{"id":477012,"date":"2014-04-21T16:35:00","date_gmt":"2014-04-21T14:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/recursos-naturais-entre-bencao-e-a-maldicao\/"},"modified":"2026-08-11T14:38:50","modified_gmt":"2026-08-11T12:38:50","slug":"recursos-naturais-entre-bencao-e-a-maldicao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-pt\/ideas\/uno\/recursos-naturais-entre-bencao-e-a-maldicao\/","title":{"rendered":"Recursos naturais, entre b\u00ean\u00e7\u00e3o e a maldi\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Os recursos naturais s\u00e3o uma b\u00ean\u00e7\u00e3o em qualquer lugar que se olhe na Am\u00e9rica Latina. Isso sim, para que se transformem num benef\u00edcio para um pa\u00eds, e n\u00e3o numa maldi\u00e7\u00e3o, sua explora\u00e7\u00e3o deve ser acompanhada de um conjunto de pol\u00edticas p\u00fablicas adequadas. Historicamente os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina t\u00eam tido essa b\u00ean\u00e7\u00e3o de recursos naturais, mas se t\u00eam visto amaldi\u00e7oados por m\u00e1s e inadequadas pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>O conhecimento das circunst\u00e2ncias econ\u00f4micas e sociais em torno do aproveitamento dos recursos naturais \u00e9 imprescind\u00edvel para uma correta tomada de decis\u00f5es, como se indica no Campus Am\u00e9rica Latina, rec\u00e9m-apresentado pela Infolatam, UNIR (Unidade Internacional de La Rioja) e d+i LLORENTE&amp;CUENCA.<\/p>\n<p>Efetivamente, a Am\u00e9rica Latina pode considerar-se uma regi\u00e3o aben\u00e7oada pelos recursos naturais, que se transformaram num grande ativo e numa vantagem comparativa: possui 20% da superf\u00edcie de bosques, um ter\u00e7o da superf\u00edcie mundial e das reservas de \u00e1gua doce, 31% da produ\u00e7\u00e3o mundial de biocombust\u00edveis, 47% da produ\u00e7\u00e3o mundial de cobre e 48% da produ\u00e7\u00e3o mundial de soja.<\/p>\n<p>S\u00e3o cifras que, por si s\u00f3, espantam e \u00e0s quais temos que acrescentar 65% das reservas mundiais de l\u00edtio, 42% de prata, 38% de cobre, 33% de estanho, 21% de ferro, 18% de bauxita e 14% de n\u00edquel. Tamb\u00e9m cabe destacar as reservas petroleiras: tem um ter\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o mundial de bioetanol, cerca de 25% dos biocombust\u00edveis e 13% do petr\u00f3leo.<\/p>\n<blockquote><p>A Am\u00e9rica Latina pode considerar-se uma regi\u00e3o aben\u00e7oada com recursos naturais, que se transformaram num grande ativo e numa vantagem comparativa.<\/p><\/blockquote>\n<p>Mas essa b\u00ean\u00e7\u00e3o tem sido acompanhada tradicionalmente de uma s\u00e9rie de maldi\u00e7\u00f5es: excessiva volatilidade devido a pouca diversifica\u00e7\u00e3o exportadora assim como alta depend\u00eancia de suas mat\u00e9rias primas. Essa depend\u00eancia da regi\u00e3o com respeito a suas mat\u00e9rias primas continua sendo muito alta (de mais de 50%) embora tenha ca\u00eddo de 86% nos anos 70. Em 2010, por exemplo, quase 25% dos rendimentos fiscais dos pa\u00edses da regi\u00e3o derivavam das mat\u00e9rias primas, frente a 9% dos pa\u00edses desenvolvidos.<\/p>\n<p>Portanto, a chave para uma abund\u00e2ncia em recursos naturais ser o pilar de um desenvolvimento sustent\u00e1vel, um crescimento econ\u00f4mico saud\u00e1vel e que suas externalidades contribuam para construir uma sociedade com menos desigualdade e menos pobreza \u00e9 que exista uma decidida vontade pol\u00edtica para explorar, de forma racional, esses recursos naturais.<\/p>\n<blockquote><p>Faltam vontade pol\u00edtica e um amplo consenso sociopol\u00edtico em escala nacional entre as principais for\u00e7as e partidos, a fim de se elaborar uma verdadeira pol\u00edtica de Estado em torno da explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais.