{"id":477326,"date":"2015-07-03T12:36:07","date_gmt":"2015-07-03T10:36:07","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/a-pergunta-de-um-trilhao\/"},"modified":"2026-08-11T13:35:22","modified_gmt":"2026-08-11T11:35:22","slug":"a-pergunta-de-um-trilhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-pt\/ideas\/uno\/a-pergunta-de-um-trilhao\/","title":{"rendered":"A pergunta de um trilh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>O ano de 2015 ser\u00e1 um marco importante para o desenvolvimento a n\u00edvel mundial. Alguns o comparam com o ano de 2000, quando foram aprovados os Objetivos de Desenvolvimento do Mil\u00eanio, que expiram justamente este ano. Outros o comparam ao ano de 1945, quando foi criada toda esta gal\u00e1xia de organiza\u00e7\u00f5es e confer\u00eancias cheias de siglas. O fato \u00e9 que em setembro deste ano ser\u00e3o aprovados os Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel para 2030, que s\u00e3o mais ambiciosos do que os Objetivos do Mil\u00eanio \u2013 pois incluem n\u00e3o apenas erradicar a pobreza, mas alcan\u00e7ar a igualdade e a dignidade, assim como metas relacionadas \u00e0 sustentabilidade ambiental. Antes disto, em julho, um novo Marco para o Financiamento do Desenvolvimento ser\u00e1 aprovado e, em dezembro, em Paris, s\u00e3o esperados compromissos concretos em mat\u00e9ria de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica, durante a COP21.<\/p>\n<p>A UNCTAD, uma das ag\u00eancias das Na\u00e7\u00f5es Unidas, vem calculando quanto custam estes objetivos. Ao colocar uma cifra sobre estas aspira\u00e7\u00f5es, \u00a0por mais tentativas que sejam feitas, surge o fato de que estamos diante de uma mudan\u00e7a de magnitude: o objetivo n\u00e3o pode ser financiado por bilh\u00f5es<sup>1<\/sup>, mas com trilh\u00f5es de d\u00f3lares anuais &#8211; entre US$ 4 e US$ 7 trilh\u00f5es -. Como parte do esfor\u00e7o global para fechar essa lacuna vem sendo feito o trabalho de identificar, compreender, documentar e socializar experi\u00eancias que estejam funcionando. Para fechar esta brecha de financiamento de desenvolvimento existem tr\u00eas fontes principais: a ajuda externa (a partir das ag\u00eancias bilaterais at\u00e9 o Banco Mundial ou o BID), os recursos internos dos pa\u00edses e a mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos do setor privado. No caso da Am\u00e9rica Latina, e o Peru n\u00e3o \u00e9 exce\u00e7\u00e3o, a ajuda externa tem uma pequena participa\u00e7\u00e3o, porque trata-se de uma regi\u00e3o de renda m\u00e9dia. A aten\u00e7\u00e3o deve estar, ent\u00e3o, sobre as outras duas fontes.<\/p>\n<blockquote><p>Trata-se de tornar realidade as oportunidades de investimento em projetos que visam melhorar a qualidade de vida das pessoas<\/p><\/blockquote>\n<p>No caso dos recursos internos, um primeiro elemento importante para a Am\u00e9rica Latina \u00e9 que h\u00e1 um espa\u00e7o significativo para melhorar a arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, pois arrecadamos 15% do PIB, cifra muito baixa para nosso atual n\u00edvel de renda. Al\u00e9m da arrecada\u00e7\u00e3o, \u00e9 importante trabalhar para a melhoria dos gastos. Aqui, um exemplo interessante \u00e9 o pagamento de impostos com obras no Peru ou a possibilidade de que o contribuinte escolha, para uma fra\u00e7\u00e3o de imposto, a que munic\u00edpio rural de baixa renda ser\u00e3o destinados seus impostos, como uma forma de premiar os governos mais eficientes, transparentes ou inovadores, como ocorre no Jap\u00e3o. Outro elemento nos recursos internos tem a ver com a melhoria e aprofundamento do mercado de capitais \u2013 um caso interessante \u00e9 o da bolsa de valores no marco da Alian\u00e7a do Pac\u00edfico &#8211; e tamb\u00e9m faz parte disso, a luta contra a lavagem de dinheiro e outras modalidades de fluxos il\u00edcitos de capitais.<\/p>\n<p>Talvez o mais significativo seja o potencial para encurtar a brecha de financiamento em mat\u00e9ria de mobiliza\u00e7\u00e3o de recursos privados. Visto de maneira conjunta, no mundo de hoje h\u00e1 muit\u00edssima poupan\u00e7a e do outro lado da equa\u00e7\u00e3o h\u00e1 necessidade de investimentos substanciais; mas ainda assim s\u00e3o muito menores do que as economias. Para avan\u00e7ar em dire\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento, e aqui n\u00e3o importa se falamos de um pa\u00eds ou do conjunto de metas de desenvolvimento sustent\u00e1vel da ONU, o foco n\u00e3o pode estar apenas na capacidade dos governos para arrecadar, mas \u00e9 preciso uma nova abordagem diante do setor privado.