As relações Eurolatino-Americanas entre o acordo Ue – Mercosul e a cúpula Ibero-Americana

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22 out 2026

A atual conjuntura geopolítica, paradoxalmente, é muito propícia para a América Latina. O fato de contar com importantes reservas de terras raras e minerais estratégicos, abundantes fontes energéticas fósseis (gás e petróleo) e recursos naturais, como sol, vento e água, e ser um dos maiores produtores de alimentos, fez com que boa parte do mundo, começando pelas grandes potências (Estados Unidos, China, Índia e Rússia), lhe preste mais atenção do que nunca.

Apesar do confronto global entre a China e os Estados Unidos, que repercute diretamente na região, como provam tanto o Corolário Trump da Doutrina Monroe quanto a importante presença de Pequim em todo o continente, os países latino-americanos estão em condições, desde que não se deixem arrastar pela corrente e pelos evidentes puxões de ambos os lados, de impulsionar suas próprias políticas para aproveitar o momento de forma inteligente.

A atual conjuntura geopolítica é muito propícia para a América Latina: perante o confronto entre a China e os Estados Unidos, a região deve impulsionar as suas próprias políticas e não se deixar levar pela corrente.

Atualmente, e não sem certas dificuldades, os governos regionais ensaiam políticas duais, inclinadas aos Estados Unidos em segurança e defesa e à China em comércio e investimentos. Isso não implica nem se afastar de um para se alinhar automaticamente com o outro, ou vice-versa, mas tentar manter um certo equilíbrio. A dualidade é mais visível na América do Sul, por ser a China seu principal parceiro comercial. As recentes visitas a Pequim do presidente equatoriano, Daniel Noboa, e do ministro chileno das Relações Exteriores, Francisco Pérez Mackenna, atestam isso.

Mas há grandes restrições. Suas exportações exigem o mercado chinês, insubstituível pelos Estados Unidos. As empresas americanas também não poderão substituir facilmente os investimentos chineses, e mais onde os cálculos empresariais não lhes são favoráveis. Apesar disso, os Estados Unidos traçaram diversas linhas vermelhas, pouco definidas, em setores considerados estratégicos por seu duplo uso potencial (econômico e de segurança) como telecomunicações, segurança cibernética, cabos submarinos, tecnologia espacial e certas infraestruturas essenciais (como os portos).

Exceto Brasil e México, por seu tamanho e potencial econômico, os demais países são incapazes de negociar com certas garantias com as superpotências e defender melhor seus interesses nacionais. Apesar do estado crítico da integração regional, a cooperação, a coordenação e a colaboração (as 3 Cs) intergovernamentais são mais necessárias do que nunca.

Neste contexto, seria desejável que os governos da região desenvolvessem estratégias próprias em relação à China, algo que no momento mal consideram. Se o fizessem e tivessem claros os objetivos dos dois grandes, assim como seus interesses particulares, poderiam manter certa iniciativa na relação, algo que hoje faz falta. Assim será mais fácil reduzir os riscos (derisking) relacionados às demandas de um e de outro em setores estratégicos.

Para ter melhores oportunidades na arena geopolítica, marcada pela incerteza, pelo retrocesso do multilateralismo e pelo conflito sino-americano, a América Latina deve diversificar suas alianças políticas e econômicas (comerciais e financeiras), com velhos e novos parceiros, como a União Europeia, Canadá e Índia. Aqui entram, precisamente, o Acordo Mercosul – União Europeia e a XXX Cúpula Ibero-Americana de Madri.

Num contexto global marcado pela incerteza, a América Latina e a Europa precisam uma da outra mais do que nunca para diversificar alianças, reduzir riscos e consolidar uma parceria natural.

O Acordo com o Mercosul, longamente negociado, é uma grande ocasião para aumentar o comércio intrarregional. Insiste-se que é uma fórmula ganha-ganha (win – win). Mas o Acordo tem outras potencialidades. A partir dele, a UE tem acordos de livre comércio com 95% do PIB latino-americano, em comparação com 44% dos Estados Unidos e 14% da China. Pela via dos fatos, e à medida que os países signatários harmonizem suas normas, como as regras de origem, o comércio intrarregional poderá crescer exponencialmente.

O sistema ibero-americano, para além das dificuldades de um contexto global crescentemente hostil, demonstrou sua resiliência. Não só porque soube se rearmar após o fracasso da Cúpula de Cuenca, mas também por ter sabido viabilizar diferentes projetos de cooperação em áreas como segurança cibernética e previdência social. Como sete dos quinze países observadores associados são europeus (Alemanha, Bélgica, França, Hungria, Itália, Luxemburgo e Países Baixos), mais Espanha e Portugal, membros natos junto a Andorra, há uma importante presença da UE no sistema ibero-americano, e seria desejável que aumentasse ainda mais.

Neste momento, marcado pelas tensões provenientes dos lugares mais diversos, alguns insuspeitos anos atrás, a América Latina e a Europa precisam-se mais do que nunca. Isso levou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a falar de uma associação natural. No caminho traçado pelo primeiro-ministro canadense, Mark Carney, na convergência das potências médias, é preciso reforçar a relação euro-latino-americana propiciandoquelas vantagens mais favoráveis para todos os atores.

Esta tradução foi feita com IA. Leia o artigo em seu idioma original.