u00e7ou avan\u00e7os formid\u00e1veis rumo a uma maior prosperidade econ\u00f4mica e de redu\u00e7\u00e3o da pobreza. A renda per capita mais que quintuplicou durante os \u00faltimos 20 anos, se convertendo na mais elevada da Am\u00e9rica Latina&#8221;.<\/p>\n<blockquote><p>Ter a capacidade de somar as virtudes econ\u00f4micas da integra\u00e7\u00e3o produtiva, mudan\u00e7as substantivas em benef\u00edcio dos cidad\u00e3os \u00e9 uma tarefa principal para este grupo.<\/p><\/blockquote>\n<p>Na mesma linha, um dos benef\u00edcios da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico \u00e9 transmitir um clima prop\u00edcio de estabilidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica e sinais de certeza jur\u00eddica que tornem atraente o investimento estrangeiro internacional e entre pa\u00edses-membros. Como exemplo, o ranking 2014 sobre Facilidade para Fazer Neg\u00f3cios do Banco Mundial e a International Finance Corporation (IFC) publicado em outubro, localiza o grupo de pa\u00edses em torno dos 50 onde \u00e9 mais f\u00e1cil realizar um neg\u00f3cio, em um total de 189 na\u00e7\u00f5es. Por sua vez, o World Economic F\u00f3rum, em seu relat\u00f3rio sobre Competitividade das Na\u00e7\u00f5es, os situa dentro das 70 economias mais competitivas, em 148 pa\u00edses.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m de n\u00fameros, quais podem ser considerados impactos concretos deste esfor\u00e7o de integra\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>O sentido da integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-social \u00e9 aprofundar a troca de bens, investimento estrangeiro e movimento de pessoas, com clara orienta\u00e7\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 promo\u00e7\u00e3o efetiva de oportunidades de neg\u00f3cios entre os pa\u00edses participantes. Obviamente, ter\u00e1 benef\u00edcios diretos sobre a troca comercial. Al\u00e9m disso, a alian\u00e7a visa que exista livre circula\u00e7\u00e3o de bens de exporta\u00e7\u00e3o que no conjunto representam US$ 20 bilh\u00f5es em 2011 entre os pa\u00edses do bloco. Para isso, fomenta a coopera\u00e7\u00e3o entre alf\u00e2ndegas e um al\u00edvio tarif\u00e1rio de quase 90% dos produtos exportados entre as na\u00e7\u00f5es membros. Este esfor\u00e7o deve chegar diretamente aos consumidores, que poder\u00e3o ter acesso a uma maior variedade e melhor qualidade de bens a menor pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Por sua vez, potencializar\u00e1 os j\u00e1 fortes e pr\u00f3ximos la\u00e7os comerciais gerados por grandes investimentos de empresas corporativas em pa\u00edses do bloco, que se transformaram em companhias &#8220;multilatinas&#8221;. Surge assim uma dupla oportunidade: os pa\u00edses de mercados emergentes n\u00e3o s\u00f3 s\u00e3o destinos de capital estrangeiro, mas se transformaram com rapidez em investidores importantes no exterior. Nesta tomada de decis\u00f5es, os tratados tiveram um papel muito relevante porque conseguiram diminuir o n\u00edvel de risco e permitir o crescimento em novos mercados.<\/p>\n<blockquote><p>A Alian\u00e7a do Pac\u00edfico potencializar\u00e1 os j\u00e1 fortes e pr\u00f3ximos la\u00e7os comerciais gerados por grandes investimentos de empresas corporativas em pa\u00edses do bloco, as empresas multilatinas.<\/p><\/blockquote>\n<p>O ranking multilatinas 2013 da revista Am\u00e9rica Economia mostra que 56% das 80 corpora\u00e7\u00f5es mais importantes da Am\u00e9rica Latina pertencem a algum pa\u00eds membro da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico. O M\u00e9xico ostenta 18 empresas no ranking; Peru com tr\u00eas destacadas; Col\u00f4mbia aparece pela internacionaliza\u00e7\u00e3o de quatro delas, e Chile lidera em volume com vinte empresas.