<\/p>\n<blockquote><p>Entre as experi\u00eancias interessantes est\u00e3o os &#8220;b\u00f4nus de impacto social&#8221;, em que os governos pagam por resultados que permitam alcan\u00e7ar determinados impactos, por exemplo, com economias futuras<\/p><\/blockquote>\n<p><a href=\"https:\/\/www.revista-uno.pt\/wp-content\/uploads\/2015\/07\/07.jpg\"><\/a>Trata-se de tornar realidade as oportunidades de investimento em projetos que visam melhorar a qualidade de vida das pessoas. Para atrair tais investimentos \u00e9 necess\u00e1rio contar com mecanismos e incentivos legais adequados. No Peru, vimos, por exemplo, casos interessantes de Parcerias P\u00fablico-Privadas (PPP), em que um investidor privado assume uma s\u00e9rie de riscos em troca da expectativa futura de lucro que justifique os termos. O investidor t\u00edpico \u00e9 um operador com experi\u00eancia no neg\u00f3cio e respaldo financeiro suficiente para assumir riscos e gerir adequadamente dita infraestrutura e isto permite liberar recursos do estado para que este se dedique a outros fins ou garanta mais e novos projetos. Hoje, o desafio \u00e9 como expandir o apoio financeiro dos operadores privados para atender mais projetos, n\u00e3o apenas de infraestrutura. Dito de outra forma: como vinculamos novos grupos de atores (investidores, <em>savers<\/em> ou pensionistas, locais ou globais) com as necessidades de financiamento dos pa\u00edses em vias de desenvolvimento?<\/p>\n<p>Entre as experi\u00eancias interessantes est\u00e3o os &#8220;b\u00f4nus de impacto social&#8221;, em que os governos pagam por resultados que permitam alcan\u00e7ar determinados impactos, por exemplo, com economias futuras. \u00c9 o caso do financiamento da sa\u00fade preventiva atrav\u00e9s de prestadores privados, que permite economias futuras para uso em caso de doen\u00e7as raras e t\u00edpicas das novas classes m\u00e9dias, como diabetes. Isso est\u00e1 acontecendo na \u00c1frica e est\u00e1 sendo financiado pelo governo a partir dos recursos da coopera\u00e7\u00e3o internacional. Outro exemplo de b\u00f4nus de impacto social inovadores \u00e9 a reabilita\u00e7\u00e3o de jovens contra o custo futuro de ter mais detentos na pris\u00e3o. No caso dos pa\u00edses desenvolvidos, como \u00e9 o caso dos prisioneiros, estes t\u00edtulos de impacto social est\u00e3o permitindo que uma comunidade tenha oportunidades de investimentos interessantes em termos de rentabilidade, que al\u00e9m disso geram um bem social. Uma caracter\u00edstica comum dessas inova\u00e7\u00f5es \u00e9 um trabalho bom e s\u00e9rio de mitiga\u00e7\u00e3o de riscos e regras claras, especialmente nos pa\u00edses em vias de desenvolvimento. Pensando na mitiga\u00e7\u00e3o de riscos, por exemplo, na \u00c1frica um fundo decidiu financiar um projeto de gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica de 300 megawatts em 20, a fim de efeito de compara\u00e7\u00e3o, maior identifica\u00e7\u00e3o com o &#8220;fornecedor local&#8221; e para que a infraestrutura n\u00e3o fosse percebida como um monop\u00f3lio &#8220;hostil&#8221;. Neste contexto espec\u00edfico, a menor efici\u00eancia em termos de escala foi percebida como um menor custo para mitigar os riscos pol\u00edticos locais espec\u00edficos. Al\u00e9m disso, uma outra maneira de direcionar o foco para a redu\u00e7\u00e3o de riscos \u00e9 mediante garantias e outros ve\u00edculos financeiros que atendam as necessidades e apetites de risco dos investidores, que, por sua vez, entram em novos esquemas, como o &#8220;<em>crowdfunding<\/em>&#8220;, em suas diferentes vers\u00f5es: desde o financiamento coletivo at\u00e9 o micromecenato. Este ano promete nos alcan\u00e7ar mais experi\u00eancias, boas e m\u00e1s, que nos ajudar\u00e3o a acelerar o desenvolvimento. E isso j\u00e1 \u00e9 gan\u00e2ncia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ano de 2015 ser\u00e1 um marco importante para o desenvolvimento a n\u00edvel mundial. 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