{"id":478415,"date":"2022-11-07T09:07:36","date_gmt":"2022-11-07T08:07:36","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/uno1-entrevista-a-cristina-garmendia-por-jose-antonio-llorente\/"},"modified":"2022-11-07T11:29:58","modified_gmt":"2022-11-07T10:29:58","slug":"uno1-entrevista-a-cristina-garmendia-por-jose-antonio-llorente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-pt\/ideas\/uno\/uno1-entrevista-a-cristina-garmendia-por-jose-antonio-llorente\/","title":{"rendered":"UNO+1 Entrevista a Cristina Garmendia por Jos\u00e9 Antonio Llorente"},"content":{"rendered":"<p>&#8220;Os tempos complexos como os atuais s\u00e3o os melhores tempos para os empreendedores&#8221;, afirma nesta entrevista Cristina Garmendia, uma mulher com uma trajet\u00f3ria singular. Criou empresas como a Ysios Capital ou a Genetrix, ligadas ao investimento nas ci\u00eancias da vida, foi ministra da ci\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o no governo espanhol e hoje a sua imagem p\u00fablica est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o de presidente da Fundaci\u00f3n COTEC para la Innovaci\u00f3n, uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que cunhou uma f\u00f3rmula valiosa para compreender as mudan\u00e7as pelas quais as nossas sociedades est\u00e3o a passar: &#8220;Inova\u00e7\u00e3o \u00e9 qualquer mudan\u00e7a (n\u00e3o s\u00f3 tecnol\u00f3gica) baseada no conhecimento (n\u00e3o s\u00f3 cient\u00edfico) que gera valor (n\u00e3o s\u00f3 econ\u00f3mico)&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Nesta conversa, falamos de empreendedorismo em tempos incertos, da inova\u00e7\u00e3o nas empresas e na ci\u00eancia, das semelhan\u00e7as entre os dois dom\u00ednios, e do peso que o conhecimento e a educa\u00e7\u00e3o t\u00eam numa sociedade como a nossa, que convive com uma enorme sensa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade, mas que tamb\u00e9m tem motivos para ser otimista se souber aproveitar o talento, o pensamento cr\u00edtico, a empatia, o trabalho de equipa, a lideran\u00e7a e a aplica\u00e7\u00e3o transversal do conhecimento. Este \u00e9 todo um convite para gerir a incerteza.<\/strong><\/p>\n<p><strong>Como pode a inova\u00e7\u00e3o ajudar-nos em tempos de incerteza?<\/strong><\/p>\n<p>As crises s\u00e3o mudan\u00e7as bruscas que causam incerteza, e a resposta \u00e0 incerteza s\u00f3 se produz com mais mudan\u00e7as &#8211; na forma como lidamos com os problemas, pensamos em solu\u00e7\u00f5es e agimos. Vivemo-lo em primeira m\u00e3o e \u00e0 escala planet\u00e1ria com a pandemia COVID-19. O mundo ficou parado at\u00e9 aparecerem as vacinas. Mas n\u00e3o foi s\u00f3 isso. Surgiram in\u00fameros problemas: na organiza\u00e7\u00e3o do trabalho, no sistema educativo, na distribui\u00e7\u00e3o de bens b\u00e1sicos, na forma como nos relacionamos uns com os outros, etc., e todos eles encontraram uma resposta na inova\u00e7\u00e3o. \u00c9 precisamente para refletir sobre isto que elabor\u00e1mos o Anu\u00e1rio 2021 da Informe Cotec. E o Anu\u00e1rio 2022, que acab\u00e1mos de lan\u00e7ar, trata da forma como a inova\u00e7\u00e3o contribui para o combate \u00e0 desigualdade, que \u00e9 outro dos grandes problemas do nosso tempo. Vale a pena recordar que na Cotec definimos inova\u00e7\u00e3o como qualquer mudan\u00e7a (n\u00e3o apenas tecnol\u00f3gica) baseada no conhecimento (n\u00e3o apenas cient\u00edfico) que acrescenta valor (n\u00e3o apenas econ\u00f3mico). A inova\u00e7\u00e3o \u00e9 sempre desej\u00e1vel, mas em tempos de incerteza \u00e9 essencial.