{"id":478471,"date":"2023-07-04T19:07:27","date_gmt":"2023-07-04T17:07:27","guid":{"rendered":"https:\/\/llyc.global\/ideas\/os-desafios-da-sustentabilidade-na-ue-e-na-america-latina-passam-pela-amazonia\/"},"modified":"2023-07-04T17:53:18","modified_gmt":"2023-07-04T15:53:18","slug":"os-desafios-da-sustentabilidade-na-ue-e-na-america-latina-passam-pela-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/llyc.global\/pt-pt\/ideas\/uno\/os-desafios-da-sustentabilidade-na-ue-e-na-america-latina-passam-pela-amazonia\/","title":{"rendered":"Os desafios da sustentabilidade na UE e na Am\u00e9rica Latina passam pela Amaz\u00f3nia"},"content":{"rendered":"<p>A confirma\u00e7\u00e3o oficial de que a cidade de Bel\u00e9m, capital do Estado do Par\u00e1, ser\u00e1 a sede do COP-30 em 2025 (a primeira vez que o maior e mais importante f\u00f3rum internacional do clima ser\u00e1 realizado na Amaz\u00f3nia) n\u00e3o \u00e9 apenas motivo de alegria pelo sonho realizado. Salienta a import\u00e2ncia de a regi\u00e3o acolher um evento hist\u00f3rico que definir\u00e1 novos objetivos, pr\u00e1ticas e pol\u00edticas para o setor. <\/p>\n<p>O mundo debate a Amaz\u00f3nia, as amea\u00e7as que enfrenta e o seu futuro. Estudiosos, investigadores, t\u00e9cnicos e pol\u00edticos debatem constantemente o assunto, tornando-o uma quest\u00e3o global. Neste sentido, haver\u00e1 algo mais simb\u00f3lico do que discutir a Amaz\u00f3nia na Amaz\u00f3nia?<\/p>\n<p>Os 6,7 milh\u00f5es de quil\u00f3metros quadrados da Amaz\u00f3nia est\u00e3o divididos entre outros oito pa\u00edses, para al\u00e9m do Brasil. S\u00e3o eles o Peru, a Bol\u00edvia, o Equador, a Col\u00f4mbia, a Venezuela, o Suriname, a Guiana e a Guiana Francesa. Mas 60 % das terras e \u00e1guas da Amaz\u00f3nia est\u00e3o no Brasil. E aqui ocupam quase 59 % do territ\u00f3rio nacional e \u00e9 onde vivem cerca de 38 milh\u00f5es de pessoas, distribu\u00eddas em 808 munic\u00edpios de nove estados: Acre, Amap\u00e1, Amazonas, Mato Grosso, Maranh\u00e3o, Par\u00e1, Rond\u00f4nia, Roraima e Tocantins.<\/p>\n<p>Perante esta dimens\u00e3o monumental, seria natural que os pa\u00edses que integram a regi\u00e3o amaz\u00f3nica interagissem periodicamente atrav\u00e9s de f\u00f3runs ou mesmo de organismos institu\u00eddos, na procura de mecanismos de defesa e desenvolvimento. Tal n\u00e3o acontece. E esta pr\u00e1tica tem de ser frequente para gerar resultados positivos.<\/p>\n<p>Para incorporar definitivamente a floresta amaz\u00f3nica no processo de desenvolvimento nacional, \u00e9 urgente ultrapassar pensamentos e posturas profundamente enraizados. N\u00e3o deve ser apenas sin\u00f3nimo de algo intoc\u00e1vel, que n\u00e3o gera rendimentos ou benef\u00edcios para os seus habitantes e para o mundo em geral.