{"id":478324,"date":"2019-04-24T14:00:57","date_gmt":"2019-04-24T12:00:57","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/olha-quem-fala-marcas-e-consumidores-na-era-da-inteligencia-artificial\/"},"modified":"2019-04-26T10:08:08","modified_gmt":"2019-04-26T08:08:08","slug":"olha-quem-fala-marcas-e-consumidores-na-era-da-inteligencia-artificial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-pt\/ideas\/uno\/olha-quem-fala-marcas-e-consumidores-na-era-da-inteligencia-artificial\/","title":{"rendered":"Olha quem fala. Marcas e consumidores na era da Intelig\u00eancia Artificial"},"content":{"rendered":"<p>Theodore Twombly: \u201cYou feel real to me, Samantha\u201d<br \/>\nSamantha: \u201cThank you, Theodore. That means a lot to me\u201d<br \/>\n(HER, 2013, Spike Jonze) <\/p>\n<p>No filme Her, dirigido por Spike Jonze, Theodore Twombly \u00e9 um homem solit\u00e1rio que supera um t\u00e9rmino sentimental enquanto trabalha escrevendo cartas aos familiares ou amigos de pessoas que por alguma raz\u00e3o n\u00e3o podem ou querem escrever. Quando Theodore testa uma nova intelig\u00eancia artificial baseada na personaliza\u00e7\u00e3o e no aprendizado, no seu caso chamada Samantha, embarca com ela em um relacionamento de amizade que terminar\u00e1 dando lugar ao amor. Segundo Bj\u00f6rn Schuller , professor de Intelig\u00eancia Artificial do Imperial College de Londres, a tecnologia b\u00e1sica que vimos em Her data na realidade de finais da d\u00e9cada passada. Schuller se questiona que \u201ctemos que pensar qual n\u00edvel de autonomia queremos para a IA no futuro? Trata-se de levar Alexa ou Siri a um n\u00edvel em que n\u00e3o s\u00f3 recebam ordens e controle por meio da voz, mas que mantenham uma conversa continuada e fluida? Porque isso j\u00e1 podemos fazer\u201d.<\/p>\n<p>Segundo uma pesquisa mundial de PwC , apesar de s\u00f3 10% dos entrevistados possuirem na atualidade um dispositivo de IA, um a cada tr\u00eas planeja adquiri-lo proximamente. Os consumidores de grandes economias como Brasil ou China est\u00e3o \u00e0 frente, segundo o estudo, da inten\u00e7\u00e3o de compra, que reflete a velocidade com que est\u00e1 se movimentando a Intelig\u00eancia Artificial, n\u00e3o s\u00f3 a partir da perspectiva dos usu\u00e1rios, mas tamb\u00e9m das empresas, com as de grande consumo e o retail liderando. Esta tecnologia n\u00e3o s\u00f3 est\u00e1 mudando o relacionamento com os consumidores, mas tamb\u00e9m a log\u00edstica, o envio ou segmenta\u00e7\u00e3o, e vai de m\u00e3os dadas com outros avan\u00e7os como Internet of Things (IoT) ou o reconhecimento de imagem que, combinados, est\u00e3o proporcionando \u00e0s empresas novas massas de dados que at\u00e9 agora n\u00e3o tinham.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;As gera\u00e7\u00f5es mais jovens se mostram dispostas a trocar dados com menores reservas sempre que for a favor de experi\u00eancias mais relevantes com as marcas&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>53 % dos consumidores nos Estados Unidos  dizem estar preocupados pelo uso de dados e a mudan\u00e7a de modelo de privacidade, e por como os que se dedicam ao marketing usam toda essa nova informa\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, as gera\u00e7\u00f5es mais jovens se mostram dispostas a trocar dados com menores reservas sempre que for a favor de experi\u00eancias mais relevantes com as marcas. \u00c0 medida que o reinado da IA se faz mais onipresente, o equil\u00edbrio entre o uso de dados e a gera\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias relevantes se far\u00e1 cada vez mais cr\u00edtico ou, falando de outra maneira, em lugar de nos ajudar a descobrir como consumidores, as Intelig\u00eancias artificiais nos encapsulam em um mundo cada vez mais fechado e pequeno. Ser\u00e1 dif\u00edcil que os consumidores n\u00e3o terminem rejeitando-as.<\/p>\n<p>Vimos isso na evolu\u00e7\u00e3o da popular Spotify, na qual cada vez mais influencia n\u00e3o s\u00f3 a m\u00fasica que j\u00e1 gostamos, mas a que poder\u00edamos gostar e que se localiza fora de nossa zona de conforto. A indica\u00e7\u00e3o ser\u00e1 a chave e aqueles que trabalham na \u00e1rea de marketing dever\u00e3o pensar, sobretudo, em como us\u00e1-la para se aproximar da IA desde a perspectiva da personaliza\u00e7\u00e3o e como um meio para expandir a vis\u00e3o dos consumidores e n\u00e3o a limitar. Segundo um estudo da Salesforce , essa mudan\u00e7a de paradigma envolve v\u00e1rias expectativas claras dos consumidores e responsabilidades por parte das marcas:<\/p>\n<p>\u2022\tJourneys mais conectados: o que implicar\u00e1 a ruptura dos silos das empresas e das marcas.