<\/p>\n<p><strong>A ci\u00eancia funciona frequentemente por meio de d\u00favidas, experi\u00eancias e erros&#8230; quais as li\u00e7\u00f5es que o mundo empresarial pode aprender com essa forma de funcionar?<\/strong><\/p>\n<p>A ci\u00eancia e as empresas t\u00eam mais em comum do que imaginamos. Em ambas as atividades, a maior vantagem \u00e9 obtida explorando territ\u00f3rios pouco frequentados &#8211; nas fronteiras do mercado e do conhecimento &#8211; e em ambas, chegar em segundo lugar n\u00e3o faz ganhar medalhas, raz\u00e3o pela qual s\u00e3o \u00e1reas t\u00e3o competitivas. Mas ao mesmo tempo, em ambos os dom\u00ednios, a complexidade e a dimens\u00e3o dos esfor\u00e7os est\u00e3o a crescer, e isso beneficia quem coopera e colabora. Estas \u00e1reas tamb\u00e9m partilham cada vez mais o mesmo m\u00e9todo, que se baseia n\u00e3o s\u00f3 em experi\u00eancias e erros, mas tamb\u00e9m em fazer bom uso da experi\u00eancia e da intui\u00e7\u00e3o. Embora a minha forma\u00e7\u00e3o seja cient\u00edfica, a minha carreira profissional tem decorrido principalmente no mundo dos neg\u00f3cios. O mais importante que a minha forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica trouxe \u00e0 minha atividade empresarial foi provavelmente a necessidade de rigor e const\u00e2ncia, a import\u00e2ncia de ter objetivos muito claros e o valor do trabalho de equipa. Estas coisas aplicam-se tanto no laborat\u00f3rio como no escrit\u00f3rio.<\/p>\n<p><strong>Grande parte da incerteza que sentimos prov\u00e9m precisamente dos avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos. Que confian\u00e7a devemos depositar na tecnologia e que limites devemos colocar-lhe neste contexto?<\/strong><\/p>\n<p>Aqui \u00e9 importante diferenciar as perce\u00e7\u00f5es da informa\u00e7\u00e3o. Explico-o com um exemplo. Na Cotec, h\u00e1 muitos anos que observamos o impacto da automatiza\u00e7\u00e3o no emprego. Os nossos inqu\u00e9ritos de perce\u00e7\u00e3o revelam, ano ap\u00f3s ano, que metade da popula\u00e7\u00e3o acredita que a tecnologia destruir\u00e1 mais empregos do que os que ir\u00e1 criar, enquanto a outra metade pensa precisamente o contr\u00e1rio. O que \u00e9 que os dados nos dizem? Dizem-nos que o problema n\u00e3o \u00e9 o n\u00famero de empregos que a tecnologia destr\u00f3i ou cria, mas sim a qualidade dos empregos e a polariza\u00e7\u00e3o laboral. Isto, que h\u00e1 anos atr\u00e1s coloc\u00e1mos como hip\u00f3tese, foi agora medido com dados. Nas economias mais desenvolvidas e automatizadas, a percentagem de trabalhadores em profiss\u00f5es de sal\u00e1rios m\u00e9dios est\u00e1 a diminuir em rela\u00e7\u00e3o aos dois extremos da distribui\u00e7\u00e3o salarial, as profiss\u00f5es de sal\u00e1rios baixos e as de sal\u00e1rios altos. Por outras palavras, o perigo \u00e9 o desaparecimento da classe m\u00e9dia. Mas o perigo n\u00e3o vem do desenvolvimento tecnol\u00f3gico, mas sim da falta de pol\u00edticas que nos ajudem a aproveitar as oportunidades proporcionadas pela tecnologia. H\u00e1 um ano e meio, entreguei pessoalmente ao Presidente do Congresso dos Deputados mais de 135 000 assinaturas em apoio a uma campanha que a Cotec lan\u00e7ou na plataforma change.org. A campanha, #MiEmpleoMiFuturo, foi baseada num v\u00eddeo, que tem mais de dois milh\u00f5es e meio de visualiza\u00e7\u00f5es s\u00f3 no YouTube, que apelava aos parlamentares que debatessem o futuro do emprego. Ainda n\u00e3o reagiram, mas, para o bem de todos, espero que n\u00e3o demorem, pois o problema est\u00e1 a tornar-se mais evidente a cada dia que passa.