<\/p>\n<blockquote><p>A floresta amaz\u00f3nica ser\u00e1 para sempre uma fonte de investiga\u00e7\u00e3o e de descoberta, enquanto for protegida e preservada em todo o seu esplendor. Isto implica desenvolvimento<\/p><\/blockquote>\n<p>A floresta amaz\u00f3nica ser\u00e1 para sempre uma fonte de investiga\u00e7\u00e3o e de descoberta, enquanto for protegida e preservada em todo o seu esplendor. Isto implica desenvolvimento. Quantas plantas da regi\u00e3o, por exemplo, s\u00e3o ainda desconhecidas e quantas delas dariam origem a novos produtos farmac\u00eauticos, novos produtos cosm\u00e9ticos, novas cores para tecelagem, etc.? Novos produtos seriam inseridos no mercado, abrindo outras cadeias comerciais que, por sua vez, beneficiariam especialmente aqueles que vivem na majestosa floresta e, por extens\u00e3o, toda uma sociedade. <\/p>\n<p>Por outro lado, \u00e9 do conhecimento geral que a pobreza se consolida, estratifica e expande quando se perdem oportunidades de atuar na vanguarda do conhecimento. Desenvolver com sustentabilidade \u00e9 a palavra de ordem e deve estar no topo da agenda da Uni\u00e3o Europeia e da Am\u00e9rica Latina. <\/p>\n<blockquote><p>Entra em jogo a bioeconomia, a venda de cr\u00e9ditos de carbono, t\u00e3o importante para as economias europeias. S\u00e3o as mais recentes e, de certa forma, revolucion\u00e1rias mercadorias do planeta<\/p><\/blockquote>\n<p>N\u00e3o \u00e9 por acaso que a bioeconomia, a venda de cr\u00e9ditos de carbono, que \u00e9 t\u00e3o importante para as economias europeias, entra em jogo nesta perspetiva. S\u00e3o as mercadorias recentes e, de certa forma, revolucion\u00e1rias do planeta. \u00c9 um apoio consider\u00e1vel para manter a floresta de p\u00e9, viva, garantindo a sua plenitude e vigor, e um est\u00edmulo para um neg\u00f3cio enorme e em crescimento. As consultoras internacionais estimam que as transa\u00e7\u00f5es no mercado de carbono em 2021 ultrapassar\u00e3o os 2 000 milh\u00f5es de d\u00f3lares, quatro vezes mais do que no ano anterior. As previs\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o otimistas que a consultoria mundial McKinsey avaliou recentemente que as transa\u00e7\u00f5es no segmento ir\u00e3o alcan\u00e7ar os 50 000 milh\u00f5es de d\u00f3lares em 2030.<\/p>\n<p>No entanto, existem ainda muitos fantasmas que impedem os esfor\u00e7os de moderniza\u00e7\u00e3o. Desde a incapacidade de estabelecer uma legisla\u00e7\u00e3o eficaz e transparente sobre a quest\u00e3o at\u00e9 \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de um quadro jur\u00eddico para o setor. Sem esquecer os fantasmas mais perigosos e amea\u00e7adores: a desfloresta\u00e7\u00e3o e a minera\u00e7\u00e3o ilegal. Contra elas, a \u00fanica medida a adotar pelo Estado \u00e9 o combate constante, com m\u00e3o firme, rigor e intelig\u00eancia, dentro do quadro estabelecido na lei. <\/p>\n<p>Os criminosos, geralmente armados e violentos, fazem parte de cart\u00e9is poderosos e influentes, com ramifica\u00e7\u00f5es em v\u00e1rias esferas da vida nacional, inclusive no Congresso Nacional. N\u00e3o respeitam a legisla\u00e7\u00e3o, nem as reservas ind\u00edgenas ou as \u00e1rvores centen\u00e1rias. N\u00e3o t\u00eam limites. <\/p>\n<p>Felizmente, o atual governo n\u00e3o s\u00f3 alterou completamente a pol\u00edtica que estava a ser seguida, como est\u00e1 a agir com firmeza e sem medo contra estas amea\u00e7as. Est\u00e1 a parar a desfloresta\u00e7\u00e3o e a minera\u00e7\u00e3o ilegal, a parar os tratores e as motosserras, a parar o equipamento mineiro, a parar a invas\u00e3o das terras ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>Os povos ind\u00edgenas constituem um cap\u00edtulo muito especial na Amaz\u00f3nia. Nenhuma sociedade pode prescindir dos povos ind\u00edgenas, seja em que circunst\u00e2ncia for. Os pa\u00edses onde foram extintos lamentam-no at\u00e9 hoje e, uma e outra vez, perdem perd\u00e3o por terem praticado esta pol\u00edtica absurda e injustific\u00e1vel de limpeza \u00e9tnica, desprezando o conhecimento, a sabedoria e as culturas milenares. Isto \u00e9 um crime, n\u00e3o h\u00e1 outra palavra para o descrever. Mas o perd\u00e3o, como sabemos, n\u00e3o resolve o que j\u00e1 n\u00e3o tem solu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A civiliza\u00e7\u00e3o precisa de perceber, de uma vez por todas, que o Brasil e a Am\u00e9rica Latina n\u00e3o precisam apenas de crescer com ind\u00fastrias modernas e inovadoras, agronomia qualificada, rebanhos qualificados, cidades bem equipadas, infraestruturas adequadas e muitas outras coisas. \u00c9 tamb\u00e9m essencial assimilar plenamente que a floresta n\u00e3o \u00e9 um lugar para ser desprovido dos seus benef\u00edcios e acabar totalmente devastado. Que os seus habitantes originais n\u00e3o s\u00e3o seres inferiores que nada t\u00eam a ensinar aos chamados civilizados. Esta vis\u00e3o deve ser (e certamente ser\u00e1) partilhada no di\u00e1logo entre a UE e a Am\u00e9rica Latina. <\/p>\n<blockquote><p>O Brasil n\u00e3o vai abrir m\u00e3o de uma floresta deste tamanho. A floresta amaz\u00f3nica continuar\u00e1 viva e de boa sa\u00fade nos tempos vindouros. E n\u00e3o existem d\u00favidas de que estamos a contar com a comunidade internacional para o fazer<\/p><\/blockquote>\n<p>Uma na\u00e7\u00e3o do tamanho do Brasil n\u00e3o vai abrir m\u00e3o de uma floresta deste tamanho. A floresta amaz\u00f3nica continuar\u00e1 viva e de boa sa\u00fade nos tempos vindouros. E n\u00e3o existem d\u00favidas de que estamos a contar com a comunidade internacional para o fazer. <\/p>\n<p>Pass\u00e1mos por tempos sombrios e dolorosos em que at\u00e9 a natureza redonda da Terra foi negada. Mas esse per\u00edodo est\u00e1 encerrado e enterrado. Vivemos agora a reconstru\u00e7\u00e3o da vida e a reafirma\u00e7\u00e3o de que sim, a Terra \u00e9 redonda. <\/p>\n<p>Para n\u00f3s brasileiros e para a comunidade internacional, a COP-30 ser\u00e1 o marco de um novo ciclo para a regi\u00e3o e para o mundo. Aqueles que se dizem preocupados com a Amaz\u00f3nia vir\u00e3o aqui para discutir connosco como ser\u00e1 a Amaz\u00f3nia do futuro. Ir\u00e3o conhecer in loco um pouco da complexidade fascinante da Amaz\u00f3nia.<\/p>\n<p>Costuma-se  dizer que a Amaz\u00f3nia \u00e9 o pulm\u00e3o do mundo. Eu prefiro diz\u00ea-lo de outra forma: n\u00f3s, aqui, respiramos a Amaz\u00f3nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A confirma\u00e7\u00e3o oficial de que a cidade de Bel\u00e9m, capital do Estado do Par\u00e1, ser\u00e1 a sede do COP-30 em 2025 (a primeira vez que o maior e mais importante f\u00f3rum internacional do clima ser\u00e1 realizado na Amaz\u00f3nia) n\u00e3o \u00e9 apenas motivo de alegria pelo sonho realizado. 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