{"id":478091,"date":"2017-10-24T08:03:59","date_gmt":"2017-10-24T06:03:59","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/melhorando-nossa-qualidade-como-cidadaos\/"},"modified":"2017-10-23T15:56:38","modified_gmt":"2017-10-23T13:56:38","slug":"melhorando-nossa-qualidade-como-cidadaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-pt\/ideas\/uno\/melhorando-nossa-qualidade-como-cidadaos\/","title":{"rendered":"Melhorando nossa qualidade como cidad\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p>A cidade \u00e9 o espa\u00e7o de express\u00e3o da sociedade onde moramos e, por sua vez, \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o constru\u00edda do que somos.<\/p>\n<p>No mundo em que vivemos, as antigas fronteiras de espa\u00e7o e tempo tendem a ser cada vez mais t\u00eanues. Embora esse fen\u00f4meno n\u00e3o seja novo, podemos afirmar que, nas \u00faltimas d\u00e9cadas de assentamento definitivo da economia global, os fluxos migrat\u00f3rios, os meios de transporte, o desenvolvimento das telecomunica\u00e7\u00f5es, bem como outros progressos na engenharia e na ci\u00eancia viveram um crescimento exponencial com consequ\u00eancias muito vis\u00edveis nas nossas cidades, as quais est\u00e3o passando por importantes transforma\u00e7\u00f5es estruturais.<\/p>\n<blockquote><p>A cidade \u00e9 o espa\u00e7o de express\u00e3o da sociedade onde moramos e, por sua vez, \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o constru\u00edda do que somos<\/p><\/blockquote>\n<p>Buenos Aires \u00e9 uma cidade de tr\u00eas milh\u00f5es de habitantes, centro de uma \u00e1rea metropolitana que chega a 14 milh\u00f5es e cobre um territ\u00f3rio de quatro mil hectares. \u00c9 a principal sede de decis\u00f5es e intera\u00e7\u00f5es empresariais e o segundo distrito industrial do pa\u00eds. O contexto do seu planejamento est\u00e1 passando por profundas transforma\u00e7\u00f5es, pr\u00f3prias das cidades metropolitanas, que se manifestam no seu espa\u00e7o social e urbano. A privatiza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os p\u00fablicos, o impacto das telecomunica\u00e7\u00f5es e da inform\u00e1tica, a reconvers\u00e3o econ\u00f4mica, a segrega\u00e7\u00e3o social e os novos padr\u00f5es de suburbaniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o alguns dos novos fatores que ser\u00e3o articulados em um contexto de alta competitividade entre pa\u00edses, regi\u00f5es e territ\u00f3rios, e que impactam na necessidade de recompor o papel de Buenos Aires como cidade aut\u00f4noma e capital de uma na\u00e7\u00e3o em um contexto de economia aberta.<\/p>\n<p>Desde a sua capitaliza\u00e7\u00e3o (1880) e delimita\u00e7\u00e3o das suas fronteiras jur\u00eddico-administrativas (1887), a mais de um s\u00e9culo atr\u00e1s, Buenos Aires adquiriu, em 1996, o estatuto de cidade aut\u00f4noma e seu chefe de governo foi eleito pelos cidad\u00e3os. A estrutura urbana atual surge tanto das grandes transforma\u00e7\u00f5es realizadas na \u00e1rea antiga pela gera\u00e7\u00e3o de 1880, que culminaram no Plano de Est\u00e9tica Edil\u00edcia de 1924, no C\u00f3digo de Edifica\u00e7\u00e3o de 1944, bem como nas ideias do C\u00f3digo de Planejamento Urbano de 1977, e suas posteriores modifica\u00e7\u00f5es at\u00e9 o dia de hoje, com um novo c\u00f3digo urban\u00edstico em desenvolvimento.<\/p>\n<p>Neste momento, nossa cidade enfrenta uma quantidade de desafios, alguns reais, outros imagin\u00e1rios, que devem ser superados, mas, com a certeza de ser uma cidade excepcional, cuja estrutura b\u00e1sica resiste, gra\u00e7as a essa qualidade, aos erros cometidos e admite corre\u00e7\u00f5es que revertam uma tend\u00eancia que aponta \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o da cidade e \u00e0 individualiza\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia e das rela\u00e7\u00f5es sociais. O cidad\u00e3o percebe, age e reage, pessoas de todas as classes sociais estabelecem redes de intera\u00e7\u00e3o e recriam a sociedade urbana na sua base. Criam redes relativamente est\u00e1veis e geram organiza\u00e7\u00f5es comunit\u00e1rias e movimentos sociais urbanos que desempenham um papel fundamental na configura\u00e7\u00e3o