<\/p><\/blockquote>\n<p>Nesta d\u00e9cada dourada do crescimento latino-americano (2003-2013) os recursos naturais t\u00eam servido para vincular crescimento com equidade, j\u00e1 que esse crescimento econ\u00f4mico e a abund\u00e2ncia de permitiram impulsionar pol\u00edticas de gastos sociais altamente expansivas. Mas n\u00e3o se tem aproveitado este ciclo para construir economias mais produtivas nem para elevar a competitividade da economia regional.<\/p>\n<p>Falta vontade pol\u00edtica e um amplo consenso sociopol\u00edtico em escala nacional entre as principais for\u00e7as e partidos, a fim de elaborar uma verdadeira pol\u00edtica de Estado em torno da explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais. O objetivo final n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o criar e preservar o \u201cprojeto-pa\u00eds\u201d do vaiv\u00e9m pr\u00f3prio das conjunturas eleitorais ou os interesses partid\u00e1rios e setoriais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Essas pol\u00edticas p\u00fablicas devem ter como objetivo apoiar a diversifica\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es e a moderniza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica (apostando nas infraestruturas e na introdu\u00e7\u00e3o de valor agregado nas exporta\u00e7\u00f5es por meio, por exemplo, da gera\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica). Essa diversifica\u00e7\u00e3o das exporta\u00e7\u00f5es \u00e9 um elemento vital para eludir as bruscas mudan\u00e7as dos pre\u00e7os internacionais.<\/p>\n<p>Alguns pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina n\u00e3o s\u00f3 dependem em excesso das exporta\u00e7\u00f5es de recursos naturais, mas essa depend\u00eancia, ocasionalmente, \u00e9 de uma s\u00f3 <em>commodity<\/em>. Mais da metade das exporta\u00e7\u00f5es de Trinidad e Tobago (87%), Venezuela (81%), Bol\u00edvia (63%), Chile (55,7%) e Equador (55%) est\u00e1 relacionada com estes recursos. J\u00e1 em outras economias essa porcentagem \u00e9 inferior, embora continue elevada, como na Guiana (42%), Peru (32,9%), Col\u00f4mbia (23,9%) e M\u00e9xico (15,8%).<\/p>\n<p>Assim, a diversifica\u00e7\u00e3o e a moderniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o a base sobre a qual construir economias mais eficientes, respeitosas com o meio ambiente, produtivas e competitivas cujas exporta\u00e7\u00f5es (baseadas em recursos naturais ou em manufaturas) contenham um alto valor agregado e estejam amparadas por pol\u00edticas p\u00fablicas saneadas com rela\u00e7\u00e3o a seus n\u00edveis de endividamento e d\u00e9ficits p\u00fablicos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Pa\u00edses como Brasil, M\u00e9xico, Chile ou Peru, entre outros, veem suas economias marcadas pelo aproveitamento dos recursos. Depois da crise mundial em 2008-2009, a Am\u00e9rica Latina est\u00e1 passando relativamente bem pela atual tempestade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>O fator chave foi a conex\u00e3o asi\u00e1tica. A Am\u00e9rica Latina \u00e9 rica em recursos naturais. E os pa\u00edses asi\u00e1ticos, sobretudo a China, s\u00e3o grandes compradores de mat\u00e9rias primas. O consumo da China de cobre, soja e azeite, entre outros produtos prim\u00e1rios, fez aumentar os pre\u00e7os.<\/p>\n<p>O auge dos pre\u00e7os de mat\u00e9rias primas ajudou os pa\u00edses latino-americanos a aumentar reservas estrangeiras e reduzir desequil\u00edbrios tradicionais fiscais, criando um c\u00edrculo virtuoso de crescimento econ\u00f4mico. Apesar de tudo, as economias centro-americanas e a maioria dos pa\u00edses caribenhos, que s\u00e3o importadores l\u00edquidos de bens prim\u00e1rios, viram-se afetados negativamente pelo aumento dos pre\u00e7os.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os recursos naturais s\u00e3o uma b\u00ean\u00e7\u00e3o em qualquer lugar que se olhe na Am\u00e9rica Latina. 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