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, as multilatinas foram capazes de transferir <em>know how<\/em> e experi\u00eancia a servi\u00e7o de projetos, clientes e comunidades em que atuam. A empresa de retail Mall Plaza, do Chile, \u00e9 um claro exemplo: na d\u00e9cada de 90, sustentou seu modelo de neg\u00f3cio no estudo profundo de uma classe m\u00e9dia emergente no pa\u00eds para conhecer seus anseios e expectativas, o que o permitiu estar \u00e0 frente das necessidades. Com essa vis\u00e3o, multiplicou &#8220;centros urbanos&#8221; paralelamente ao crescimento das rendas m\u00e9dia dos chilenos. Depois, com olhar regional, identificou cen\u00e1rios similares e esfor\u00e7os de estabilidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica no Peru e Col\u00f4mbia, e viu que o modelo era export\u00e1vel: o Peru j\u00e1 tem quatro centros urbanos e se prepara a abertura do segundo na Col\u00f4mbia. &#8220;Ser os maiores no Chile, com lideran\u00e7a em inova\u00e7\u00e3o e crescimento, nos levou a olhar para fora. Significou toda uma aprendizagem: primeiro nos v\u00edamos como do Chile, como uma empresa com opera\u00e7\u00f5es no Peru e Col\u00f4mbia, hoje nos colocamos como uma companhia regional, com padr\u00f5es e propostas de valor regionais. Significa fazer as coisas e estruturar o neg\u00f3cio de outra forma, buscando as melhores pr\u00e1ticas e aplica\u00e7\u00f5es locais&#8221;, destaca Fernando de Pe\u00f1a, que lidera o Mall Plaza h\u00e1 mais de 15 anos.<\/p>\n<p>A Enersis e sua aliada Endesa na Am\u00e9rica Latina s\u00e3o outro exemplo de integra\u00e7\u00e3o regional e sua participa\u00e7\u00e3o ajudou a mudar a vida de muita gente em comunidades ou zonas isoladas. Mas n\u00e3o s\u00f3 esta companhia, v\u00e1rias empresas fazem uma aposta simult\u00e2nea em educa\u00e7\u00e3o, convencidas de que \u00e9 a grande ferramenta que permite mobilidade social e que a possibilidade de estudar faz diferen\u00e7a. M\u00faltiplos programas em diferentes pa\u00edses mostram como um trabalho coordenado permite transferir as melhores pr\u00e1ticas em esfor\u00e7os que n\u00e3o passam s\u00f3 por melhorar rentabilidade de \u00faltima linha, mas por investir em intang\u00edveis com o melhor retorno: recursos humanos, mobilidade interna, seguran\u00e7a laboral e responsabilidade social.<\/p>\n<p>Atualmente, o resto do mundo olha com interesse a Alian\u00e7a do Pac\u00edfico. H\u00e1 20 pa\u00edses observadores, com inten\u00e7\u00f5es de se integrarem a ela, e alguns, como Costa Rica e Panam\u00e1, que j\u00e1 s\u00e3o candidatos a ser membros do grupo, o que demonstra o dinamismo e amplo potencial do bloco.<\/p>\n<p>Mas como assinalamos ao iniciar esta reflex\u00e3o, o esfor\u00e7o de crescimento econ\u00f4mico faz sentido na medida em que impacta na qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses signat\u00e1rios. H\u00e1 alguns anos, um fen\u00f4meno global movimentou a rela\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os com as institui\u00e7\u00f5es. O papel que foi assumindo a sociedade civil e a tend\u00eancia a uma &#8220;cidadania ativa&#8221; impactaram frontalmente n\u00e3o s\u00f3 as decis\u00f5es pol\u00edticas, mas tamb\u00e9m a rela\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o com as empresas, que constataram como importantes projetos em \u00e2mbitos produtivos e de servi\u00e7os s\u00e3o questionados pela comunidade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.pt\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/socias_1.jpg\"><\/a>Atualmente, a comunidade \u00e9 e deve ser vista como agente essencial para o \u00eaxito de projetos empresariais. N\u00e3o reconhec\u00ea-lo ou abord\u00e1-lo de maneira reativa gera consequ\u00eancias que podem ser devastadoras e irrevers\u00edveis, em perdas n\u00e3o s\u00f3 de grandes investimentos, mas de reputa\u00e7\u00e3o corporativa. Um desafio estrat\u00e9gico para as companhias \u00e9 sua vincula\u00e7\u00e3o adiantada com seus entornos sociais, n\u00e3o s\u00f3 para conseguir a aprova\u00e7\u00e3o de um projeto, tamb\u00e9m para estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o de longo prazo e, sobretudo, de m\u00fatuo benef\u00edcio. Um v\u00ednculo instrumental ou utilit\u00e1rio de parte da empresa tirar\u00e1 toda credibilidade e se transformar\u00e1 em um desperd\u00edcio de recursos, energia e tempo.