<\/p>\n<p><strong>A Cotec \u00e9, em parte, um observat\u00f3rio da investiga\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o em Espanha. Como pensa que essa faceta da atividade empresarial se est\u00e1 a antecipar aos grandes riscos e incertezas que enfrentamos?<\/strong><\/p>\n<p>As principais economias europeias responderam \u00e0 crise financeira de 2008 com mais investimento em investiga\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o, enquanto n\u00f3s fizemos cortes. A recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f3mica chegou e isso n\u00e3o levou a uma reativa\u00e7\u00e3o imediata da aposta no conhecimento, o que significa que estamos ainda atrasados em rela\u00e7\u00e3o ao continente. Segundo os dados mais recentes do INE, correspondentes a 2020, embora tenhamos vindo a crescer durante v\u00e1rios exerc\u00edcios consecutivos, o setor p\u00fablico espanhol ainda n\u00e3o recuperou os n\u00edveis de investimento e emprego em I&amp;D anteriores \u00e0 crise, ao contr\u00e1rio do setor privado. Tudo isto ir\u00e1 mudar com a chegada dos fundos europeus, desde que estejamos \u00e0 altura da tarefa de os gerir e implementar, o que \u00e9 algo que tamb\u00e9m suscita d\u00favidas. Sem uma mudan\u00e7a estrutural profunda, os fundos europeus podem ser, como diz o ditado, p\u00e3o para hoje e fome para amanh\u00e3. As evolu\u00e7\u00f5es em dente de serra s\u00e3o muito m\u00e1s para o conhecimento. E, claro, continua pendente um desafio hist\u00f3rico no nosso pa\u00eds, que \u00e9 o da colabora\u00e7\u00e3o p\u00fablico-privada, uma quest\u00e3o de grande preocupa\u00e7\u00e3o para n\u00f3s na Cotec.<\/p>\n<p><strong>Como pensa que a atual incerteza econ\u00f3mica ir\u00e1 afetar o investimento das empresas em investiga\u00e7\u00e3o e desenvolvimento?<\/strong><\/p>\n<p>Segundo os dados do INE para 2020, os \u00faltimos dispon\u00edveis, as empresas espanholas acumularam seis anos consecutivos de crescimento. O setor privado investiu pouco mais de 8,8 mil milh\u00f5es de euros em I&amp;D nesse ano, 9% mais do que o pico pr\u00e9-crise de 2008, e deu emprego a mais de 100 000 pessoas, quase 14% mais do que o pico pr\u00e9-crise de 2010. Veremos o que os n\u00fameros do INE para 2021 nos dir\u00e3o em novembro, mas \u00e9 muito prov\u00e1vel que o impacto negativo da pandemia seja mais do que compensado pelo facto de o ano passado ter sido o primeiro ano de implementa\u00e7\u00e3o dos fundos europeus Next Generation EU. Na Cotec, temos o nosso pr\u00f3prio modelo para nos anteciparmos aos dados oficiais e prever a evolu\u00e7\u00e3o do investimento em I&amp;D em Espanha. Desenvolvemo-lo com a ajuda do Ceprede (Centro de Predicci\u00f3n Econ\u00f3mica) e de Eva Senra, professora de economia na Universidade de Alcal\u00e1, que \u00e9 tamb\u00e9m membro da rede de especialistas Los 100 de Cotec. O nosso indicador previsional diz que o investimento em I&amp;D pelos agentes econ\u00f3micos espanh\u00f3is no seu conjunto cresceu cerca de 8% em 2021. Se isto se confirmar, ser\u00e1 a primeira vez que ultrapassamos os 16 mil milh\u00f5es de euros por ano em investimento no conhecimento. O modelo prev\u00ea, de facto, um investimento de cerca de 17 mil milh\u00f5es, ultrapassando em mil milh\u00f5es o ano de 2020. Isto, \u00e9 claro, inclui tamb\u00e9m o setor privado. Para compreender esta previs\u00e3o positiva num ano marcado pela pandemia e as incertezas, h\u00e1 que mencionar novamente os fundos europeus. E acrescento outra informa\u00e7\u00e3o que analis\u00e1mos no Observat\u00f3rio da Informe Cotec: um dos indicadores que nos ajuda a criar o modelo de previs\u00e3o \u00e9 o n\u00famero de inscritos na Seguran\u00e7a Social em empregos ligados \u00e0 investiga\u00e7\u00e3o e ao desenvolvimento. Em setembro \u00faltimo, houve mais de 107 000 pessoas, mais 8000 do que um ano antes e mais 15 000 do que antes da pandemia. \u00c9 muito significativo, por exemplo, que a evolu\u00e7\u00e3o do emprego no setor do conhecimento ultrapasse a do setor dos servi\u00e7os como um todo.