<br \/>\n\u2022\tPersonaliza\u00e7\u00e3o: o que requer customiza\u00e7\u00e3o dos pontos de contato.<br \/>\n\u2022\tInova\u00e7\u00e3o: a chave para seguir impulsionando os limites da experi\u00eancia.<br \/>\n\u2022\tProte\u00e7\u00e3o de dados: a gera\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a do consumidor como a m\u00e1xima prioridade.<\/p>\n<p>Na medida em que a IA (e todo o resto de desenvolvimentos tecnol\u00f3gicos associados) avan\u00e7a em maior velocidade, veremos tamb\u00e9m como os trabalhos relacionados com marketing se transformam. Os assistentes virtuais t\u00eam todas as credenciais para tornar-se nos pr\u00f3ximos anos o principal canal de relacionamento dos consumidores com as marcas. Quando algumas marcas est\u00e3o ainda tentando entender como construir plataformas webs e estrat\u00e9gias de conversa nas redes mais efetivas, essa nova revolu\u00e7\u00e3o abre uma frente nova que tamb\u00e9m modifica por completo a rela\u00e7\u00e3o. O processo de decis\u00e3o desses assistentes virtuais muda as prioridades: de procurar tornar-se um dos principais resultados de uma busca em Google a tornar-se a primeira indica\u00e7\u00e3o que um assistente virtual fa\u00e7a para um consumidor quando este fizer uma pergunta.<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;Os assistentes virtuais t\u00eam todas as credenciais para tornar-se nos pr\u00f3ximos anos o principal canal de rela\u00e7\u00e3o dos consumidores com as marcas&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p>Na busca da indica\u00e7\u00e3o perfeita, esses assistentes virtuais tornar\u00e3o chave a fidelidade e afinidade para uma marca, j\u00e1 que t\u00eam a capacidade de aprender das escolhas pr\u00e9vias do consumidor. Vamos levar em conta que, na medida em que a rela\u00e7\u00e3o entre a IA e o consumidor se faz mais estreita, na realidade o que far\u00e3o ser\u00e1 viver nossos pr\u00f3prios customer journeys com a finalidade de tomar melhores decis\u00f5es. 66 % dos consumidores  j\u00e1 esperam nos dias de hoje que as marcas entendam suas necessidades. Se 40 % dos consumidores acreditam que usar\u00e3o um assistente de voz em lugar de um app ou uma web nos pr\u00f3ximos tr\u00eas anos , parece claro que aqueles que forem capazes de criar experi\u00eancias que gerem mais afinidade e lealdade, mas que ao mesmo tempo o fa\u00e7am a partir da ideia de indica\u00e7\u00e3o, expandir\u00e3o suas possibilidades de posicionar-se com vantagem nessa mudan\u00e7a.<\/p>\n<p>Das m\u00e3os dos assistentes de voz chega, tamb\u00e9m, uma nova oportunidade das marcas: de tornar tang\u00edvel a eterna promessa inteletual do branding sobre a gera\u00e7\u00e3o de uma voz. Uma mudan\u00e7a que vai revolucionar a rela\u00e7\u00e3o com os consumidores e que envolver\u00e1 passar de pensar em como fazer que as pessoas \u201ccliquem\u201d em an\u00fancios ou conte\u00fados, a criar uma voz para a marca com a qual as pessoas realmente possam ter vontade de falar. Os exemplos n\u00e3o param de chegar, entre eles Ask Liv de Est\u00e9e Lauder para Google Home, Echo Look de GQ, Voque e Amazon para Amazon Echo ou Whisky tasting 101 de Johnny Walker para Google Home.<\/p>\n<p>Essa futura desintermedia\u00e7\u00e3o extrema envolve que em algum momento pr\u00f3ximo poderemos chegar a deixar de falar com pessoas (funcion\u00e1rios humanos em diferentes n\u00edveis da marca) para falar diretamente com a marca, atrav\u00e9s de um sistema com um comportamento muito espec\u00edfico. Enquanto isso chega, a verdade \u00e9 que a perspectiva de uma rela\u00e7\u00e3o direta entre marcas e consumidores deveria chamar \u00e0 reflex\u00e3o a muitos diretores de marketing e respons\u00e1veis pela marca. Eles deveriam analisar se est\u00e3o contribuindo para que suas marcas possuam uma personalidade atrativa com a qual as pessoas tenham vontade de conversar ou se, pelo contr\u00e1rio, est\u00e3o saturando o consumidor de conversas vazias e irrelevantes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Theodore Twombly: \u201cYou feel real to me, Samantha\u201d Samantha: \u201cThank you, Theodore. 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