Tecnologia com propósito: quando a inovação tem nome próprio

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10 Jun 2026

Na América Latina, a tecnologia não chega como uma onda. Chega como um rumor. Expande-se de chat em chat, de bairro em bairro, de pessoa em pessoa. É uma região onde a digitalização não ocorre nos servidores, mas sim nos telemóveis; onde a mudança não é ditada pelo algoritmo, mas pela conversa. Por isso acredito que o maior desafio não é inovar mais depressa, mas sim inovar com mais empatia. A tecnologia não se impõe: conversa-se.

Durante anos, o debate sobre a inclusão digital concentrou-se na infraestrutura: quantas pessoas têm acesso à Internet, a uma conta ou a um smartphone. Mas a brecha mais profunda não é de acesso, é de linguagem. Não basta estar ligado se a tecnologia continua sem nos falar no nosso idioma. Essa é a razão pela qual muitos dos avanços que celebramos nas capitais ainda não transformam a vida nos bairros.

Na dale!, aprendemos que a verdadeira inovação nem sempre parece sofisticada. Às vezes assemelha-se ao quotidiano: uma conversa de WhatsApp, uma alcunha escrita com carinho numa vitrina. Por isso nasceu Nombres con Calle, uma iniciativa que procura dar visibilidade aos negócios populares que sustentam a economia dos nossos bairros. Através da chave Tag Aval, qualquer loja, banca ou empreendimento pode ter o seu próprio nome digital (@DonaMartaTienda, @FloresDeInes) e usá-lo para cobrar ou receber dinheiro. A identidade é o primeiro passo da inclusão.

O passo seguinte foi natural: levar a possibilidade de cobrança ao local onde já ocorre a vida diária. Hoje, os negócios podem receber pagamentos diretamente pelo WhatsApp, com o uso da sua Chave Tag Aval dentro do ecossistema interoperável Bre-b. Não se trata de uma aliança técnica, mas de uma convicção simples: se a maioria dos colombianos vive, conversa e confia no WhatsApp, então esse deve ser também o espaço da sua inclusão financeira. Não precisamos que as pessoas se mudem para a tecnologia; precisamos que a tecnologia se mude para as pessoas.

Esta abordagem tem que ver com o que defendemos no nosso Relatório de Sustentabilidade 2024: que a tecnologia deve ter um propósito mensurável e social. Não é um acessório de responsabilidade, é a essência do negócio. Incorporar critérios ESG significa entender que a inclusão não se mede em downloads, mas em confiança, em relações mais transparentes e em ferramentas que dignificam o trabalho.

A sustentabilidade não se alcança com a soma de utilizadores, mas com a multiplicação de oportunidades.

A América Latina é um território de engenho. Em toda a região surgem formas próprias de digitalização que combinam criatividade, colaboração e proximidade. O Brasil demonstrou-o com o Pix, o Peru com as suas carteiras comunitárias, e a Colômbia com a sua rede de negócios locais que fazem do serviço e da confiança uma forma de economia viva.

O bairro é o primeiro laboratório de inovação da região.

Não por carência, mas porque cria: porque transforma cada conversa em possibilidade.

Vi como se ilumina o olhar de um comerciante quando vê o seu nome impresso na sua Chave Tag Aval. Ali, nesse gesto mínimo, ocorre algo profundo: o reconhecimento. O que antes era invisível agora tem identidade. E isso, num continente onde o progresso costuma ser medido em números, é uma vitória humana. Na dale! continuaremos a construir tecnologia que não só se use, mas que se entenda.

Porque quando a inovação se conversa (e não se impõe), não só transforma negócios: transforma culturas.

Esta tradução foi efectuada com a IA. Leia o artigo na sua língua original.