<\/p>\n<p><strong>Recentemente, a Cotec tamb\u00e9m tem refletido sobre a educa\u00e7\u00e3o e as suas associa\u00e7\u00f5es \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Como pode a educa\u00e7\u00e3o preparar-nos para tempos dominados pela volatilidade e pela digitaliza\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o tem sido uma \u00e1rea priorit\u00e1ria para a Cotec desde 2015, quando assumi a presid\u00eancia. Estamos igualmente preocupados em educar na inova\u00e7\u00e3o e em inovar na educa\u00e7\u00e3o. A miss\u00e3o \u00faltima da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 preparar-nos para enfrentarmos um determinado contexto. De facto, se mantivermos essa mentalidade, que \u00e9 a atual, estaremos sempre atrasados, porque a educa\u00e7\u00e3o funciona a longo prazo e, quando algu\u00e9m conclui a sua forma\u00e7\u00e3o, o contexto ter\u00e1 mudado tanto que faz com que a pessoa fique desatualizada, como est\u00e1 a acontecer. A miss\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o, a forma de nos preparar para qualquer futuro, e ainda mais para o que agora se vislumbra, marcado pela automatiza\u00e7\u00e3o e volatilidade, \u00e9 disponibilizar ferramentas b\u00e1sicas para aproveitar ao m\u00e1ximo as nossas capacidades humanas: o pensamento cr\u00edtico, o trabalho de equipa, a empatia, a aplica\u00e7\u00e3o transversal do conhecimento, a lideran\u00e7a e outros. Por outras palavras, o oposto do que temos feito durante d\u00e9cadas, que tem sido preparar-nos para competir com m\u00e1quinas nas \u00e1reas em que j\u00e1 n\u00e3o somos capazes de as ultrapassar, tais como no c\u00e1lculo, nas tarefas repetitivas ou nas atividades perigosas. \u00c9 agora fundamental melhorar o que nos distingue como humanos, onde rob\u00f4s e algoritmos nunca nos ultrapassar\u00e3o. \u00c9 tamb\u00e9m importante que a educa\u00e7\u00e3o nos ajude a colmatar lacunas sociais e a assegurar a igualdade de oportunidades, n\u00e3o s\u00f3 em nome da justi\u00e7a social, mas tamb\u00e9m porque o talento n\u00e3o conhece regi\u00f5es postais nem classes sociais e n\u00e3o pode ser desperdi\u00e7ado. N\u00e3o podemos perder um futuro talento em medicina, em neg\u00f3cios, em arte ou em pol\u00edtica s\u00f3 porque a pessoa n\u00e3o recebeu a forma\u00e7\u00e3o adequada.<\/p>\n<p><strong>No que respeita ao talento e \u00e0s novas formas de trabalho&#8230; que d\u00favidase subsistem e que as inova\u00e7\u00f5es pensa que se v\u00e3o concretizar?<\/strong><\/p>\n<p>Apresent\u00e1mos este ano dois estudos independentes que respondem em grande medida a essa quest\u00e3o, um em colabora\u00e7\u00e3o com a Universidade Complutense e o outro com a Funda\u00e7\u00e3o ISEAK. Ambos analisaram o mercado de trabalho espanhol ao longo dos \u00faltimos vinte anos e chegaram a conclus\u00f5es complementares. O estudo com a Complutense mostra que, desde o in\u00edcio do s\u00e9culo, foi gerado emprego l\u00edquido em profiss\u00f5es com sal\u00e1rios baixos e altos, mas n\u00e3o nos escal\u00f5es salariais m\u00e9dios. Os investigadores mostraram que est\u00e3o principalmente a desaparecer as