{"id":477083,"date":"2014-07-11T10:25:00","date_gmt":"2014-07-11T08:25:00","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/a-diplomacia-como-uma-atividade-profissional-do-seculo-xxi\/"},"modified":"2026-08-11T14:36:35","modified_gmt":"2026-08-11T12:36:35","slug":"a-diplomacia-como-uma-atividade-profissional-do-seculo-xxi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-pt\/ideas\/uno\/a-diplomacia-como-uma-atividade-profissional-do-seculo-xxi\/","title":{"rendered":"A diplomacia como uma atividade profissional do s\u00e9culo XXI"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.pt\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/07_2.jpg\"><\/a>Vamos falar sobre a diplomacia na atualidade e sua utilidade no contexto contempor\u00e2neo Em primeiro lugar, vamos recorrer a uma defini\u00e7\u00e3o sempre \u00fatil para compreender e contextualizar essa quest\u00e3o. A diplomacia consiste em: &#8220;a\u00e7\u00f5es realizadas pelos Estados para que as rela\u00e7\u00f5es entre eles n\u00e3o sejam instrumentalizadas, principalmente por meio de press\u00f5es, amea\u00e7as de uso ou uso da for\u00e7a&#8221;. Essa \u00e9 uma defini\u00e7\u00e3o de cunho bastante &#8220;realista&#8221;. Isso significa que o sistema internacional, na falta de um \u201cinstrumento&#8221; diplom\u00e1tico, seria uma esp\u00e9cie de &#8220;selva&#8221; na qual, sempre e inevitavelmente, o mais forte se imporia sobre o mais fraco. Por outro lado, um &#8220;idealista&#8221; diria que: &#8220;a diplomacia \u00e9 uma forma de conduzir as rela\u00e7\u00f5es internacionais atrav\u00e9s de meios pac\u00edficos, principalmente, a negocia\u00e7\u00e3o, o consenso e o compromisso&#8221;. Esta vis\u00e3o rejeita o uso de &#8220;press\u00f5es&#8221; e defende que, em uma negocia\u00e7\u00e3o, independentemente da dimens\u00e3o dos atores, todos devem &#8220;ganhar&#8221; alguma coisa. O fato de ficar com uma parte do &#8220;bolo&#8221; em quest\u00e3o \u00e9 fundamental para os idealistas, porque esse \u00e9 o fator que garante a sustentabilidade de qualquer acordo diplom\u00e1tico entre os pa\u00edses.<\/p>\n<p>Para os idealistas, cujo modo de ver as coisas, na minha opini\u00e3o, \u00e9 a mais amplamente aceita hoje se n\u00e3o houvesse tais vantagens rec\u00edprocas. A parte perdedora, cedo ou tarde, come\u00e7aria a criar dificuldades que impregnariam o sistema regional ou internacional, renovando a incerteza e a instabilidade. Essas circunst\u00e2ncias s\u00e3o bastante negativas, porque n\u00e3o permitem construir rela\u00e7\u00f5es de amizade e coopera\u00e7\u00e3o, que s\u00e3o essenciais para a paz de acordo com o que \u00e9 estabelecido na Carta da OEA e na Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Al\u00e9m disso, esses seriam os cen\u00e1rios menos favor\u00e1veis para a diplomacia, uma vez que, renovar um acordo &#8220;n\u00e3o equitativo&#8221; \u00e9 muito dif\u00edcil, leva tempo, \u00e0s vezes, mudan\u00e7as fundamentais na &#8220;equa\u00e7\u00e3o de poder&#8221; entre os atores, e tudo isso implica tens\u00f5es que colocam de lado o di\u00e1logo e origina &#8220;gesticula\u00e7\u00f5es&#8221; pol\u00edticas est\u00e9reis. Existem tantos exemplos disso, que considero desnecess\u00e1rio mencion\u00e1-los.<\/p>\n<blockquote><p>O mais relevante hoje \u00e9 a complexidade da diplomacia em fun\u00e7\u00e3o da multiplicidade de atores.<\/p><\/blockquote>\n<p>Para al\u00e9m do exposto acima, atualmente, o mais relevante \u00e9 a complexidade da diplomacia devido \u00e0 multiplicidade de atores, que, al\u00e9m das entidades soberanas, como os Estados, inclui atores n\u00e3o estatais com presen\u00e7a internacional, como os Organismos Internacionais (ONU, OEA, FUNDO, BANCO, OMC, etc.), atores n\u00e3o estatais legais, como as grandes empresas multinacionais e as ONG (Greenpeace, entre outras) e, finalmente, atores n\u00e3o estatais ilegais, como o tr\u00e1fico de drogas e o terrorismo, cujas a\u00e7\u00f5es se manifestam em quase todas as atividades relacionadas com o que acontece al\u00e9m das fronteiras.