A próxima revolução das empresas não será apenas tecnológica

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22 Out 2026

Enquanto as empresas se preparam para incorporar agentes de inteligência artificial, há outra transformação, muito mais previsível, para a qual talvez não estejamos igualmente preparados: viveremos mais e teremos vidas profissionais mais longas.

Estamos a redesenhar a empresa para incorporar novas inteligências, mas ainda não a estamos a redesenhar para aproveitar vidas mais longas.

Nos últimos meses, tenho visto estas conversas surgirem em espaços distintos. Nos conselhos de administração, falamos de inteligência artificial, produtividade e novos modelos de negócio. Noutros âmbitos empresariais, de talento e das capacidades de que necessitaremos para competir. E, ao trabalhar em iniciativas ligadas à longevidade, surge outra questão: como transformamos organizações pensadas para vidas profissionais muito mais curtas?

Creio que estas conversas já não podem ocorrer em separado.

Estamos a viver simultaneamente a revolução da inteligência artificial e a revolução da longevidade. Uma está a mudar a forma como trabalhamos; a outra, durante quanto tempo poderemos fazê-lo. A verdadeira oportunidade residirá em desenhar ambas as transformações ao mesmo tempo.

Após muitos anos a liderar organizações com milhares de colaboradores, aprendi que as grandes transformações nunca são apenas tecnológicas. Mudam processos, mas acabam por mudar estruturas, culturas, lideranças e, por fim, a forma como uma empresa cria valor.

O organograma que aí vem

A McKinsey defende que avançamos para organizações “agênticas”, onde pessoas e agentes de inteligência artificial trabalharão em conjunto. Antecipa, inclusivamente, a evolução do organograma tradicional para um work chart, organizado em torno do trabalho e dos resultados.

A ideia parece-me provocadora. Durante décadas, representámos as organizações com caixas ocupadas por pessoas e linhas que indicavam quem reportava a quem. Muito em breve, essa imagem poderá revelar-se insuficiente.

Na América Latina, o McKinsey Global Institute estima que 57% das horas atualmente trabalhadas poderiam ser tecnicamente automatizadas com as tecnologias existentes. Não significa que essa percentagem de empregos vá desaparecer. Significa algo muito mais relevante para quem dirige empresas: uma parte importante do trabalho terá de ser redesenhada.

E esse redesenho ocorre enquanto as sociedades também envelhecem.

A experiência também precisa de se transformar

Viveremos mais e muitas pessoas necessitarão — ou quererão — permanecer ativas profissionalmente durante mais tempo. No entanto, continuamos a gerir carreiras sob uma lógica bastante linear: estudar, trabalhar, crescer e reformar-se.

Esta transformação interpela especialmente aqueles que levam décadas em posições de liderança. Não podemos pedir às organizações que se transformem se nós não estivermos dispostos a fazê-lo.

A experiência só terá valor se permanecer em movimento.

Teremos de aprender, desaprender, incorporar novas tecnologias e aceitar que aquilo que outrora nos tornou bem-sucedidos pode não ser suficiente para a etapa seguinte.

Mas também não deveríamos cometer o erro contrário: confundir juventude com inovação. A idade não garante experiência relevante nem capacidade de transformação.

A questão não é saber qual a melhor geração. É saber de que capacidades necessitamos e como conseguimos combiná-las.

Não é apenas talento. É negócio.

Aqui está, para mim, a verdadeira mudança de perspetiva.

Se tratarmos a longevidade, a convivência geracional e a inteligência artificial como conversas exclusivamente de Recursos Humanos, estaremos a perder boa parte da oportunidade. São assuntos de competitividade.

De produtividade, porque teremos de decidir o que as pessoas fazem melhor, o que os agentes podem fazer e onde a sua combinação gera mais valor.

De inovação, porque as novas perspetivas precisam de se cruzar com a experiência, o contexto e o conhecimento acumulado.

De cliente, porque as sociedades e os consumidores também são multigeracionais e mais longevos. Uma organização que não reflita essa diversidade pode acabar por compreender apenas uma parte do seu mercado.

E de crescimento, porque uma sociedade que vive mais abrirá novas necessidades em serviços financeiros, saúde, seguros, habitação, educação, tecnologia, entretenimento e consumo.

Por isso, esta conversa deveria estar a chegar às comissões executivas e aos conselhos de administração.

Talvez a pergunta já não seja “de quantas pessoas necessito?”, mas sim “de que capacidades necessito para conseguir este resultado?”

Quais devem ser humanas? Quais podem ser aportadas pela inteligência artificial? Quais requerem experiência? Quais devemos desenvolver? E quais já existem dentro das organizações e simplesmente não estamos a ver?

A vantagem de saber combinar

Não vejo o futuro do trabalho como uma competição entre pessoas e tecnologia. Vejo-o como um desafio de conceção.

A empresa que aí vem terá profissionais de diferentes gerações a trabalhar entre si e com agentes de inteligência artificial. A liderança consistirá cada vez mais em saber combinar capacidades diferentes para produzir resultados que nenhuma conseguiria em separado.

Para a América Latina, onde necessitamos de elevar a produtividade e acelerar a transformação tecnológica enquanto as sociedades também envelhecem, esta pode ser uma enorme oportunidade.

Durante anos pensámos que o futuro do talento consistia em derrubar fronteiras geográficas. Hoje creio que as próximas fronteiras estão dentro das organizações: entre gerações, entre experiência e aprendizagem, entre inteligência humana e inteligência artificial.

A próxima vantagem competitiva não residirá em ter mais tecnologia nem em acumular mais experiência. Estará em saber combiná-las melhor.

E talvez essa seja uma das maiores responsabilidades da atual geração de líderes: não defender a empresa onde aprendemos a dirigir, mas sim ajudar a construir a que aí vem.

Fontes de referência:

  • McKinsey & Company, “The agentic organization: Contours of the next paradigm for the AI era”, 2026.
  • McKinsey Global Institute, “Agents, robots, and us: How AI reshapes work and skills in Latin America”, 2026.
Esta tradução foi efectuada com a IA. Leia o artigo na sua língua original.