ocupa\u00e7\u00f5es relacionadas com tarefas repetitivas ou previs\u00edveis e, por isso, facilmente automatiz\u00e1veis. A conclus\u00e3o \u00e9 que a nova economia recompensa os trabalhadores mais instru\u00eddos, desloca trabalhadores com educa\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia para empregos de menor remunera\u00e7\u00e3o e reduz grandemente a presen\u00e7a de trabalhadores sem forma\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. Por seu lado, o estudo com a ISEAK descreve quais as compet\u00eancias e profiss\u00f5es mais procuradas no mercado de trabalho espanhol e como t\u00eam evolu\u00eddo nas \u00faltimas duas d\u00e9cadas. Os resultados revelam um crescimento em todas as profiss\u00f5es da \u00e1rea da inform\u00e1tica, em simult\u00e2neo com um decl\u00ednio da maioria das profiss\u00f5es no setor da produ\u00e7\u00e3o industrial. Ao mesmo tempo, est\u00e3o no auge todas as profiss\u00f5es da \u00e1rea dos cuidados e a imensa maioria das profiss\u00f5es cient\u00edficas e intelectuais, algumas com crescimento recorde, tais como os matem\u00e1ticos e estat\u00edsticos, cuja procura aumentou dez vezes. Uma conclus\u00e3o interessante, sobre a qual os dois documentos coincidem, tem a ver com o g\u00e9nero: as mulheres &#8211; e em particular as jovens &#8211; est\u00e3o melhor equipadas do que os homens para enfrentarem o desafio de uma economia mais automatizada. H\u00e1 dois motivos para isso: um \u00e9 que, por terem atravessado at\u00e9 agora um contexto mais dif\u00edcil, prepararam-se mais e melhor, e o outro \u00e9 que aceitaram empregos pouco qualificados e mal remunerados que est\u00e3o agora, em contrapartida, a atingir o seu auge. Em \u00faltima an\u00e1lise, o futuro exigir\u00e1 uma grande reconvers\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o pessoal, acompanhadas por pol\u00edticas p\u00fablicas &#8211; educa\u00e7\u00e3o, emprego e inova\u00e7\u00e3o &#8211; para facilitar esta transi\u00e7\u00e3o, e empenho e flexibilidade dos parceiros sociais.<\/p>\n<p><strong>Por \u00faltimo, sei que tamb\u00e9m tem experi\u00eancia na cria\u00e7\u00e3o de empresas em setores de elevado valor como a biotecnologia. O empreendedor opera sempre na incerteza, ou s\u00e3o estes tempos particularmente complexos para algu\u00e9m que pretenda empreender?<\/strong><\/p>\n<p>As \u00e9pocas complexas como a atual s\u00e3o as melhores para os empreendedores, e estou a pensar tanto nos que atingem os seus objetivos como nos que fracassam. Volto ao exemplo da vacina. O maior desafio para a humanidade em d\u00e9cadas foi tamb\u00e9m o maior sucesso na inova\u00e7\u00e3o e um neg\u00f3cio extraordin\u00e1rio para os que chegaram primeiro. \u00c9 verdade que a hist\u00f3ria \u00e9 escrita pelos vencedores, e que foram muitos mais os que investiram in\u00fameros recursos pessoais e financeiros sem terem alcan\u00e7ado o sucesso final reservado a uns pouqu\u00edssimos privilegiados. Mas mesmo para os que n\u00e3o chegaram \u00e0 meta, o esfor\u00e7o ter\u00e1 valido a pena, pois saber\u00e3o sem d\u00favida muito mais do que antes quando enfrentarem o seu pr\u00f3ximo projeto. Por conseguinte, todos n\u00f3s beneficiamos desse aumento exponencial da concorr\u00eancia numa sociedade e numa economia baseadas no conhecimento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Os tempos complexos como os atuais s\u00e3o os melhores tempos para os empreendedores&#8221;, afirma nesta entrevista Cristina Garmendia, uma mulher com uma trajet\u00f3ria singular. 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