<\/p>\n<p>Esse conjunto de fatores, aparentemente indefin\u00edveis como um todo, fez com que a diplomacia atual buscasse novas maneiras de classificar e concentrar os fen\u00f4menos que t\u00eam acontecido no mundo para facilitar a sua solu\u00e7\u00e3o de uma forma n\u00e3o traum\u00e1tica e de acordo com regras existentes e reconhecidas. Agora vamos falar da &#8220;governan\u00e7a global&#8221;, que vou descrever da seguinte forma: &#8220;\u00e9 um conceito que combina os esfor\u00e7os e as a\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas entre atores estatais e n\u00e3o estatais do sistema internacional a fim de buscar solu\u00e7\u00f5es para quest\u00f5es cruciais por meio da\u00a0negocia\u00e7\u00e3o, do consenso e do compromisso. Esse conceito, por sua pr\u00f3pria natureza (governan\u00e7a), exclui o uso unilateral da for\u00e7a, e se apoia firmemente no direito internacional e nas institui\u00e7\u00f5es internacionais. A governan\u00e7a global n\u00e3o exige uma &#8220;uniformidade&#8221;, mas requer um denominador comum m\u00ednimo, aceito e praticado (ambos se parecem, mas s\u00e3o substancialmente diferentes) no que diz respeito aos direitos humanos e \u00e0s liberdades fundamentais por parte dos atores mais poderosos do sistema&#8221;. (consultar documento apresentado na reuni\u00e3o do Council on Foreign Relations (NY), Comexico e Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas, Cidade do M\u00e9xico, de 22 a 26 de novembro de 2013).<\/p>\n<blockquote><p>Hoje, o diplomata deve estar sempre bem informado sobre o que est\u00e1 acontecendo no pa\u00eds em que est\u00e1 representado, no seu pr\u00f3prio pa\u00eds e nas \u201cvizinhan\u00e7as\u201d.<\/p><\/blockquote>\n<p>O novo universo a que a governan\u00e7a global aspira se orientar (&#8220;harness&#8221;?) \u00e9 aquele que gera a necessidade de um \u201caggiornamento\u201d do m\u00e9todo diplom\u00e1tico. Os atores n\u00e3o estatais, tanto legais quanto ilegais, seu impacto sobre as decis\u00f5es dos governos, a caracter\u00edstica instant\u00e2nea da comunica\u00e7\u00e3o e das informa\u00e7\u00f5es, a dispers\u00e3o das ag\u00eancias dos governos com &#8220;voca\u00e7\u00e3o&#8221; para o exterior, a frequ\u00eancia da \u201csummit diplomacy&#8221;, bem como a deteriora\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel da confidencialidade nas m\u00e3os da tecnologia s\u00e3o todos fatores presentes na nossa realidade recente. Mas nada disso implica, necessariamente, menos diplomacia ou menos especializa\u00e7\u00e3o. (Pretender que a \u201csummit diplomacy\u201d substitua a diplomacia e os diplomatas \u00e9 equivalente a dizer que a \u201csummit diplomacy\u201d torna desnecess\u00e1rios os economistas, porque os presidentes tamb\u00e9m falam de economia). Muito menos a obsolesc\u00eancia autom\u00e1tica do conjunto de regras consuetudin\u00e1rias e de Conven\u00e7\u00f5es Internacionais multilaterais ou bilaterais, que regulam os mecanismos do dia a dia da diplomacia. Muito pelo contr\u00e1rio, seria um grave erro pensar que as comunica\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas instant\u00e2neas, os funcion\u00e1rios improvisados ou a dispers\u00e3o das express\u00f5es estatais (cada ag\u00eancia com sua pr\u00f3pria agenda) ajudar\u00e3o a melhorar o ambiente internacional e aperfei\u00e7oar\u00e3o os v\u00ednculos entre os pa\u00edses.