da cidade contempor\u00e2nea. Recuperar a dimens\u00e3o humana da cidade e, com isso, reafirmar a identidade dos seus habitantes \u00e9 um assunto de grande signific\u00e2ncia que, como tudo que \u00e9 importante, come\u00e7a pelas coisas pequenas, pelo que est\u00e1 mais pr\u00f3ximo. Porque melhorar a cidade e os bairros significa recuperar a influ\u00eancia dos seus habitantes nas decis\u00f5es que afetar\u00e3o o ambiente imediato onde desenvolvem suas vidas. Esse consiste, portanto, no primeiro passo para a regenera\u00e7\u00e3o desse antigo invento, t\u00e3o importante como deteriorado, que chamamos de democracia cidad\u00e3. Para isso, torna-se fundamental submeter a forma\u00e7\u00e3o da cidade aos aut\u00eanticos interesses gerais, e n\u00e3o ao simples crescimento, sem desenvolvimento, com a ocupa\u00e7\u00e3o indiscriminada de zonas a crit\u00e9rio de quem quiser promover sua urbaniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 imposs\u00edvel pensar em uma cidade que n\u00e3o cresce, que n\u00e3o evolui e se adapta a seu tempo. O contr\u00e1rio seria condenar nossa cidade \u00e0 morte. Uma cidade que se atualiza, consequentemente, deve, por defini\u00e7\u00e3o, mudar. A cidade tamb\u00e9m n\u00e3o pode pensar em crescer sem um Estado que direcione e ajude a impulsionar o investimento privado, que invista em espa\u00e7o p\u00fablico e edifica\u00e7\u00e3o p\u00fablica de qualidade, e que crie um projeto suficientemente forte para que possa ser desenvolvido ao longo do tempo, integrando a permanente negocia\u00e7\u00e3o entre a forma urban\u00edstica, a programa\u00e7\u00e3o e a defini\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica.<\/p>\n<blockquote><p>\u00c9 imposs\u00edvel pensar em uma cidade que n\u00e3o cresce, que n\u00e3o evolui e se adapta a seu tempo. O contr\u00e1rio seria condenar nossa cidade \u00e0 morte. Uma cidade que se atualiza, consequentemente, deve, por defini\u00e7\u00e3o, mudar<\/p><\/blockquote>\n<p>O desafio desses projetos \u00e9 testar a capacidade para integrar os diferentes par\u00e2metros da complexidade urban\u00edstica e da sua gest\u00e3o: a multiplicidade dos atores intervenientes, mistura dos interlocutores p\u00fablicos e privados, instabilidade program\u00e1tica, mudan\u00e7a dos usos que afetam o espa\u00e7o urban\u00edstico e arquitet\u00f4nico que deve ser projetado como um processo n\u00e3o est\u00e1tico, com uma constante comunica\u00e7\u00e3o entre a ideia global, as m\u00faltiplas formaliza\u00e7\u00f5es e as execu\u00e7\u00f5es programadas no tempo.<\/p>\n<p>Buenos Aires deve ser uma cidade previs\u00edvel, interligada, de papel definido, com um planejamento urbano ambiental e estrat\u00e9gico que oriente e permita seu ordenamento e previsibilidade. Deve dispor de c\u00f3digos para a edifica\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o organizados, atualizados e acordados entre profissionais, institui\u00e7\u00f5es e habitantes, e uma justi\u00e7a capaz de entender os assuntos urbanos e proporcionar uma verdadeira seguran\u00e7a jur\u00eddica. Deve possuir uma obra p\u00fablica de grande qualidade e exemplo atrav\u00e9s de concursos p\u00fablicos e transparentes. Uma cidade aut\u00f4noma como foi concebida na Constitui\u00e7\u00e3o de 1994, ou seja, com pol\u00edtica de transporte, gest\u00e3o da seguran\u00e7a e das suas terras. Uma a\u00e7\u00e3o conjunta com a prov\u00edncia de Buenos Aires que permita articular o limiar metropolitano. Uma lideran\u00e7a dedicada ao planejamento dos pr\u00f3ximos 30 anos da cidade com criatividade e sem medos.<\/p>\n<p>Para mudar e reconstruir Buenos Aires de acordo com os tempos atuais e o futuro, devemos melhorar nossa qualidade como cidad\u00e3os, sendo mais conscientes da perda que implicou n\u00e3o nos envolvermos com aquilo que \u00e9 comum a todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A cidade \u00e9 o espa\u00e7o de express\u00e3o da sociedade onde moramos e, por sua vez, \u00e9 a manifesta\u00e7\u00e3o constru\u00edda do que somos. No mundo em que vivemos, as antigas fronteiras de espa\u00e7o e tempo tendem a ser cada vez mais t\u00eanues. 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