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O papel do principal executivo deixou de ser exclusivamente um espaço de gestão para se transformar em um exercício contínuo de critério, resiliência e proatividade. Em um ambiente condicionado pela volatilidade do curto prazo, a fiscalização pública e o surgimento da IA, liderar uma grande organização exige hoje qualidades que vão além da experiência ou da hierarquia tradicional.
Sob este marco conceitual, foi apresentado na CEOE o último livro de Iñaki Ortega, diretor-geral de Madrid: ¿De verdad quieres ser CEO? Liderazgo audaz. (Você realmente quer ser CEO? Liderança audaz). O encontro, que lotou sua capacidade com mais de 250 diretores e representantes institucionais, contou com o apoio dos nossos diretores Jorge López Zafra and Luisa García, e serviu para analisar as exigências atuais do C-suite.
O autor compartilhou a mesa e o debate com Josu Jon Imaz (CEO da Repsol), Elena Sanz (CEO da Mapfre Iberia), Antonio Garamendi (presidente da CEOE) e Manuel Pimentel (editor e presidente do Grupo Almuzara). Da conversa surgiram três grandes vetores que estão redefinindo a governança corporativa:
1. A solidão da decisão final
Diante da tendência de deliberação infinita, a liderança contemporânea exige assumir a responsabilidade no momento crítico. Josu Jon Imaz recorreu à metáfora da “solidão do pênalti” para ilustrar a tomada de decisões nos momentos de verdade das empresas: embora os processos de alinhamento sejam coletivos, existe um instante em que o principal executivo deve decidir de forma individual.
Imaz exemplificou esse compromisso relembrando a decisão da Repsol de manter abertos os seus serviços essenciais durante a pandemia, priorizando o impacto social e o futuro da empresa acima do resultado imediato daquele exercício. A capacidade de combinar a viabilidade do curto prazo com a sustentabilidade do horizonte futuro define hoje a maturidade de uma organização.
2. A obrigação de exercer o poder diante do imobilismo
O verdadeiro risco para uma corporação em tempos de transformação não é o erro, mas a paralisia. Elena Sanz destacou que o imobilismo é a maior irresponsabilidade de um líder, sinalizando que, uma vez aceita a confiança dos acionistas e da sociedade, assume-se a obrigação de agir.
Elena Sanz compartilhou o desafio que representou para a Mapfre Iberia transformar uma estrutura organizacional consolidada durante 25 anos para ganhar agilidade e proximidade com o cliente. Em setores onde o principal ativo é intangível, como a confiança, a audácia operacional é uma condição indispensável para garantir a relevância no mercado.
3. O perigo do isolamento e o desafio ético da IA
Outro dos grandes desafios analisados foi o denominado “efeito escritório”, essa distância que pode vir a se abrir entre os comitês de diretoria e a realidade do ambiente. A resposta unânime do painel diante desse risco foi a escuta ativa e a necessidade de se cercar de equipes com opiniões divergentes que contraponham o critério do líder.
Esse ecossistema de escuta inclui também a adoção das novas tecnologias. O debate abordou a IA como um vetor de eficiência e conhecimento, mas com a advertência compartilhada de não se deixar determinar por ela. Antonio Garamendi qualificou a IA como “a nova revolução total”, um desafio que transcende a fronteira tecnológica para se transformar em um debate ético e social que obrigará a reconfigurar a relação entre empresas, profissionais e o próprio contrato social.
Gerenciar no cenário da exposição permanente
As empresas precisam de parceiros estratégicos para governar na incerteza e assumir riscos sob uma alta exposição pública. É nesses pontos de inflexão críticos que as decisões corajosas, respaldadas por comunicação, criatividade e influência baseadas em dados conseguem blindar o ativo mais valioso de qualquer projeto empresarial: a confiança dos seus stakeholders.
Neste contexto de transformação, uma liderança audaz também exige dominar as relações institucionais e o ambiente regulatório. Se você se interessa por esses assuntos, convido você a conhecer o Curso de Public Affairs da LLYC que Iñaki Ortega dirige e que começa neste mês de junho. Será um verdadeiro prazer contar com você nesta 5ª edição.