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.pt\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/07.jpg\"><\/a>Naturalmente, n\u00e3o devemos ignorar esta realidade, uma vez que sua din\u00e2mica n\u00e3o pode ser controlada apenas com normas regulamentadoras. Portanto, o diplomata de hoje deve assumir todas estas circunst\u00e2ncias e deve estar sempre bem informado, principalmente l\u00facido e ao dia sobre o que est\u00e1 acontecendo, n\u00e3o s\u00f3 no pa\u00eds em que est\u00e1 representado, mas tamb\u00e9m sobre o que est\u00e1 acontecendo no seu pr\u00f3prio pa\u00eds e nas \u201cvizinhan\u00e7as\u201d. Esse conhecimento permitir\u00e1 centralizar e coordenar o fluxo de interesses, atender os fatores locais que interveem nas circunst\u00e2ncias pol\u00edticas, culturais e comerciais, que s\u00e3o o am\u00e1lgama que fortalece todos os relacionamentos s\u00e9rios e est\u00e1veis entre os pa\u00edses. Somente um embaixador profissional e id\u00f4neo pode compreender inteligentemente o que acontece nas comiss\u00f5es do Parlamento local e outras ag\u00eancias governamentais, onde s\u00e3o decididas medidas administrativas que podem implicar um benef\u00edcio significativo ou uma perda moment\u00e2nea. Essas coisas, bem como o contato di\u00e1rio com a imprensa e o ambiente local, n\u00e3o pode ser conseguidos a partir de um escrit\u00f3rio a muitos quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. S\u00e3o conseguidas com a presen\u00e7a di\u00e1ria, com contatos s\u00e9rios e qualidades pessoais e sociais adequadas e, em particular, com a colabora\u00e7\u00e3o e a iniciativa do c\u00f4njuge, quase sempre, determinante para o sucesso ou o fracasso de uma gest\u00e3o diplom\u00e1tica.<\/p>\n<blockquote><p>Para a atividade diplom\u00e1tica, o mundo aumentou durante o s\u00e9culo XXI.<\/p><\/blockquote>\n<p>Dessa forma, afirmar que o mundo &#8220;diminuiu&#8221; devido \u00e0s comunica\u00e7\u00f5es e \u00e0s facilidades dos contatos seria outro erro. O mundo n\u00e3o se tornou menor. Na verdade, para a atividade diplom\u00e1tica, o mundo &#8220;aumentou&#8221; consideravelmente durante o s\u00e9culo XXI. N\u00e3o s\u00f3 porque existem muitos pa\u00edses mais soberanos, mas tamb\u00e9m porque existem mais organismos, mais atores e, consequentemente, ainda mais rela\u00e7\u00f5es e inter-rela\u00e7\u00f5es complexas.<\/p>\n<p>Portanto, a quest\u00e3o \u00e9 determinar se as defini\u00e7\u00f5es sobre a diplomacia que vimos no in\u00edcio t\u00eam ca\u00eddo no desuso e se a profiss\u00e3o, como tal, n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o necess\u00e1ria. Minha conclus\u00e3o \u00e9 que, diante de um mundo cada vez mais complexo e interligado, com riscos de seguran\u00e7a ainda mais palp\u00e1veis do que durante a Guerra Fria e com grandes car\u00eancias sociais \u00e0 vista de todos aqueles que n\u00e3o respeitam fronteiras nem continentes, profissionais obrigatoriamente formados no respeito pela paz, na n\u00e3o interven\u00e7\u00e3o, no n\u00e3o uso da for\u00e7a e, acima de tudo, na solu\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de controv\u00e9rsias internacionais, ser\u00e3o cada vez mais necess\u00e1rios. A vis\u00e3o sobre a atividade diplom\u00e1tica que \u00e9 oferecida tanto pelos &#8220;realistas&#8221; quanto pelos &#8220;idealistas&#8221; se mant\u00e9m em vigor, embora em um contexto diferente e mais exigente.<\/p>\n<p>Em conclus\u00e3o, acredito que, com uma adapta\u00e7\u00e3o adequada a essas realidades, a profiss\u00e3o diplom\u00e1tica n\u00e3o corre riscos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vamos falar sobre a diplomacia na atualidade e sua utilidade no contexto contempor\u00e2neo Em primeiro lugar, vamos recorrer a uma defini\u00e7\u00e3o sempre \u00fatil para compreender e contextualizar essa quest\u00e3o. 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