<\/p>\n<p>No Chile, vemos sinais no caminho correto. H\u00e1 um ano, o ent\u00e3o presidente da Confedera\u00e7\u00e3o da Produ\u00e7\u00e3o e do Com\u00e9rcio (CPC), Lorenzo Constans, afirmou categoricamente que &#8220;a empresa tem uma responsabilidade que n\u00e3o podemos fugir: hoje devemos ser uma empresa cidad\u00e3, inserida nas comunidades e atenta \u00e0s necessidades de todos os chilenos&#8221;.<\/p>\n<p>No fim de outubro, houve um segundo sinal: empres\u00e1rios do mais alto n\u00edvel avan\u00e7aram em um esfor\u00e7o por estender boas pr\u00e1ticas corporativas lan\u00e7ando o projeto &#8220;Bem comum, dilemas \u00e9ticos e compromissos empresariais&#8221;, que aborda temas de livre concorr\u00eancia; auto-regula\u00e7\u00f5es, comunidades e meio ambiente; rela\u00e7\u00f5es com os trabalhadores, consumidores e <em>stakeholders<\/em>. Declara\u00e7\u00f5es como &#8220;a empresa n\u00e3o parte na venda e termina na utilidade, mas come\u00e7a na venda e termina na sociedade&#8221;, de Alfonso Swett, vice-presidente da Sociedade de Fomento Fabril. E &#8220;a empresa s\u00f3 pode existir no longo prazo se entrega um benef\u00edcio \u00e0 sociedade maior que os custos que provoca&#8221;, de Gerardo Jofr\u00e9, presidente do diret\u00f3rio da Codelco s\u00e3o sintom\u00e1ticas de uma mudan\u00e7a que, esperamos, tenha chegado para ficar.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 bom sinal ver como os empres\u00e1rios hoje aplaudem e avaliam esfor\u00e7os de integra\u00e7\u00e3o regional, inst\u00e2ncias que em d\u00e9cadas passadas foram tachadas de burocr\u00e1ticas e pouco eficientes.<\/p>\n<p>O estudo Chilescopio 2012, apresentado pela Universidade do Desenvolvimento (UDD), revelou que 73% dos cidad\u00e3os consultados percebe &#8220;muito abuso&#8221; das empresas com os trabalhadores e que 71% considera que h\u00e1 &#8220;muito abuso&#8221; das empresas com os consumidores.<\/p>\n<p>Apesar de o Chile ter mostrado um s\u00f3lido crescimento econ\u00f4mico e uma importante redu\u00e7\u00e3o da pobreza (38,6% em 1990 a 14,4% em 2011), se mant\u00e9m como o pa\u00eds mais desigual entre os integrantes da OCDE e um dos 20 mais desiguais do mundo, segundo o Banco Mundial. Como destacou recentemente o secret\u00e1rio-geral da OCDE, \u00c1ngel Gurr\u00eda, a diminui\u00e7\u00e3o da brecha de desigualdade no Chile a partir da aplica\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas na linha correta permitiu fazer diferen\u00e7a com outras na\u00e7\u00f5es. Acrescentou, no entanto, que o &#8220;n\u00edvel continua sendo inaceit\u00e1vel do ponto de vista de nossas ambi\u00e7\u00f5es respeito de uma sociedade mais igualit\u00e1ria&#8221;.<\/p>\n<p>Nesse contexto, nem Chile nem os pa\u00edses integrantes da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico podem fechar os olhos. Tamb\u00e9m em palavras de Gurr\u00eda, a desigualdade na Am\u00e9rica Latina pode ser abordada com mais educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, infraestrutura, oportunidades, crescimento e emprego, em um continente que apesar de n\u00e3o ser o mais pobre do mundo, apresenta as maiores desigualdades e, por isso, \u00e9 preciso trabalhar nessas quest\u00f5es. Esse \u00e9 um dos desafios da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico. Ter a capacidade de somar as virtudes econ\u00f4micas da integra\u00e7\u00e3o produtiva, mudan\u00e7as substantivas em benef\u00edcio dos cidad\u00e3os. Conseguir que declara\u00e7\u00f5es e acordos se traduzam em resultados percebidos e valorados pela cidadania \u00e9 uma tarefa principal. Isso representa trabalhar uma rela\u00e7\u00e3o estado-empresa-sociedade baseada na proximidade, no reconhecimento m\u00fatuo e na transpar\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pouco mais de dois anos de assinada a Alian\u00e7a do Pac\u00edfico, inst\u00e2ncia de integra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, cultural e social entre Chile, Col\u00f4mbia, M\u00e9xico e Peru, \u00e9 importante ler os sinais e o sentido que tem o esfor\u00e7o de integra\u00e7\u00e3o. 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